Terça, 07 de Julho de 2026
(31) 991298046
Saúde URINA PRETA

Síndrome de Haff: mulheres são infectadas por doença causada pela toxina do peixe

A síndrome é também conhecida como doença da urina preta. As pacientes foram infectadas após ingerirem um peixe da espécie Arabaiana; saiba mais

24/02/2021 08h22
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: G1
REPRODUÇÃO G1
REPRODUÇÃO G1

Duas irmãs foram internadas em um hospital particular no Recife ao se sentirem mal e apresentarem dores, após comer peixe da espécie arabaiana. Segundo a família delas, os médicos confirmaram o diagnóstico de Síndrome de Haff, conhecida como "doença da urina preta" (veja vídeo acima). O governo de Pernambuco informou que investiga cinco casos dessa doença rara.

A empresária Flávia Andrade, de 36 anos, e a irmã dela, a médica veterinária Pryscila Andrade, de 31 anos, chegaram ao Hospital Português, no bairro do Paissandu, na área central da capital pernambucana, no dia 16 de fevereiro.

A internação ocorreu horas após almoço, que tinha no cardápio o peixe arabaiana, também conhecido como "olho de boi", de acordo com a mãe das pacientes, a empresária Betânia Andrade. O alimento foi comprado no bairro do Pina, na Zona Sul da capital.

"Flávia fez um almoço na última quinta-feira e convidou eu e Pryscila. Além de nós, tinha o filho de Flávia, de 4 anos, e duas secretárias. Os cinco comeram o peixe, menos eu. Quatro horas depois, Pryscila enrijeceu toda, teve cãibra dos pés até a cabeça e não conseguia andar. Meu neto, de madrugada, teve dores abdominais e diarreia, e as duas secretárias sentiram dores nas costas", disse.

 

Ainda de acordo com a mãe delas, o diagnóstico da doença de Haff foi informado pelo hospital no sábado (20), 48 horas após as duas filhas dela darem entrada na unidade.

 

"Flávia foi visitar Pryscila na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e escutou o médico conversando com outra pessoa sobre uma doença associada ao consumo de arabaiana. Ela interrompeu a conversa e contou que tinha comido, com a irmã, esse peixe. Foi quando ele diagnosticou a síndrome de Haff em Pryscila e encaminhou Flávia para fazer exames, sendo internada no quarto, pois ela não aceitou ir para a UTI", disse.

 

A mãe também contou que, nesta terça-feira (23), Flávia continua no quarto e Pryscila e permanece na UTI.

"Flávia está no apartamento, pois baixaram as taxas dela, como de leucócitos. Já as taxas de Pryscila continuam altas, pois ela comeu uma porção maior do peixe e está com o fígado comprometido, os rins paralisados e com água no pulmão", afirmou Betânia.

Procurado pelo G1, o Hospital Português afirmou que não tem "autorização da família para envio de boletim médico" sobre o estado de saúde das duas irmãs.

A mãe das duas pacientes fez um apelo para que informações sobre a doença sejam mais divulgadas para a população com o objetivo de evitar que casos assim voltem a acontecer.

“Essa é uma síndrome pouco conhecida, inclusive nos hospitais, é uma raridade. A fiscalização tem que bater em cima, pois estamos na Quaresma, quando se come muitos peixes e crustáceos. A população precisa ficar ciente que pode haver uma infecção”, relatou Betânia.

Casos da doença em Pernambuco

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que, no fim da tarde da segunda-feira (22), "foi notificada, pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) do Recife, de cinco casos de mialgia aguda, suspeitos para doença de Haff".

A pasta explicou que dá apoio técnico para a investigação epidemiológica conduzida pela secretaria municipal de Saúde do Recife.

"Após a notificação, a SES orientou sobre a investigação epidemiológica de todos aqueles que consumiram o alimento, assim como a coleta do referido insumo para encaminhamento ao Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE) para que sejam providenciadas as análises laboratoriais. A doença de Haff é caracterizada pela presença de toxina biológica presente em pescados", disse.

Ainda segundo a secretaria, Pernambuco registrou, entre 2017 e 2021, 15 casos da doença, sendo dez confirmados (quatro em 2017 e seis em 2020) e cinco em investigação (em 2021).

 

OUTRAS ESPÉCIES QUE NÃO DEVEM SER CONSUMIDAS

Além da espécie Arabaiana a doença de Haff  pode também estar associada ao com o consumo de outros ripos de peixes como: Mylossoma duriventre (pacu-manteiga), Colossoma macropomum (tambaqui) e Piaractus brachypomus (pirapitinga), peixes do norte da região amazônica.

 
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Sabará, MG
Atualizado às 00h55
15°
Tempo nublado

Mín. 13° Máx. 24°

15° Sensação
1.51 km/h Vento
84% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (08/07)

Mín. 13° Máx. 25°

Parcialmente nublado
Quinta (09/07)

Mín. 13° Máx. 27°

Parcialmente nublado
Anúncio
Anúncio
Ele1 - Criar site de notícias