Projeto do senador Rogério Carvalho (PT-SE) propõe o reconhecimento dos Bacamarteiros como manifestação da cultura nacional. Os Bacamarteiros são grupos de indivíduos que, munidos de indumentária própria e armados com bacamartes (espécie de espingarda de cano curto e largo), realizam apresentações cênicas e formam um dos folguedos mais tradicionais em algumas cidades do Nordeste.
O PL 3.044/2024 valoriza as exibições dos Bacamarteiros, espetáculo folclórico que envolve os disparo de bacamartes com pólvora seca, danças, música e uma série de rituais que evocam a história e a cultura locais.
“Os trajes típicos, ricamente ornamentados e os movimentos coreografados resistem ao passar do tempo e fomentam um sentimento de orgulho e valorização das raízes de nosso povo”, destaca o senador na justificação da proposta.
Expressão de resistência cultural e de valorização das tradições ancestrais, a tradição dos Bacamarteiros está presente especialmente nas cidades sergipanas de Capela, Carmópolis, Japaratuba e General Maynard, todas localizadas no Vale do Cotinguiba.
Pesquisas indicam que os batalhões dos Bacamarteiros provavelmente se originaram por volta de 1780, nos engenhos de cana de açúcar do Vale do Cotinguiba, em Sergipe. Nesse período, pessoas negras escravizadas realizavam sambas-de-roda como forma de resistência, utilizando instrumentos de percussão e intercalando as apresentações com disparos de tiros, em homenagem aos santos das festas juninas.
O Grupo Folclórico Batalhão de Bacamarteiros de Aguada, de Carmópolis (SE), já foi reconhecido como patrimônio imaterial sergipano. “No entanto, para além disso, é necessário um reconhecimento em âmbito nacional para assegurar a proteção e a promoção dessa importante tradição cultural”, diz o texto do projeto.
“Assim, fazemos justiça à tradição dos Bacamarteiros ao promovermos o devido reconhecimento como manifestação da cultura nacional. Valorizar os Bacamarteiros não é apenas honrar o nosso passado, mas também garantir que essa riqueza cultural do nosso País continue a ser uma fonte de orgulho e inspiração para as futuras gerações”, diz o autor.
Olimpio Bonald Neto, autor do livroBacamarte, Pólvora e Povo, destaca a riqueza dessa expressão cultural cunhada como “esporte sertanejo”. O pesquisador define o bacamarteiro como a “representação simbólica do cangaceiro, a figura sublimada do guerrilheiro das caatingas com todo o seu conteúdo místico e aventureiro que se expande e se reafirma pacificamente, gastando as tendências agressivas de modo inofensivo, aplicando de forma artística, os excessos aguerridos, na figura folclórica do atirador espetaculoso”.
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