Escrevo esta coluna como um torcedor apaixonado pelo Cruzeiro, mas também como alguém que não pode ignorar a realidade sombria que paira sobre o nosso clube de coração. O que testemunhamos recentemente, seja dentro ou fora de campo, é mais do que uma simples fase ruim - é uma falta de indignação interna que fere a alma do torcedor.
As sucessivas derrotas em pleno Mineirão são um eco triste das glórias que outrora brilharam com intensidade nas arquibancadas deste mítico estádio. Hoje, a luz do Cruzeiro parece ter diminuído drasticamente, deixando-nos à deriva em um mar revolto.
Uma das maiores feridas abertas tem sido a incapacidade de impor nosso jogo em casa. A Toca 3, antes um aliado das vitórias, agora parece mais um campo neutro (não nas arquibancadas e sim dentro das quatro linhas) onde as esperanças são adiadas. Com um aproveitamento pífio de 35,42% como mandante no Campeonato Brasileiro, estamos longe de ser uma ameaça para nossos adversários.
É impossível não culpar a gestão do clube por muitos dos nossos problemas. A carta branca de Ronaldo para Paulo André, seu fiel escudeiro na gestão do futebol, trazendo ou mantendo jogadores questionáveis que não conseguiram honrar o manto Celeste. Neris, Jussa, Machado, Paulo Victor, Helibelton Palácios e Mateus Vital são exemplos de jogadores deslocados da realidade em um time que merece mais. Pior ainda, eles continuam a ser escalados e a receber minutos de jogo, independentemente do treinador no comando, ignorando uma base talentosa que conquistou a Copa do Brasil sub-20.
A gestão também falhou na escolha dos treinadores. A saída de Pezzolano às vésperas do início do Brasileirão e a perda de comando de Pepa sobre os jogadores foram sintomas de uma gestão que parece não perceber a ruína interna diante de seus olhos. A contratação de Zé Ricardo, em um mercado de treinadores escassos, é um reflexo de desespero e falta de planejamento.
Outro erro crasso foi a falta de um estádio fixo para jogar. O Cruzeiro perambulou por Independência, Mineirão, Parque do Sabiá e Arena do Jacaré, minando nossa estabilidade e prejudicando o planejamento. A decisão de romper com o Mineirão sem um plano B claro demonstrou falta de visão estratégica.
À medida que o Brasileirão chega ao fim, enfrentamos a perspectiva de mais um rebaixamento. A diretoria parece ausente, enquanto o departamento de futebol pede calma. No entanto, a torcida exige ação e indignação diante do estado atual do clube.
É hora de mudar, não apenas para os torcedores, como Ronaldo sugeriu após a derrota contra o Flamengo, mas para os jogadores, o treinador e, principalmente, a diretoria. O Cruzeiro deve repensar suas decisões, da simples lista de relacionados para jogos aos onze titulares, é preciso enfrentar o status quo e buscar um caminho que nos leve de volta às vitórias.
Respeitem a história do Cruzeiro!
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