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Orelhões caem em desuso, mesmo fazendo ligações gratuitas para fixos locais

Orelhões caem em desuso, mesmo fazendo ligações gratuitas para fixos locais

05/05/2016 14h47
Por: Glaucia Melo Clark
Orelhões caem em desuso, mesmo fazendo ligações gratuitas para fixos locais

Somente nos três primeiros meses de 2016, cerca de 40 aparelhos foram danificados por vândalos no município

A venda de linhas telefônicas residenciais e móveis crescem cada vez mais no Brasil, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicação (ANATEL), em 2015 o país já tinha cerca de 300 milhões de aparelhos celulares. Enquanto isso os telefones público, os famosos “orelhões”, caem no esquecimento e abandono de usuários e ficam a mercê de vândalos.

Dados da ANATEL apontam que de 2004 a 2013, o uso dos telefones públicos caíram em até 90% em muitos estados. Em Sabará, em seus anos de glória, os orelhões chegaram a ser disputados na cidade; comerciantes entravam na fila para solicitar a instalação dos aparelhos a fim de ofertar um novo serviço e garantir a clientela. Hoje, porém, os telefones são retirados com frequência dos estabelecimentos.

A falta de educação e respeito com os equipamentos também é um problema no município, basta analisar qualquer um dos aparelhos espalhados por todos os bairros da cidade que percebemos as marcas da depredação. Vários orelhões estão com pichações e muitos têm partes de sua estrutura danificada; fiações são roubadas com frequência e os monofones têm seus alto-falantes retirados.

Para fazer uma ligação, às vezes é preciso tentar três ou quatro aparelhos até conseguir um em bom estado; como explica a diarista Maria de Lourdes. “Eu estava na rua Minas Gerais no bairro Nações Unidas e atravessei a passarela pra tentar usar o aparelho da rua Mariana, porém vou ter que caminhar mais, já os três orelhões que testei neste caminho não estão completando a ligação”, relata.

Em todos os bairros e no centro da cidade os mesmos problemas se repetem, a cada 10 aparelhos, pelo menos cinco estão estragadas. Segundo informações da assessoria de comunicação da empresa OI Telecomunicações, responsável pelos telefones públicos em Minas Gerais, o estado possui hoje 78 mil orelhões instalados. Somente em Sabará, ainda segundo a empresa, existem 230 aparelhos públicos.

Pesquisa de

serviço

Em General Carneiro realizamos um trajeto entre quatro bairros: Vila Rica, Vila São José, Itacolomi e no Val Paraíso; passando pelas ruas Diamantina, Uberlândia, Montes Claros, Cambuquira, Tiradentes, Santos Dumont, Florianópolis, ruas Rio Grande do Sul e Carvalho de Brito, rua Abaeté e por fim na Praça 1° de Maio. Num total de 28 pontos onde existem ou existiam telefones públicos, 15 aparelhos estavam estragados e sete orelhões foram retirados pela operadora; ainda neste trajeto, quatro aparelhos estavam funcionando, porém não realizavam ligações gratuitas para telefones fixos locais - serviço que é exigido pela ANATEL; ainda na pesquisa, apenas dois aparelhos estavam funcionando normalmente e disponibilizando o serviço gratuito exigido.

Segundo a assessoria de comunicação da ANATEL, desde abril do ano passado, a gratuidade de chamadas locais originadas em orelhões e destinadas a telefones fixos locais passou a ser obrigatória em 15 estados, incluindo MG.

Ainda de acordo com as normas estabelecidas pela Agência, a manutenção dos aparelhos é de responsabilidade da concessionária de telefonia fixa da região, assim como implantação da estrutura necessária para atender todo tipo de público, inclusive deficientes físicos, auditivos e visuais.

Vândalos prejudicam

o serviço

Em nota, a assessoria da OI Telecomunicações informou que como os orelhões da empresa estão instalados em via de estabelecimentos públicos, sofrem, diariamente, danos por vandalismo. Segundo a OI, apenas nos três primeiros meses de 2016, foram danificados, em média, 18% dos 230 aparelhos instalados em Sabará; ou seja, só no início deste ano, segundo a OI, cerca de 40 orelhões foram estragados por conta de atos ilícitos.

Ainda segundo a OI, os principais problemas decorrentes do vandalismo são: defeitos na leitora dos cartões (o local onde é inserido o cartão é entupido de cola) destruição dos monofones e botões dos teclados, além de pichações e colagem indevida de propagandas nos aparelhos.

A Companhia esclareceu que no início deste ano, 300 aparelhos já foram trocados no estado. Ainda de acordo com a Nota, a empresa mantém um programa permanente de manutenção de seus telefones públicos e conta, ainda, com as solicitações de reparo enviadas à companhia pelo canal de atendimento 10331 por consumidores e por entidades públicas.

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