A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) promoverá nesta quarta-feira (22), às 11h, a segunda audiência pública sobre o acesso aos resultados de testes e ensaios clínicos prévios à aprovação de remédios pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As normas em vigor há 22 anos permitem que esses dados sejam consultados e posteriormente utilizados, principalmente por fabricantes de medicamentos genéricos, sem a necessidade de realização de ensaios próprios.
Em termos técnicos, o requerimento para a audiência ( REQ 27/2023 ), de autoria do senador Izalci Lucas (PL-DF), propõe discutir a Proteção Regulatória do Dossiê de Testes (PRDT) para produtos farmacêuticos destinados ao uso humano. Segundo o parlamentar "a importância da PRDT na promoção da inovação foi reconhecida por mercados desenvolvidos e em desenvolvimento". Chile, México e Colômbia vedam o acesso aos dados por um período fixo de cinco anos. No caso da União Europeia, a exclusividade para as farmacêuticas que realizaram os ensaios (fases pré-clínica e clínica) é de 10 anos. Nos Estados Unidos, é de 5 a 12 anos.
No Brasil, embora os dados sejam de pronto disponibilizados, um laboratório só pode repetir a fórmula original depois da queda da patente do medicamento de referência, segundo informa o Conselho Federal de Farmácia (CFF)
De acordo com a justificativa de Izalci, a partir de 2002 começou a vigorar no Brasil a PRDT para produtos veterinários e agrícolas ( Lei 10.603, de 2002 ), tendo sido excluídos explicitamente os produtos para uso humano. Ele aponta que é de fundamental importância que o Senado discuta as consequências da adoção da PRDT, seus impactos e benefícios para pacientes, para as indústrias de genéricos e inovadoras, assim como para a economia brasileira.
Segundo um relatório da consultoria Copenhagen Economics, a PRDT para humanos no Brasil poderia aumentar em quase 40% a oferta de medicamentos inovadores lançados globalmente nos últimos cinco anos e favorecer as indústrias de genéricos e biossimilares. Por outro lado, estudos em outros países indicaram que o sigilo dos dados pode levar a um aumento de gastos nos tratamentos de saúde no curto prazo, que foram diluídos após o período de cinco a dez anos.
Na audiência anterior, em 15 de maio , os especialistas ouvidos pela CCT manifestaram preocupação com a possibilidade de o PRDT diminuir o acesso da população aos remédios genéricos, com a queda na participação das farmacêuticas nacionais no mercado e aumento dos preços dos medicamentos.
Foram convidados para o debate desta quarta Renato Porto, presidente-executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma); Jussanã Cristina de Abreu, chefe de posto de Gestão da Qualidade e Propriedade Intelectual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Marcela Vieira, assessora regional de Advocacy para América Latina da Organização Médicos Sem Fronteiras; Tiago de Moraes Vicente, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos); Ricardo Lobato Torres, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR); Laís Alves de Souza Bonilha, coordenadora da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep); e um representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Senado Federal Nanismo: audiência discute inclusão de medicamento para acondroplasia no SUS
Senado Federal Violência digital contra mulher também é crime; veja como denunciar
Senado Federal CAS analisa projeto que prevê ensino de primeiros socorros a estudantes
Senado Federal Guerra no Irã: MP reduz preço do diesel para conter alta do petróleo
Senado Federal CSP pode votar autorização para que estados legislem sobre direito penal
Senado Federal Interlegis lança guia de boas práticas ASG para o Legislativo Mín. 13° Máx. 25°
Mín. 13° Máx. 27°
Parcialmente nubladoMín. 14° Máx. 29°
Tempo limpo
CONVERSA DE ESQUINA SEJAMOS REALISTAS
COLUNA MG Forrageiras mostram alto desempenho no semiárido
SANDERS ROCHA Concessionária de energia pode adentrar no imóvel para realizar o corte sem o morador no local?
DIEGO LEONEL A Importância da Certificação Pró-Gestão para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) 
