A Prefeitura de Belo Horizonte ampliou, desde 22 de abril, a vacinação contra a hepatite A para públicos específicos, em resposta ao expressivo aumento de casos da doença na capital mineira. A medida segue recomendação do Ministério da Saúde e tem como objetivo conter o surto que vem se desenhando desde o fim de 2023.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, 95 pessoas foram diagnosticadas com hepatite A entre janeiro e abril de 2025, representando um aumento de 265% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 26 casos. A região Centro-Sul de BH é a que apresenta maior incidência, com destaque para homens entre 20 e 49 anos.
“É um cenário de surto, e ainda não sabemos o que pode ter motivado esse aumento. Essa crescente tem ocorrido de forma expressiva desde o fim de 2023. Isso tem mobilizado a secretaria, que já notificou o Governo do Estado e o Ministério da Saúde para investigar a causa”, afirma Hoberdan Oliveira, gerente de Vigilância Epidemiológica.
Com a ampliação, dois grupos específicos passaram a receber a imunização:
Essas pessoas devem ser vacinadas independentemente de contato com infectados.
No SUS, a vacina será ofertada preferencialmente no Serviço de Atenção Especializada (SAE) onde o paciente faz acompanhamento.
Na rede privada ou atenção primária, a vacina será aplicada no local onde a PrEP é retirada.
Equipes da Secretaria Municipal de Saúde estão entrando em contato com pessoas próximas aos casos positivos para avaliar a necessidade da vacina. A aplicação é feita após contato prévio e triagem da equipe de vigilância.
O esquema vacinal pode variar entre uma ou duas doses, conforme a condição de saúde e o histórico vacinal da pessoa. A Prefeitura disponibilizou 3 mil doses para esse público em unidades de saúde específicas.
A hepatite A é uma infecção viral que causa inflamação no fígado. A transmissão acontece principalmente por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes, mas também pode ocorrer por contato direto com pessoas infectadas, inclusive em relações sexuais.
“Uma pessoa com a doença na fase aguda pode eliminar o vírus pelas fezes e contaminar superfícies. Se outra pessoa tocar esses locais e levar a mão à boca, pode se infectar. Há ainda o risco por alimentos e água de procedência duvidosa”, explica o infectologista Adelino de Melo Freire Junior, da Sociedade Mineira de Infectologia.
A doença pode ser assintomática ou apresentar sintomas inespecíficos. Entre os principais sinais estão:
Fadiga e mal-estar
Febre baixa e dores no corpo
Náusea, vômitos e dor abdominal
Constipação ou diarreia
Os sintomas costumam surgir entre 15 e 50 dias após o contágio e, em média, duram dois meses.
Além da vacinação de rotina infantil — com dose única aplicada aos 15 meses de idade — a vacina também é oferecida no CRIE (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais) para pessoas com condições específicas, como:
Doenças no fígado (hepatopatias crônicas)
Pessoas com HIV ou imunossuprimidas
Portadores de fibrose cística, coagulopatias e trissomias
Candidatos e doadores de transplante
Hemoglobinopatias e outras doenças raras
Em números:
2023: 8 casos confirmados
2024: 176 casos
2025 (até abril): 95 casos
A tendência de crescimento segue em 2025, e as autoridades de saúde reforçam a importância da prevenção, vacinação e diagnóstico precoce.
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