Foi realizada na última terça-feira, dia 20, pela Comissão de Prevenção e Combate ao Uso de Crack e Outras Drogas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) uma audiência pública para discutir políticas de prevenção e combate ao uso de crack e outras drogas em Sabará.
A audiência aconteceu na Câmara Municipal devido a uma solicitação do vereador Cláudio da Rádio aos deputados Wander Borges e Rosângela Reis, autores do requerimento que deu origem ao encontro. A audiência contou com a participação de populares, a maioria dos vereadores e de diversos representantes da sociedade sabarense.
O presidente da comissão, deputado estadual Vanderlei Miranda, destacou que a comissão tem percorrido todas as regiões do Estado para debater o assunto e que o crack ?tem sido o flagelo de nossas famílias em todos os lugares onde temos passado?. Ele ponderou que sempre são as mesmas situações e preocupações e que em Sabará não é diferente. ?O crack já chegou, inclusive, a trabalhadores da zona rural e a tribos indígenas. A pergunta é: onde mais resta chegar??, refletiu ao destacar que o uso da droga é um problema de todos e que abraçando a causa pode ser possível dar uma grande contribuição para diminuir esse flagelo.
O subsecretário de Políticas Sobre Drogas da Secretaria de Estado de Defesa Social, Cloves Eduardo Benevides, disse que com os avanços na legislação, a partir de 2006, o número de prisões por tráfico de drogas subiu mais de 500%. No entanto, a desassistência em torno da Lei e a fragilidade para acolher os usuários também estão aumentando. Para Cloves Benevides, é impossível ter a reversão do quadro de aumento das drogas sem a repressão eficiente.
Para a deputada Rosângela Reis a audiência é importante porque ?a cada discussão que trazemos é um passo que avançamos?. Neste sentido, a deputada informou que vai apresentar requerimento para instalação de um centro de recuperação socioeducativo na cidade. Ela convidou, ainda, todos a participarem da 3ª Marcha contra o Crack, que acontece neste sábado, 24, em Belo Horizonte.
Segundo o capitão Wellington Alves, da 15ª Companhia Independente, no primeiro trimestre deste ano, 38 menores foram apreendidos em Sabará, todos envolvidos com o tráfico de drogas, e não ficaram sequer 12 horas recolhidos. De acordo com o capitão, esse é um problema recorrente, já que o acautelamento em Sabará tem sido apenas domiciliar, sem efeito punitivo. ?Ficamos enxugando gelo?, disse. Informou, também, que, no primeiro trimestre de 2013, foram feitas 52 ocorrências de apreensão de drogas, sendo que, no mesmo período de 2014, esse número saltou para 77 casos, totalizando 120 kg de drogas. Também nesse período foram recolhidas 78 armas. Outra demanda apresentada pelo capitão Wellington diz respeito à falta de uma clínica de reabilitação na cidade.
Presente na reunião, o secretário de governo da Prefeitura de Sabará, Moacir Barbosa de Figueiredo, disse que o Executivo municipal tem um projeto de uma casa para recuperação dos dependentes químicos e que o combate às drogas é uma preocupação da atual gestão.
Já o presidente da Federação de Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil (Feteb), Wellington Antônio Vieira, afirmou que instalou a primeira comunidade terapêutica na cidade há 14 anos, que é reconhecida pelos governos federal e estadual. Há dez anos, no entanto, não recebe recursos da prefeitura e não tem sequer coleta de lixo na porta. ?Temos quatro comunidades terapêuticas na cidade. Antes de abrir algo aqui é preciso procurar saber quem está fazendo algo e fortalecer essas comunidades?, cobrou Wellington Antônio Vieira.
O delegado da 3ª Delegacia de Polícia Civil de Sabará, Guilherme Guimarães Catão, cobrou, também, o envolvimento da sociedade no combate às drogas. Segundo ele, o tráfico de drogas na cidade é ?familiar?, uma vez que o traficante mora na comunidade, é amigo de infância de muitos menores que o vêem vendendo drogas e comprando bens que não tem. De acordo com Guilherme, o traficante se torna uma referência para um menino de 14 anos. ?Precisamos sair da zona de conforto em Sabará. O combate ao tráfico de drogas começa com vocês, na sua comunidade, mostrando que traficante não tem futuro?, cobrou Guilherme.
O vereador Cláudio da Rádio destacou que o tabaco e o álcool são as portas de entrada para as drogas ilícitas. ?Precisamos refletir sobre onde está a origem do problema. Sinto que perdemos algumas batalhas, mas não a guerra. Por isso vamos para as ruas mostrar que a situação não pode continuar dessa forma. No sábado será realizada a segunda caminhada contra as drogas em Sabará?, declarou.
Já o deputado estadual Wander Borges afirmou que o momento é dramático para a sociedade civil. Segundo ele, os problemas das drogas passam pela educação, segurança, saúde e assistência social, atingindo principalmente as famílias.
?Nós enquanto sociedade erramos, pois essa geração é fruto nosso. Por isso precisamos redesenhar o modelo de atuação para que a gente possa inibir que o traficante não se apodere de nossos filhos?, disse Wander Borges.
Participaram também da audiência pública o defensor público da Comarca de Sabará, Leonardo Carvalho Carreira, o pastor Júlio, o escrivão da Polícia Civil Léo Leite, a representante do Conselho Tutelar de Sabará, Andréia Lisandro, os vereadores, Marcus do Leite, Conceição Arruda, Lucas Silva, Hamilton Alves, Dirlei Prates, Clebinho, Cláudio do Fátima e Roberto do Bar, além de líderes de entidades civis.
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