Casos de depressão, estresse e ansiedade aumentaram com o isolamento social
Com o surgimento da pandemia do novo coronavírus e as medidas de isolamento social para não propagar o vírus, houve uma mudança de hábito na vida das pessoas. A rotina foi alterada, o ir e vir ficou restrito, os encontros e bate-papos agora são pela tela do computador e aparelhos de celular. O uso de máscara no rosto se tornou obrigatório e nunca se vendeu tanto álcool em gel no mundo. Os especialistas em saúde definiram esse modo de viver como “novo normal”. Mas o confinamento trouxe outros problemas de saúde, como depressão, transtornos de ansiedade e estresse. As causas são diversas, instabilidade financeira, medo de contágio, morte e sentimento de solidão. Somente entre março e abril, um levantamento feito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 23 estados, mostra que os casos de depressão praticamente dobraram entre os entrevistados, enquanto as ocorrências de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80%, nesse período.
De acordo com o neurocientista e psicanalista Fabiano de Abreu, o Brasil foi nomeado em 2019 pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como o país mais ansioso do mundo. “Com a pandemia, a ansiedade aumentou, assim como os problemas de saúde mental e o número de suicídios, portanto, temos que usar este mês para refletir e dedicar ao impedimento dessas ações que não têm volta”, disse.
Em entrevista exclusiva a Folha de Sabará, Fabiano explicou que a ansiedade leva ao estresse e esses fatores a disfunções neuronais que resultam em depressão e fazem com que o doente perca a razão e cometa atos impulsivos ou impensáveis. Ressaltou a importância de quem convive com o depressivo estar atento ao comportamento do doente. “Depressão quando grave, é necessário o uso de medicamentos para controlar ou aumentar a produção dos neurotransmissores que são mensageiros químicos que controlam o humor e as emoções”, finalizou.
Dicas para cuidar da saúde mental
O especialista recomenda praticar exercícios físicos, ter boa alimentação, dormir 8 horas por noite, ler livros, dedicar à família, buscar metas de curto prazo que dê prazer e dedicar mais o tempo para aprimorar o conhecimento. Para o Fabiano de Abreu essas práticas resultam em uma plasticidade cerebral que ajuda na produção desses neurotransmissores, que ele chama de “mensageiros da vida”.
A campanha
A campanha Setembro Amarelo foi criada em 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM). O objetivo é conscientizar a população sobre os fatores de risco para o comportamento suicida e orientar para o tratamento adequado dos transtornos mentais. Segundo dados da ABP são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais.
CAPS SABARÁ
Se o sabarense tiver precisando de atendimento com um psiquiatra, o primeiro passo é procurar uma UBS mais próxima da sua casa e fazer uma avaliação com um clínico geral, o médico fará o encaminhamento para o CAPS.
Já aqueles que precisarem de atendimento de urgência ligue 3672-9855. Este telefone é para atendimento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e a pessoa receberá o atendimento e terá todo o acolhimento necessário.
O CAPS está localizado na Av. Prefeito Serafim Motta Barros, 145 - Centro - Sabará. Funciona das 7h às 17h.
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