Os números da pesquisa revelam taxa de 54,3 mortes para cada 100 mil habitantes. Segundo Comandante do 61º Batalhão da PM de Sabará, falta de punição contribui para o alto índice.
No dia 6 de junho foi divulgado o resultado do Atlas da Violência 2017, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo analisa os números e as taxas de homicídio no país entre 2005 e 2015 e detalha os dados por regiões, Unidades da Federação e municípios com mais de 100 mil habitantes.
O levantamento aponta Sabará como a terceira cidade mais violenta do Estado, registrando 54,3 assassinatos e mortes violentas com causa indeterminadas, para cada 100 mil habitantes. Em primeiro e segundo lugar aparece Betim, com 65,2 óbitos e Vespasiano que registrou 56,5, respectivamente.
De acordo com o Comandante do 61º Batalhão da Policia Militar de Sabará, Tenente-Coronel Mauro Lúcio, a criminalidade tem caído no município.
Segundo o comandante, o que os números do estudo revelam são espantosos, mas existem alguns fatores que contribuem para essa realidade e devem ser ressaltados. Ele afirma que em 2015 a Policia Militar atendeu em Minas 2 milhões de ocorrências, conduziu para delegacia 297 mil pessoas. Dessas pessoas, apenas 1% chegaram ao processo final, ou seja, foram presas ou absolvidas, após um julgamento. O comandante destaca este ponto como um dos motivos para a alta da criminalidade, ou seja, a falta de punição, o que demonstra uma falha do judiciário.
Outro problema causador da criminalidade são os indicadores sociais em declínio nos últimos anos. Grande parte da sociedade brasileira está empobrecendo nos últimos anos, o que também favorece o crescimento da violência.
Focando no ano de 2015 e 2016, quando teve um aumento da criminalidade em Sabará, o comandante afirma que nesse período a Polícia Militar em todo estado estava com uma estrutura deficitária, tanto na parte logística quanto no efetivo. A PM sofria com problemas nas viaturas e também com militares.
A partir de 2016, segundo ele, a Polícia Militar do estado recebeu reforços. Para a área que o 61º Batalhão atende que inclui Sabará, Caeté, Nova União e Taquaraçu de Minas foram enviadas 27 viaturas, sendo que a maioria ficou em Sabará. “Dessa forma conseguimos ocupar os espaços onde a criminalidade é maior na cidade”, diz o comandante.
Além das viaturas, 20 novos soldados chegaram para atuar na cidade, com o reforço logístico e humano, a PM em Sabará passou a ter mais condições de realizar operação. O comandante ressalta a grande apreensão de armas de fogo, só este ano até a primeira semana de junho foram apreendidas 120 unidades. Em relação ao ano passado foi um aumento de 12,15% de apreensão. “ Todas as vezes que apreendemos um revólver ou uma pistola, conseguimos prevenir muitos homicídios”, diz o tenente.
Ele aponta ainda que os homicídios reduziram na área do batalhão. Em 2016, entre janeiro e junho foram 33 assassinatos, este ano foram registrados 24 até a segunda semana de junho.
Em relação ao perfil das vítimas de homicídios em Sabará, o comandante afirma que 97% dos crimes estão relacionados ao tráfico. “Normalmente é o usuário que fica devendo o traficante, briga de gangues por pontos de tráfico”, diz o tenente. Ainda segundo ele, 3% é crime passional, muitos acontecem dentro de casa, já o índice de homicídios em relação à latrocínio, que é o roubo seguido de morte é muito baixo, praticamente não tem em nossa região.
O tenente-coronel Mauro Lúcio ressalta que o trabalho tem sido intenso o que tem contribuído para redução também de crimes violentos , como assalto, homicídio, extorsão, seqüestro que reduziram em 26,8%.
O comandante destaca que a segurança pública é dever de todos, além da Polícia Militar, tem a Polícia Civil, a Guarda Municipal, o Ministério Público, o Poder Judiciário, o Executivo Municipal e toda a sociedade. Ele diz que reuniões com a comunidade, através da Rede de Vizinhos e Rede de Comerciantes, novos pontos de Apoio da PM em determinadas regiões da cidade, tudo isso tem contribuído com a redução da criminalidade.
Para finalizar, o tenente alerta a população sobre a importância em sua participação na redução da criminalidade, seja através de denúncias, quando suspeitar de movimentos estranhos e do registro de Boletim de Ocorrência, quando algo acontecer, mesmo que seja um simples furto de celular.
Brasil e Minas Gerais
O Brasil registrou, em 2015, 59.080 homicídios. Isso significa 28,9 mortes a cada 100 mil habitantes. Os números representam uma mudança de patamar nesse indicador em relação a 2005, quando ocorreram 48.136 homicídios. Apenas 2% dos municípios brasileiros (111) respondiam, em 2015, por metade dos casos de homicídio no país, e 10% dos municípios (557) concentraram 76,5% do total de mortes.
Minas Gerais registrou 21,7 mortes a cada 100 mil habitantes, em 2015. Foram 4532 durante o ano. Em 2005, o Estado teve 4.223 homicídios e registrou 22 mortes pra cada 100 mil habitantes.
Os números de Sabará estão acima da média nacional e estadual.
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