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Usuários da linha BH-Sabará reclamam de motoristas

Usuários da linha BH-Sabará reclamam de motoristas

15/05/2018 10h39
Por: Glaucia Melo Clark
Usuários da linha BH-Sabará reclamam de motoristas

Pernas, ombros, quadril e braços roxos, além de muita dor e uma madrugada inteira no hospital. Este é o resultado de uma queda do ônibus, após o motorista arrancar o veículo, enquanto a aposentada de 72 anos Edite Madalena Coelho descia da condução. A senhora estava na linha 4988 que faz Sabará- Belo Horizonte e o acidente aconteceu em Sabará, quando a senhora chegava em casa.

Edite conta que a sobrinha que estava com ela pediu para o motorista levá-la para o hospital. O motorista foi com a senhora até o ponto final, lá ela esperou por um bom tempo e finalmente foi encaminhada para a UPA. Quando chegou a UPA, segundo ela, tinha cerca de 200 pessoas para serem atendidas. Então, ela desistiu e resolveu ir para Belo Horizonte e ser atendida pelo Plano de Saúde. Essa maratona foi até cinco e meia da manhã, o acidente aconteceu por volta das 16h. “Passei a madrugada inteira fazendo exames e sentindo muita dor”, diz.

Uma semana após a queda, Dona Edite ainda sente dor, as marcas estão bem visíveis no corpo e ela ainda está sendo medicada. A aposentada conta que cerca de três dias depois um funcionário da Cisne ligou perguntando se era preciso comprar algum remédio ou se houve gastos para o tratamento. Ela disse que o marido havia gasto cem reais com gasolina para ser atendida em Belo Horizonte, já que ela teve que ser encaminhada para o Hospital do Barreiro e ainda tinha o valor dos remédios, mas como ela não havia pegado recibo, a empresa disse que não teria como ressarci-la.

A cuidadora de idoso, Maria da Conceição Gomes, 68, também passou por uma situação parecida. Ela diz que quando estava descendo do ônibus, o motorista fechou a porta e seu braço e sua perna ficaram presos. “Ele chegou a andar com o ônibus e eu fiquei pendurada, meu marido que já tinha descido, me segurou do lado de fora”, conta. O motorista só parou o veículo depois que os passageiros e a própria cuidadora pediram.

Maria da Conceição não chegou a ir para o hospital, mas disse que sentiu muita dor na hora e o motorista simplesmente pediu desculpas. “Ele nem perguntou se eu tinha machucado ou estava bem, só pediu desculpas. Assim é muito fácil, né?”, diz indignada.

As senhoras acreditam que a falta de cobrador nos ônibus contribui para que acidentes desse tipo aconteçam. E pedem para que os motoristas trabalhem com mais atenção, principalmente na hora do embarque e desembarque dos passageiros. Elas reclamam ainda que os idosos não têm o respeito por parte de alguns motoristas. “Já cansei de ouvir motorista chamar os idosos de ‘pé na cova’, reclamando que a gente entra em um ponto e desce no outro”, contou Maria da Conceição.

Viação Cisne

José Magno da Silva é o responsável pelo treinamento dos motoristas da empresa e também mantém a relação com os usuários. Em relação ao acidente ocorrido com a aposentada Edite Madalena ele diz que a empresa prestou todo o atendimento necessário, mas ficou difícil de ressarci-la, pois ela não apresentou nenhuma nota. Neste caso, ele alerta que é importante que o passageiro apresente notas e recibos, para que fique registrado e contabilizado na empresa.

Já no caso da cuidadora de idosos, Maria da Conceição, a empresa diz que a ocorrência não foi registrada, mas a empresa tomou conhecimento e conversou com o motorista que disse que ofereceu ajuda, mas a passageira afirmou que não precisava. O presidente da Viação Cisne, Hélio Marques, ressalta que nos dois casos os motoristas foram aconselhados e orientados.

Hélio Marques ressaltou a importância de registrar qualquer acidente ou incidente ocorrido nos ônibus. Pode fazer inclusive um boletim de ocorrência. Pois a partir desse momento, certificando o que aconteceu, a Cisne assume todas as responsabilidades, passando, inclusive, orientações sobre o seguro DPVAT. “Nós não temos problema em assumir responsabilidade que é nossa, geralmente vamos ao cartório e registramos o compromisso com a pessoa e liquidamos o problema, mas a pessoa (o usuário) pode facilitar o contato”, destaca o presidente.

José Magno diz ainda que os motoristas passam por treinamento de atendimento ao cliente a cada seis meses. Segundo ele, a empresa mostra para os funcionários que o passageiro é responsabilidade dele a partir do momento que este entra no ônibus até a hora que ele desce, por isso é muito importante a paciência, tranqüilidade e muita atenção.

Além disso, Magno destaca que a Cisne conta com um equipamento que monitora os motoristas em todas as viagens registrando desde a velocidade do veículo até uma freada mais brusca. Por ali, a empresa tem o controle do desempenho de todos os motoristas.

De acordo com o levantamento registrado por este aparelho, 95% dos motoristas apresentaram durante este ano 70% ou mais de aproveitamento. Segundo dados da empresa, pelo menos 15 mil pessoas são transportadas por dia nos carros da Cisne.

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