Para comemorar o Dia das Crianças vamos contar a história da GabÍ, uma garotinha mais que especial
“Ela é esperta, bagunceira, adora uma brincadeira, mas tem vez que a gente quer brincar com ela e ela não quer. A Bibi gosta de rabiscar e não gosta de ficar muito na sala de aula”. É dessa forma que os coleguinhas de escola de Gabriela Vilela Amorim a definem.
A menina alegre e simpática nos recebeu com abraços e beijos, mostrou uma sala com brinquedos, fez questão de nos servir água e mostrar os amiguinhos. Além disso, adorou posar para as fotos e também fotografar. Nada mais natural para uma garotinha de cinco anos. Diferença? Apenas um cromossomo a mais na sua genética, que traz algumas limitações, mas nada que não possa ser superado com dedicação, paciência, trabalho e muito amor.
Para comemorarmos o Dia das Crianças, vamos contar a história da Gabí, filha do administrador e micro-empresário Anderson Vilela Amorim e da enfermeira Alessandra Vilela Amorim. Essa menina linda que nasceu com Síndrome de Down tem provado para muita gente que isso não faz a menor diferença.
A descoberta
Gabriela acabou de completar cinco anos. Ela nasceu no dia 5 outubro de 2010 e sua festinha, não fugiu em nada das garotas dessa idade. Como qualquer outra criança, a Pepa é um de seus personagens preferidos e como não poderia ser diferente, seu aniversário teve como tema a porquinha mais amada pelas garotada.
Quando ela nasceu, seus pais já sabiam que ela tinha Síndrome de Down, ficaram sabendo no quinto mês de gestação. A descoberta foi um grande choque. “No ultrassom morfológico o médico visualizou uma alteração cardíaca, nesse dia, ele informou que o tipo de alteração era comum em crianças com síndrome de down, mas não tinha como afirmar com certeza, pois poderia ainda ser outras síndromes mais graves”, conta Alessandra Amorim.
Após essa descoberta, os pais falam que passaram por uma fase muito difícil de revolta e negação. “A gente se pergunta: ‘Por que eu? ’, fala um monte de bobagem, fica sem saber o que fazer”, lembram.
Eles contam que para ter certeza que era síndrome de down poderiam fazer um outro exame, mas esse poderia colocar em risco a gravidez, então optaram por não fazer, já que o diagnóstico não mudaria em nada.
O tempo entre a descoberta e o nascimento foi bom para que eles se acostumassem com a ideia e passassem a aceitá-la com naturalidade. A gravidez de Alessandra foi tranquila, assim como o parto. “Quando ela nasceu, nós nem lembramos que era down, nossa preocupação era com o problema cardíaco. Ser down ou não, já não fazia a menor diferença”, conta a mãe.
Quatro meses e meio após nascer, Gabriela fez uma cirurgia cardíaca. 50% das pessoas que têm síndrome de down nascem com problema cardíaco e mais da metade tem que fazer a cirurgia nos primeiros meses de vida.
Logo depois da cirurgia, que correu tudo bem, Gabí ficou apenas mais um tempo tomando a medicação indicada e foi liberada pelos médicos.
Começava aí mais uma etapa e um desafio para os pais.
Estímulo é a
grande diferença
“A palavra chave é estimulação. Eles são capazes. Eles têm um atraso mental, mas desde que sejam estimulados, eles dão conta de fazer. O que a gente puder fazer por ela, nós vamos fazer”, diz Anderson.
E os pais da Gabí têm feito muito. Assim que foi liberada pelos médicos, eles a colocaram na APAE de Sabará, onde já começou a fazer terapia ocupacional, fisioterapia e fonoaudiologia. Ainda com oito meses foi para a Escola Novo Mundo, que não oferecia nenhuma condição especial.
Anderson Vilela diz que a filha foi muito bem aceita por todos na escola e agradece muito Beatriz, diretora da instituição, que apesar da inexperiência em trabalhar com crianças com Síndrome de Down aceitou o desafio e tem se saído muito bem. “Nós falamos que não era para dar nenhuma condição especial para a Gabriela, tratá-la igual como sempre a tratamos em casa, igual aos dois irmãos mais velhos”, conta.
A fórmula deu certo, a garotinha desenvolveu muito desde que entrou para a escola e se adaptou muito bem. A diretora afirma que o desenvolvimento só funcionou porque a família acredita e apóia a escola.
