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Saúde ALZHEIMER:

A triste realidade do esquecimento

A triste realidade do esquecimento

19/03/2015 10h50
Por: Glaucia Melo Clark
A triste realidade do esquecimento

No início a pessoa esquece onde guardou as chaves, depois o fogão ligado. Com o tempo o esquecimento atinge o nome de parentes e a pessoa pode deixar de fazer coisas que aprendeu ao longo da vida, como tomar banho e se alimentar. Assim é o Alzheimer, uma doença incurável que atinge principalmente os idosos.

De acordo com a Dra. Márcia Maria da Silva, a genética influência muito na probabilidade de uma pessoa desenvolver essa doença, mas ainda há muitos estudos em relação às causas do Alzheimer. ?O desenvolvimento cognitivo ajuda na prevenção, ou seja, o desenvolvimento intelectual diminui as chances de Alzheimer e às pessoas com menor escolaridade tem mais propensão para desenvolver a doença. Além disso, atividades físicas e uma alimentação saudável também influência muito na prevenção?, explica Dra. Márcia Maria da Silva.

A médica trabalha há dez meses no Abrigo Irmã Tereza e diz que há medicamentos que podem retardar os sintomas da doença. ?A primeira coisa a ser feita pela família é procurar ajuda médica para poder se orientar. Apesar de ser uma doença com bastante repercussão, um bate papo com um médico ajuda muito mais. As famílias precisam reaprender a lidar com o idoso e quando há a instrução de um médico isso fica muito mais fácil?, orienta.

O Alzheimer se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família. No princípio a pessoa vai perdendo as memórias recentes e depois fica apática, perdendo o interesse pelas atividades do dia a dia.

Para Cláudia Moreira Penna, coordenadora do Abrigo Irmã Tereza, essa é uma doença que exige principalmente paciência e amor dos familiares com os doentes. ?As famílias geralmente não têm informações sobre a doença e por isso não tem paciência. Além disso, existe a dificuldade de ter que trabalhar fora e não tem onde deixar o idoso. Infelizmente, muitas vezes as famílias também não querem buscar o conhecimento?, diz Cláudia.

Ela conta que das 21 idosas do asilo, dez desenvolveram a doença. Como a maioria delas são acamadas, cuidar desses pacientes é ainda mais difícil. ?De todas as experiências que já vivenciei no abrigo, a demência é uma das mais tristes. A pessoa muitas vezes se esquece dos fatos mais atuais, o que dificulta muito nossa rotina. A pessoa vai perdendo a noção do que fala e faz, por isso é um desafio compreendê-las. Há também momentos de lucidez e o idoso quer ir embora e encontrar a família. A partir do momento que elas chegam, já fazem parte da família Abrigo Irmã Tereza e nós vivenciamos suas alegrias e tristezas. Nós sempre nos emocionamos com suas histórias e aprendemos muito?, afirma a coordenadora.

Lampejos de memória

Ivete Alves Andrade, de 76 anos, é uma das idosas com a doença de Alzheimer no Abrigo Irmã Tereza. Durante um bate papo com a Dra. Márcia a idosa se lembrou do nome dos pais, irmãos e da cidade onde nasceu, mas encontrou dificuldades para falar do que comeu no café da manhã.

Natural de Minduri, MG, ela está desde junho do ano passado no asilo e vem se adaptando bem. Simpática, ela disse que gosta de ver televisão com programas alegres, principalmente os com apresentações musicais. Durante a conversa a médica fez um pequeno teste com a idosa.

Dra. Márcia pediu que ela dissesse qual era sua fruta preferida. Ivete afirmou que gostava de pêra e a médica solicitou que ela memorizasse a seguinte sequência: pêra, maçã e banana. Atenta, Ivete repetiu os nomes das frutas, mas alguns segundos depois quando foi questionada sobre o que havia conversado com a médica ela já não se lembrava mais.

?Estou com a memória fraca e me esqueço das coisas facilmente. Eu percebo isso há muito tempo, mas não me atrapalha porque sou bem espirituosa?, disse a idosa sorrindo.

Infelizmente, esse é só um pequeno exemplo de como o Alzheimer pode afetar a vida de uma pessoa. Por isso, é importante que todos busquem uma vida saudável com alimentação balanceada e atividades físicas frequentes para que casos como o de Ivete não se intensifiquem.

A coordenadora Cláudia explica que a casa precisa da colaboração dos familiares dos idosos e de voluntários, o que não vem acontecendo. ?São raras as famílias que fazem o trabalho junto conosco. O afastamento da família nos casos de Alzheimer é ainda maior. Uma visita para uma simples conversa nos ajudaria muito?, conclui. Os interessados em ajudar podem entrar em contato com o Abrigo Irmã Teresa através do telefone 3672-6030. A casa está situada na Rua Padre Nico, 157, Córrego da Ilha.

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