Segundo Instituto Nacional de Câncer (Inca), 2014 deve fechar com 68.800 novos casos de câncer de próstata no Brasil
Acaba o Outubro Rosa, inicia-se o Novembro Azul, mês de envolver a comunidade médica e toda a sociedade na conscientização dos riscos do câncer de próstata. É a hora mudar os hábitos dos homens brasileiros em relação aos cuidados com a própria saúde e derrubar aspectos culturais que ainda emperram o combate à doença. Segundo o oncologista e presidente do conselho administrativo da rede Oncoclínicas do Brasil, Bruno Ferrari, é a oportunidade de discutir essa luta e divulgar conhecimentos sobre um dos males que mais mata no mundo, buscando ainda debater sobre os progressos e desafios da medicina nessa área.
Conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), 2014 deve fechar com 68.800 novos casos de câncer de próstata no Brasil; em 2011, 13.129 homens morreram por causa da doença. No país, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres; cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.
As taxas de incidência no Brasil vêm aumentando nas últimas décadas, o que pode ser justificado, segundo Bruno Ferrari, pela evolução dos métodos diagnósticos (mais pessoas estão fazendo os exames necessários e estão sendo mais diagnosticadas), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação (a divulgação de campanhas como o Novembro Azul é um exemplo) e pelo aumento na expectativa de vida da população.
?No câncer de próstata, assim como em qualquer tipo de carcinoma, a detecção precoce é crucial para elevar as chances de cura. O problema é que os homens ainda têm resistência em procurar um urologista para o diagnóstico mais ágil e fazer os exames necessários, como o do ?toque retal?, que muitas vezes é motivo de piadas e constrangimento entre os homens?, revela. Isso complica o fato de que, na fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, os ignoram achando que uma dificuldade de urinar ou a necessidade de ir ao banheiro várias vezes não significa nada demais. Já na fase avançada, o tumor pode provocar dor óssea, sintomas urinários e até infecção generalizada ou insuficiência renal.
O especialista salienta que, quando um tumor é detectado, o paciente será encaminhado a um uro-oncologista para a definição do melhor tratamento, de forma individualizada. Cirurgia, radioterapia, tratamento hormonal ou quaisquer outros métodos serão prescritos pelo médico após debater as estratégias com o paciente.
Nas últimas décadas, a medicina uro-oncológica conseguiu muitos avanços no tratamento do câncer de próstata, a exemplo da cirurgia robótica, que já é a mais utilizada nos Estados Unidos, desde 2008. Mas, no Brasil, os insumos ainda emperram a disseminação e o acesso a essa técnica mais moderna e com menos traumas ao paciente. No entanto, o fato de já ser ministrada aqui no país e difundida entre a comunidade médica, é motivo de esperança para novos tratamentos.
?O simples fato de as autoridades de saúde brasileiras dedicarem um mês inteiro para chamar atenção ao câncer de próstata nos dá conforto e a confiança de que uma mudança de mentalidade e de paradigmas da sociedade começa a amadurecer?, analisa Ferrari.
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