Com 11 votos a favor e 1 abstenção, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) aprovou nesta quinta-feira (17) o nome de Gustavo Rocha de Menezes para o cargo de embaixador em Myanmar. O parecer sobre a Mensagem 55/2023 foi emitido pelo senador Mauro Carvalho Junior (União-MT) e seguiu para votação final no Plenário.
As relações diplomáticas entre o Brasil e Myanmar foram iniciadas em 1982. A única embaixada myanmarense na América do Sul é localizada em Brasília e está em atividade desde 1996. Atualmente, estão em vigor acordos bilaterais nas áreas de cooperação técnica e isenção de vistos. Entre 2013 e 2016, por exemplo, o governo brasileiro prestou treinamento para especialistas myanmarenses acerca da produção de soro antiofídico, por meio do Instituto Butantan.
Localizada no sudeste asiático, a República da União de Myanmar segue um sistema de governo presidencialista. O território tornou-se independente do Reino Unido em 1948 e, hoje, tem 54,2 milhões de habitantes. Na véspera da posse do novo Parlamento, em fevereiro de 2021, o então presidente Win Myint foi detido junto a outras autoridades. Desde então, foi instalado um regime militar que segue no poder.
O presidente da CRE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), indagou de que maneira o cenário de instabilidade política registrado em Myanmar abalou as relações do país com o Brasil.
O diplomata respondeu que Myanmar está localizado em região estratégica, em termos de comércio e produção, para a qual o Brasil mantém interesse firme.
— A instabilidade política acaba resultando em impacto na relação bilaterial, é claro. Mas o investimento diplomático que mantemos, de cerca de 40 anos, não se perde. Temos de olhar para o passado, ver o que já construímos, e para o futuro, no sentido de sabermos as chances de recuperação daquele país, para que ele não se torne menos interessante para as nossas relações.
Gustavo Rocha de Menezes nasceu no Rio de Janeiro em 1967. Formou-se em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1988 e concluiu o mestrado em relações internacionais em 1990. Ele ingressou no Instituto Rio Branco em 1994 e iniciou a carreira diplomática em 1995. Entre 2021 e 2022, chefiou o gabinete do então ministro da Saúde Marcelo Queiroga. Em 2022, o diplomata foi promovido a ministro de primeira classe.

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