Existem fortes evidências de que em 80 % dos adultos obesos e sedentários tem sua origem na infância e na adolescência. Neste contexto, muito dos hábitos adquiridos na juventude, podem ser transferidos para a fase adulta.
Diante desta situação, vale ressaltar a importância das atividades físicas estruturadas para o desenvolvimento da criança e do adolescente. Infelizmente a aderência a programas de exercícios continua sendo um problema fundamental. A falta de tempo e a dependência dos pais, os transtornos, o desinteresse e a falta de apoio social, fazem parte dos indicadores mais frequentes deste problema. O aumento da incidência de diagnósticos de depressão em crianças e adolescentes vem sendo descrito na literatura internacional como três vezes mais frequente nesta faixa etária quando comparados com adultos. Na adolescência os transtornos de humor são caracterizados por condutas, como: diminuição das atividades diárias, negativismo, comportamento antissocial, perda da autoestima, ansiedade e déficits cognitivos. Algumas pesquisas mostram que cerca de 20% dos estudantes do ensino médio sentem-se profundamente infelizes ou têm algum problema emocional. O motivo propulsor pode estar no fato de que neste período ocorrem muitas mudanças em todas as esferas, tanto físicas quanto psíquicas que se somam à complexidade da vida moderna, e das exigências do meio em que vive.
Um bom procedimento para superação da falta de tempo é incentivar os adolescentes a tentarem acumular períodos curtos de exercícios com intensidade moderada, no decorrer do dia. Esta estratégia procura melhorar a aderência aos exercícios, que quando realizados de forma intervalada também demonstram impacto positivo nos níveis de melhora cardiorrespiratória, HDL, insulina e na composição corporal. Outra estratégia para aumentar a aderência do adolescente é facilitar o acesso a locais e instalações para a prática de atividades físicas. Em relação a falta de interesse para a prática de exercícios, o adolescente precisa ter autonomia na escolha dos tipos de atividades que o agradam para que mantenha-os motivados.
Estudos têm mostrado a influência que o exercício exerce sobre estados de ansiedade e depressão. O exercício aumenta a autoestima, ajuda no autoconhecimento corporal e no cuidado com a aparência física, melhora a capacidade funcional, melhora o sono e a capacidade de concentração, reduz a obesidade e melhora a qualidade de vida dos adolescentes. As alterações positivas da imagem corporal, provocadas pela realização do exercício físico, ajudam a prevenir o desânimo e a resignação, características potenciais de indivíduos com imagem corporal negativa. Além disso, uma autoestima elevada também propicia ao indivíduo ver-se como pessoa capaz de realizar e de comprometer-se com mudanças significativamente positivas na sua vida. Dessa forma, adolescentes com autoestima e auto senso de eficiência, conseguem visualizar mais facilmente o sucesso, enquanto aquelas que duvidam das suas realizações, da sua própria eficiência podem mentalizar e até antecipar um possível fracasso.
Professor Matheus Eduardo
CREF 0009367-G/MG
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