Na sexta-feira, 6, a Avenida Vitor Fantini ficou cerca de uma hora e meia bloqueada, após manifestantes fecharem a rua com pneus e atearem fogo. Eles protestavam contra a Prefeitura que os retiraram de uma área invadida no bairro Bela Vista.
Os manifestantes são em sua maioria moradores dos bairros Córrego da Ilha, Morro da Cruz e Bela Vista. De acordo com Manoel Rocha, um dos líderes do protesto, a área invadida é particular e estaria abandonada há vários anos. O manifestante diz que o terreno é improdutivo e está praticamente abandonado pela proprietária. Segundo ele, a invasão foi feita por pessoas necessitadas, que não possuem casa própria.
A ocupação do terreno começou na terça-feira, 3, no mesmo dia o secretário de Meio Ambiente, Cleber Ignus, compareceu ao local com funcionários da prefeitura para a retirada do material que cercava o terreno, como arames e mourões, que já faziam divisões de vários lotes.
De acordo com os manifestantes, o secretário fez um cadastro daquelas famílias que estavam no local e disse que a situação seria negociada. Algumas famílias acreditaram que possivelmente o terreno invadido poderia ser negociado e que eles teriam direito sobre ele.
A invasão continuou e na sexta-feira, 6, o secretário voltou ao local para dar continuidade ao trabalho, os moradores se revoltaram com a situação e resolveram bloquear a Avenida Vitor Fantini colocando fogo em pneus.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Cleber Ignus, a Prefeitura está agindo dentro da lei. Em relação ao cadastro, Ignus diz que o cadastro feito com os manifestantes foi para fazer um encaminhamento para a Secretaria de Desenvolvimento Social, direcionando as pessoas para os programas sociais de moradia e não para que aquelas pessoas continuassem no terreno.
O secretário afirmou que foi conversado com os manifestantes para que um deles ficasse responsável por organizar este cadastro e levar a relação à Secretaria, mas a lista enviada tinha quase 300 pessoas cadastradas, enquanto a primeira havia cerca de 50. Ele acredita que foi vendida a ideia que eles tomariam posse do terreno.
Ainda na sexta-feira, Cleber Ignus se reuniu com três representantes do movimento, eles marcaram uma nova reunião com outros integrantes do poder público para a quarta-feira da semana seguinte. O secretário pediu para que durante esse período eles parassem com a invasão, apesar disso durante o final de semana a invasão continuou e os integrantes do movimento chegaram a construir vários barracos no local.
Na terça-feira, 10, o secretário de Meio Ambiente acompanhado pela Policia Militar voltou à área invadida. No local já havia alguns barracos de alvenaria e muitos de lona. Nossa equipe entrou em algumas construções, todas com apenas um cômodo. Em um dos barracos conhecemos Juliana, 19, mãe de quatro filhos e a espera do quinto. Ela afirma que morava próximo à área invadida, mas o marido perdeu o emprego e eles não têm condições de pagar o aluguel, por isso resolveram invadir o terreno.
Com a chegada da Policia Militar os próprios manifestantes cercaram a área impedindo que qualquer trabalho da Secretaria fosse realizado, o objetivo do secretário era retirar todos os barracos do local como forma de evitar o crescimento desordenado da cidade, o que aconteceu em Sabará durantes anos e acarreta sérios problemas ao município. Como não havia um mandado a Polícia Militar decidiu não confrontar com os invasores, o que poderia gerar muitos transtornos.
Segundo Manoel Rocha, um dos líderes do movimento, até que os proprietários se manifestem, eles continuarão no terreno.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, ficou decidido que o caso será resolvido pelos proprietários do terreno. Ele afirma que os responsáveis já estão tomando providências para solicitar à justiça um mandado de segurança para reintegração de posse. Após receber o pedido o juiz terá até cinco dias para tomar providências.
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