Não é difícil passar em cada esquina da cidade e encontrar um cachorro pelas ruas, e eles não estão com coleira, de banho tomado e passeando, mas sim abandonados, sem água e sem comida. Contando com o bom coração de um morador ou comerciante que lhe dê algo de comer.
Infelizmente essa não é uma realidade somente sabarense, mas fato é que nos bairros e no centro da cidade já existem tantos cães nas ruas que eles já até estão andando em matilha. Em General Carneiro a situação se repete, só na Praça Primeiro de Maio pudemos contar cinco cães passeando no local. Na Rua Carvalho de Brito os comerciantes até colocam vasilhas de água nas calçadas, à fim de matar a sede dos diversos animais abandonados no local. “Minha esposa não gosta de por água e comida porque ela diz que eles acostumam, mas não podemos deixá-los morrer de sede”, explica um dos lojistas.
Os animais também estão à mercê do perigo nas estradas da cidade; na terça-feira, dia 16, dois cães haviam sido atropelados e estavam jogados ás margens da BR-262, próximo a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sabará. Nem todos os motoristas conseguem desviar a tempo e infelizmente existem alguns que atropelam os cães por diversão.
O Trabalho da Zoonoses
Algumas ações estão sendo feitas para conseguir um lar para os animais que estão nas ruas da cidade, mas ainda falta dar mais atenção para esses bichos que muitas vezes são os melhores amigos do ser humano.
De acordo com o coordenador do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Lincoln Ladeira, “o setor que compõe a rede de serviços, tem como um dos objetivos desenvolver ações para diminuir o número de animais abandonados na cidade, além de buscar a diminuição da ocorrência de agravos e do risco de transmissão de zoonoses por essas espécies; atualmente o serviço de recolhimento de cães errantes, se encontra suspensa devido a estrutura física do CCZ que se encontra em processo de estruturação. Hoje, o recolhimento de animais é realizado em alguns casos específicos através da vigilância dos agravos e com o apoio através da confirmação do diagnóstico laboratorial a presença de alguma zoonose nesse animal”, disse.
Lincoln explica ainda que os sabarenses podem denunciar abandonos e maus tratos de animais. “O município não tem uma lei específica contra maus tratos a animais, nesse caso é aplicada a Lei 9.605/98 do código penal brasileiro. As denúncias podem ser feitas por meio das polícias do Meio Ambiente e Militar e Ministério Público. Não é necessário que o denunciante se identifique. Já para solicitar o pedido de exame de leishmaniose o dono do animal pode entrar em contato ou levar o cão ao CCZ; o resultado do teste sai na hora o que proporciona a agilidade do diagnóstico. A população deve conscientizar que o cão também é uma vida como a de um ser humano e tem que ser preservada como tal. Não compre um cão, adote um amigo”, diz.
Ainda segundo o coordenador, o Zoonoses tem uma parceria com a Associação Sabarense Protetora dos Animais e da Natureza (ASPAN) do município, que dentre suas atividades recebe os cães e após avaliação disponibiliza para doação. Existe ainda parcerias com clínicas veterinárias e sempre faz campanhas de doações de animais.
De acordo com a presidente da ASPAN, Vera Lúcia Ferreira, a Associação recebe animais que estejam doentes e sem dono, então é dado o tratamento adequado, mas depois do bichinho recuperado, infelizmente não tem como abrigá-lo, pois o canil já está com 130 cães e a entidade não possui mais condição de manter novos animais.
Em relação a adoção, Vera diz que os interessados podem procurar a ASPAN, mas ressalta que a doação só feita quando é identificada uma intenção real daquele que pretende adotar.
As denúncias assim como pedidos de exames de leishmaniose no Zoonoses podem ser feitos através do número 3674-6295. O CCZ fica na Rua Charles Gounot, 250; Bairro Sobradinho. Veja outros contatos para denúncia:
Polícia Ambiental: 3651-1882 e 3651-2535
Polícia Militar: 190
ASPAN: 3671-1120
Ministério Público: 127
Sem solução
Diante do exposto podemos concluir que infelizmente, por enquanto, não existe solução para os cachorros que se encontram abandonados. Como a Zoonoses não possui um lugar adequado para abrigar os cães e a Aspan se diz saturada, também não havendo um lugar apropriado para acolher os bichinhos; os animais mesmo medicados e alimentados voltam para as ruas.
Se existe uma parceria entre o município e a associação, porque nunca foi realizada um feira de adoção igual as outras associações de proteção de animais fazem por todo país? Só dessa forma é possível desafogar o canil da Aspan, único na cidade? A presidente da associação alega que a verba repassada pelo Município está aquém dos gastos, o ideal então seria realmente uma parceria verdadeira, um acordo entre as partes e um trabalho, onde os cães e toda a sociedade fossem de fato atendidos. Enquanto isso não acontece, vamos continuar vendo cachorros abandonados andando pelas ruas e correndo vários riscos.
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