Todos os anos, nesta mesma época, o bairro Val Paraíso em General Carneiro sofre com a infestação da “Achatinafulica” mais conhecida como caramujo africano. Os moluscos entram nas casas, telhados, calhas, sobem em muros, árvores e portões; e ainda se arrastam pelos asfaltos das ruas do bairro.
Na rua Gavião, uma das principais vias do Val Paraíso, é onde a preocupação está maior. Dezenas de caramujos estão espalhados por todos os cantos - lixeiras, muros e varandas de casas. Os moradores foram orientados pelos agentes da Zoonoses a limpar os quintais e juntar os caramujos em sacolas; outras pessoas tentam combater os moluscos com sal a fim de exterminar os bichos.
Ana Maria Cassemiro é moradora da rua Pardal que faz esquina com a rua Gavião; ela conta que todos os dias é preciso varrer dezenas de caramujos no seu portão e até próximo a porta da sala de sua casa. “Todos os anos sofremos com a chegada desses bichos, ainda não entendemos porque eles aparecem aqui no bairro já que não estamos próximos a nenhum córrego. Estou colocando os caramujos em sacolas para jogar fora, mas são muitos todos os dias”, disse.
A história do caramujo africano no Brasil começa provavelmente em 1989 quando foi introduzido, clandestinamente, no país com a finalidade de substituir o “escargot” (Helix aspersa), molusco utilizado na alta culinária. O caramujo teria como vantagens o tamanho corporal avantajado, rapidez de reprodução e desenvolvimento. A ausência de mercado e o desleixo dos criadores levaram a fuga de exemplares na natureza que hoje podem ser encontrados em quase todo o território brasileiro. Este caramujo se tornou uma praga, comprometendo o meio ambiente.
Outra preocupação da comunidade do Val Paraíso é em relação a dengue, já que quando o caramujo morre sua casca fica intacta armazenando água onde podem ser encontrados focos do mosquito Aedes aegypti, que transmite além da Dengue e Febre Amarela, o Zika e a Chikungunya.
Alguns moradores do bairro também não contribuem para a limpeza do local, o lixo é colocado nas ruas em dias que não serão recolhidos, muitos quintais estão com mato alto e madeiras espalhadas. No final da rua Gavião o problema é ainda mais grave, até pneus velhos são encontrados no local; segundo o moradores a Prefeitura realiza a limpeza mas os vizinhos jogam mais lixo. Os caramujos aproveitam a sujeita pra procriar e subir nos muros, como relata Margarete de Lima Oliveira.
“No início de fevereiro alguns técnicos da Zoonoses esteve aqui e jogou remédio nos caramujos, porém com a chuva do dia seguinte acredito que o remédio tenha ido embora na água, porque agora só olhar para as paredes e chão que vemos dezenas de caramujos, os agentes prometeram voltar na próxima semana. Alguns moradores deixam o quintal sujo e jogam sacolas de lixo nas ruas, isso prejudica todo mundo”, explica.
Em nota, o controle de Zoonose do município informou que o trabalho de combate ao molusco em General Carneiro e em toda a cidade é constante. Atualmente as regiões onde apresentam a maior incidência do molusco são em áreas que são encontrados muito acumulo de lixo, principalmente material orgânico, e em beira de rios.
Ainda segundo a Zoonoses, para o desenvolvimento de um Programa de Controle do Caramujo-Africano no Município de Sabará, antes de qualquer outra iniciativa, é importante o envolvimento e a participação efetiva da população, bem como dos órgãos públicos (Agricultura, Saúde, Meio Ambiente, Educação e Limpeza Urbana), Associações de Bairros, Universidades e outros parceiros. Desta forma, as ações devem ser realizadas de maneira planejada e contínua, para obtenção de controle eficiente desses caramujos.
O Centro de Controle de Zoonoses através dos agentes de combate a endemias realizam várias medidas de controle e orientações para a comunidade, dentre elas:
• Identificação dos locais (bairros) com alta incidência do caramujo africano;
• Realização de campanhas educativas, através de palestras nas escolas, postos de saúde;
• Ocorrendo o molusco, é realizado visita dos agentes de combate a endemias nos bairros (residências, terrenos baldios, jardins, hortas, pomares) pela manhã ou final de tarde. Os agentes realizam coletas dos caramujos e ovos manualmente.
• Em casos de infestação é utilizado moluscicidas, sendo que após a morte desses caracóis é realizado nova visita dos agentes e então remoção das carcaças;
• Os agentes orientam a população evitar contato direto com o caramujo;
• Com as mãos protegidas por luvas ou sacolas plásticas coletar os animais e colocar os caramujos em saco plástico resistente e Jogar sal ou cal dentro do saco contendo os caramujos;
• Não jogar os caramujos vivos no lixo!
• Remover as conchas dos animais mortos;
• Não usar sal para controlar os caramujos, para evitar a salinização do solo, destruindo o gramado e as plantas;
• Lavar bem verduras, legumes, frutas
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