Apesar de não ter experiência, Beatriz diz que apostou na questão humana e no amor. Ela conta que desde quando entrou na escolinha uma monitora a acompanhou. “Se ela está assim, desenvolveu dessa forma, nós temos que agradecer ao trabalho da Duda, que a acompanha desde o início”, diz a diretora. A monitora é professora na APAE e por isso tem uma larga experiência com crianças que têm limitações. Os pais também elogiam o trabalho realizado por ela. “A Duda teve um papel fundamental no desenvolvimento dela”, dizem.
Paula, sua professora atual, conta que trabalha de forma muito lúdica com Gabi e com objetos concretos, pois ela tem que pegar e sentir. O seu sensorial tem que ser muito trabalhado.
Além da escola, Gabriela continua em tratamento constante que ajuda em seu desenvolvimento. Ela faz fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e equoterapia. “Ela adora a égua Juju. Em poucos dias já estava montando sozinha. A equoterapia está sendo muito bom pra ela, pois além do equilíbrio, trabalha a fala e o relacionamento”, contam os pais.
Anderson diz que pretende colocá-la em algum esporte. “Não é porque é minha filha, mas eu a vejo muito linda e percebo que ela tem destreza física, ressaltando que a síndrome de Down normalmente dá uma flacidez. A Gabriela não tem isso, eu percebo que ela tem habilidade, muita capacidade e potencial para realizar algum esporte. É isso que tentamos mostrar para ela, para que possa desenvolver”.
Relacionamento
A convivência saudável com os irmãos e com outras crianças da família também é uma fórmula de estimular. “Ela convive com muitas crianças em nossa casa. Lá está sempre cheio, nossos sobrinhos vão sempre nos visitar, são muitas crianças que regulam com a idade da Gabí”, conta o pai.
A relação com os irmãos é muito boa. Eles reagiram muito bem quando descobriram que a irmãzinha tinha síndrome de down. Os pais dizem que só contaram sobre a síndrome para os irmãos, na época com sete e nove anos, quando ela já estava com cerca de dois meses e eles reagiram de forma natural. “Hoje a relação entre eles é normal, eles brincam e brigam muito. Ela dá ordem para os meninos, manda arrumar as coisas, lavar vasilha”, conta os pais entre risos.
Eles pontuam que a criação é a mesma que dá aos outros filhos. “Achamos que a melhor maneira é mostrar o mundo como ele é. A comida é a mesma, os passeios são os mesmos, a bronca, o castigo, tudo como sempre foi com os meninos. É tudo normal”, dizem.
Alessandra ressalta que quando coloca que tudo é normal, é claro que respeita o tempo e os limites da filha, só que eles não ficam presos às limitações. “Por exemplo, podem dizer, que criança com down não fala, lógico que fala, mas tem o seu tempo que é mais demorado”, diz.
O relacionamento da Gabí com os coleguinhas da escola também é ótimo. A professora diz que os alunos a adoram e já percebem que ela tem algumas limitações e sabem respeitá-la, mas brincam da mesma forma e ás vezes também tem alguns momentos de briga e desentendimento, o que é normal. “Ela é muito dócil, carinhosa, simpática e muito querida por todos”, conta.
O preconceito
Os pais dizem que pensam no sofrimento da filha em relação ao preconceito, mas quer criá-la para conseguir enfrentar isso, de um jeito forte e inteligente. Alessandra afirma que isso também é passado para os irmãos Artur e Eduardo, que estão sempre protegendo e defendendo a irmã. “
O pai diz que até hoje não passou por nenhuma situação de preconceito em relação á filha. “Pelo contrário, em todos os lugares que chegamos, ela é muito bem quista”, diz.
Ele acredita que o jeitinho da Gabí também contribua para isso. “Apesar de ser brava, ela é dócil, carinhosa e muito simpática. Além disso, é cômica, engraçada e adora tirar sarro. Olha para mim e me chama de mamãe ou titio, só para tirar sarro”, conta Anderson sorrindo.
“A gente quer que ela tenha uma vida sem limitações e estamos fazendo o possível para isso. Vamos ver até aonde ela vai. Não é o bicho de sete cabeças que pensamos que fosse. É fácil? Não, mas nem tudo é fácil, mas também não temos que fazer muita coisa diferente do que já é feito para qualquer criança. Existem as dificuldades, nós temos que saber lidar com ela, mas tem muita coisa boa”, finaliza Alessandra.
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