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Moradores sonham com a canalização do Malheiros

Moradores sonham com a canalização do Malheiros

30/03/2016 19h44
Por: Glaucia Melo Clark
Moradores sonham com a canalização do Malheiros

Um dos bairros mais prejudicados com o Córrego Malheiros é o Nações Unidas. A pavimentação, limpeza e canalização do córrego é um sonho antigo da comunidade.

Entre uma administração e outra, os moradores contam que apenas a limpeza é feita periodicamente na extensão do Malheiros. Problemas como ratos, cobras, escorpiões não são novidade para quem mora bem perto do córrego. E como não bastasse a comunidade ainda tem que conviver com a falta de educação e desrespeito de alguns moradores que usam a beira do Malheiros como bota fora clandestino do bairro.

“Moro há quase 20 anos em Nações, sou uma das defensoras da limpeza e canalização do córrego. Todos os moradores do bairro, principalmente os que moram perto do Malheiros, sofrem com esse córrego que é quase um esgoto á céu aberto. Nesses anos todos, somente em 2004 que houve realmente uma sinalização de cobertura e pavimentação deste local, porém não passou de um projeto. Em todo período de campanha eleitoral, surgem as promessas de canalização do Malheiros, porém nunca se concretiza”, relata Maria Celeste de Freitas, que mora na Rua das Nações, bem próximo ao córrego.

Ainda segundo a cabeleireira, um dos problemas mais graves do local provém da falta de respeito dos próprios moradores do bairro. “Não é difícil você encontrar guarda roupa, colchões, eletrodomésticos e materiais de construção, dentro e nas margens do córrego. Já alertamos os moradores sobre os perigos do mau descarte desses objetos, mas a falta de educação fala mais alto. Ratos, cobras e até escorpiões se aproveitam disso e invadem a casa dos moradores. Sem contar o mau cheiro que às vezes fica insuportável”, disse Celeste.

Para Rayane Freitas, que também mora na Rua das Nações, falta fiscalização no local. “Eu sei que a prefeitura não tem como vigiar o córrego todos os dias, mas falta algo ser feito para coibir os moradores de jogar lixo. Se canalizado, este espaço poderia ser utilizado para outros fins, talvez até a construção de uma nova rua, além de deixar o bairro mais bonito”.

Maria da Piedade, a dona Dadá, mora há 30 anos na rua México, que fica a uma quadra da rua Chile, uma das vias mais prejudicadas com a poluição do córrego. Para ela, a canalização do Malheiros é essencial para o bairro. “A obra beneficiaria todos os moradores; uma pista de caminhada poderia ser construída no local, surgindo assim mais um espaço de lazer. Dessa forma, uma coisa que atualmente é um incômodo se transformaria em benefício. Sem contar que com tanto lixo aumenta o risco de Dengue”, ressalta.

A Dengue é realmente um dos principais medos da comunidade do bairro. Segundo relatos dos moradores, em quase todas as ruas há casos de pessoas que tenham sido picadas pelo Aedes aegypti. Sérgio aproveita as tarde para pedalar na rua Chile e na Avenida Brasil, ele diz que em sua casa, três pessoas já tiveram a doença, isso apenas nas últimas três semanas.

“A canalização desse córrego não é por beleza é necessidade do bairro. Mas é preciso contar também com a educação dos moradores. Não temos obras de revitalização e que eu saiba nem planos para que isso aconteça; e os moradores aproveitam o local para jogar restos de construção. Se canalizasse o córrego, uma rua poderia ser construída e talvez até pista para ciclovia sob o córrego, já que o bairro carece destes espaços para lazer. Falta um bom projeto, pois a verba acredito que exista”, finaliza o morador.

Canalização possível

O prefeito Diógenes Fantini afirma que pretende fazer a canalização do córrego, mas por enquanto o trabalho será feito em apenas parte dele. Fantini diz que quando assumiu a gestão novamente, em 2013, pensou que poderia resolver, mas como o esgoto foi entregue à Copasa pouco pôde ser feito.

Mesmo diante disso já está em andamento uma licitação que aumenta a canalização do Córrego Malheiros até uma queda d’água localizada no bairro Alvorada. O prefeito destaca que o grande impasse do córrego é que foi feito um canal principal durante sua antiga gestão, mas foi colocado terra depois e não houve uma intercepção com canal sanitário o que provoca represamento da rede de esgoto quando o córrego está cheio, principalmente das residências da rua Cardoso de Menezes. Além disso, a situação gera muito mau cheiro na região, prejudicando todos os moradores do entorno.

Em relação à Nações Unidas, Fantini afirma que o problema é mais sério, porque uma obra feita em parte do Córrego prejudicou alguns moradores e a Copasa está tentando recuperar, só dessa depois disso poderá ser estudada uma canalização.

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