Há exatos 100 anos, quando Sabará ainda comemorava seus 206 anos de elevação a Vila, três jovens e audaciosos engenheiros escolheram a cidade para a concretização de um sonho: a criação de uma Usina Siderúrgica.
Amaro Lanari, Christiano Guimarães e Gil Guatimosin, recém-formados da Escola de Minas de Ouro Preto, resolveram criar, juntamente com outros pioneiros como o banqueiro e comerciante Sebastião Augusto de Lima e o industrial Américo Teixeira Guimarães – a Companhia Siderúrgica Mineira, surgia ali, o embrião da Belgo-Mineira, mudando para sempre a história de nosso município.
As primeiras décadas do século XX foram de avanços para a siderurgia brasileira, impulsionados pelo surto industrial verificado entre 1917 e 1930, a Companhia Siderúrgica Mineira foi a mais importante criação da indústria desse ramo no país naquele momento, e certamente a principal e mais importante transformação de Sabará no século XX.
Primeiros passos
O projeto era ambicioso: construir um alto-forno com capacidade para produzir 25 toneladas/dia de ferro gusa – seria o maior até então do Brasil e da América Latina. Muitas dificuldades na implementação do projeto, em plena Primeira Guerra Mundial, levaram ao atraso de sua conclusão.
O sonho dos jovens engenheiros estava difícil de concretizar em uma realidade satisfatória. O custo para a implantação da usina ficou bem acima do previsto, a produção prevista não estava sendo obtida, a concorrência com produtos estrangeiros era alta e empresa estava endividada.
Visita do Rei
Em 1920, a jovem capital mineira recebeu a ilustre visita do casal real belga Alberto I e Elizabeth. A realeza ficou apenas dois dias em Belo Horizonte e nem passou perto de Sabará, mas essa visita foi fundamental para a história de nossa cidade.
Na ocasião o então presidente do Estado de Minas Gerais, Artur Bernardes, solicitou ao Rei que sugerisse aos industriais e capitalistas belgas que colaborassem com a criação de uma usina siderúrgica no Brasil.
Retornando à Bélgica o Rei conversou com um dos seus conselheiros econômicos Gaston Barbanson que já tinha experiência no assunto e era um dos dirigentes da ARBED – Aciéres Réunies de Burbach-Eich-Dudelang- poderosa holding de um conglomerado de indústrias siderúrgicas belgo-luxebursguesa. Barbason agiu rápido e reuniu um grupo de empresários luxemburgueses, francês e belgas, criando uma comissão, encarregada de fazer um estudo no Brasil para criação de uma usina siderúrgica.
Em outubro de 1920 a comissão visitou Minas Gerais, já ciente que aqui as terras eram férteis em jazidas de minério de ferro. Barbason chegou alguns meses depois.
Em 3 de fevereiro de 1921 foi firmado um acordo com a Companhia Siderúrgica Mineira, nascia assim a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira. O capital foi aumentado de forma extraordinária. As instalações em Sabará também cresceram e foi criada uma moderna usina em João Monlevade.
Vida Nova
Os seis primeiros anos da Belgo Mineira, apesar dos investimentos, não foram fáceis. Em 1925, a Belgo se transformou na primeira usina integrada da America do Sul, mas ainda havia dificuldades. A história começou a mudar com a chegada do engenheiro luxemburguês Louis Ensch, em 1927. O novo presidente da empresa conseguiu em pouco tempo equilibrar a situação financeira da Companhia, regularizou os suprimentos de matéria prima e aumentou a produção. Contratou novos engenheiros vindos da França e de Luxemburgo, entre eles, Albert Scharlé. Contou também com a ajuda de sabarenses, como Antonio de Lima Géo, proprietário de um armazém na cidade que prontificou-se a continuar fornecendo carvão para a siderúrgica e alimentos para os funcionários.
Louis Ensch foi sem dúvida o homem mais importante na história da Companhia sendo reconhecido em todo país como um grande empreendedor e uma pessoa humana que se preocupava com o bem estar de seus funcionários.
Foi em sua gestão que durou 25 anos que sabarenses, funcionários ou não, ganharam muito. “Ele fez uma revolução, foi um homem visionário. Com ele a Belgo começou a produzir cada vez mais e ganhou o mercado nacional ”, conta Celso Pyramo que trabalhou na empresa por 24 anos e conhece muito da história da Usina.
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