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Religião PADRE ROGÉRIO

O Padre do povo

O Padre do povo

17/07/2015 11h22
Por: Glaucia Melo Clark
O Padre do povo

Pároco da Igreja Nossa Senhora do Rosário, Padre Rogério, chegou em Sabará há cinco anos e desde então abraçou a comunidade.

Nascido em Ribeirão Vermelho, Minas Gerais, Rogério Messias que se tornou padre após os 40 anos veio de uma família festeira e trouxe isso para a vida religiosa. Sua família era carnavalesca, tinha inclusive um bloco na cidade, por isso cresceu em meio a muito alegria e também muito trabalho. Filho de pai padeiro, por um bom tempo seguiu o oficio do pai, aos 25 anos mudou para Belo Horizonte, onde trabalhou na Ceasa e após passar em um concurso atuou na área de saúde do Estado e também na Assembleia Legislativa de Minas. Foi lá, que o então funcionário público se engajou nos movimentos de Renovação Carismática Católica e se tornou coordenador da região de Nossa Senhora da Conceição em Belo Horizonte.

O envolvimento foi tamanho que ele chegou à conclusão que seria padre, a essa altura, Rogério já estava pronto para casar, inclusive com casa comprada, mas a vocação falou mais alto, “na verdade a gente tem um chamado de Deus quando criança, não fui porque era muito novo. Na adolescência não pensei nisso, depois ‘hora ou outra’, pensava em ir para o seminário, mas ainda não estava preparado, há um momento propício”, diz.

Este momento chegou quando começou a trabalhar a fundo na renovação, visitar igrejas e trabalhar com o povo, “ foi aí, que fui percebendo que eu me realizava mais fazendo trabalhos religiosos do que fazendo outras coisas”, conta. A entrada no seminário se deu através do Padre Lourival Felipe, da Paróquia Santo Antônio da Pampulha que o apresentou para Dom Serafim, o arcebispo que já conhecia seu trabalho e o caminho ficou mais fácil. Após ordenado trabalhou na Paróquia Dom Bosco, em Belo Horizonte e em seguida veio para Sabará.

Quando chegou à cidade, ficou um ano observando como funcionava a comunidade e as festividades religiosas, percebeu que todos os eventos ligados à Igreja Católica já tinham um estilo próprio, mas a Festa do Rosário ainda estava aberta, poderia sofrer modificações e ganhar mais atrativos, foi aí que Padre Rogério resolveu entrar de cabeça nas comemorações e junto com o povo transformou a festa nesse espetáculo que vemos hoje, “graças a Deus, hoje a festa tem um valor na altura que a Padroeira merece, acho que isso é muito importante”, diz.

A relação que Padre Rogério criou com Sabará é admirável. Ele diz que isso se deve ao seu jeito de ser, “tudo que eu pego para fazer, eu levo muito a sério, eu já tenho no meu coração que eu não vim para mudar e sim para somar com o povo naquilo que ele tem e que gosta. Eu não posso matar isso”, afirma. Ele cita que os festejos e ritos da Ordem Terceira do Carmo, da Irmandade Santíssimo Sacramento e outros são lindos, “eu tenho gosto para tudo, acho tudo bonito e acredito que cada coisa no seu lugar fica tudo muito bom”, diz.

Ele ressalta que o que vive em Sabará o deixa muito feliz por não entrar em uma rotina, “cada hora estou fazendo algo diferente, agora que o povo já acredita e compartilha o meu trabalho, está ainda melhor, porque o povo sabarense é festeiro”.

E o padre não fica apenas nas questões paroquiais. Em junho foi inaugurado no Centro Comunitário do bairro Adelmolândia o Ponto de Cultura “A Cor da Cultura” que será coordenado por ele.

Padre Rogério diz que se tiver que deixar Sabará levará muitas coisas de nossa cidade, uma delas é como esse povo o acolheu, “fui acolhido com muito carinho pela Ordem Terceira do Carmo, inclusive já tenho até uma vaga no cemitério do Carmo. Na Igreja das Mercês também sou bem acolhido pelas pessoas que frequentam”. Além disso, cita as mucamas da festa do Rosário, os reis e rainhas que mudam a cada ano, as pessoas que trabalham em cada igreja voluntariamente, aquelas que se dedicam à música e a Igreja São Francisco. Mas ele ressalta que o que vai levar, “sem precisar fechar os olhos para ver”, é o cortejo da procissão de Nossa Senhora do Rosário, “porque nele nós conseguimos colocar todas as diferenças, não só de igrejas, é um encontro ecumênico, mas além de ter pessoas ligadas a vários tipos e religião tem aqueles que nem estão ligados à religião, que é da sociedade civil, isso me encanta, porque as pessoas também não vão obrigadas, elas vão felizes”, diz

O pároco afirma que a função do padre é visitar e atender o enfermo, visitar aqueles necessitados, estar presente nos momentos tristes, mas também nos felizes, “ não podemos ser taxados como aqueles que chega e o povo começa a chorar, não! O padre chegou o povo tem que sorrir também, cantar, dançar e se alegrar. Acho que é muito importante dentro dos critérios possíveis o padre estar junto com a comunidade”, afirma.

Para finalizar, padre Rogério diz: “quando Deus tem um propósito para você, não tem como, por mais que você fuja, talvez eu tenha fugido na juventude, você segue esse propósito. Eu segui e hoje me realizo, sou uma pessoa muito feliz”.

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