O Plenário do Senado aprovou, nesta quarta-feira (7), a indicação (OFS 5/2021) de Vilma da Conceição Pinto para ocupar o cargo de diretora da Instituição Fiscal Independente (IFI) — vaga anteriormente ocupada por Josué Alfredo Pellegrini. A economista é a primeira mulher negra a exercer um cargo de diretoria da IFI.
A nomeação foi elogiada pelas senadoras Simone Tebet (MDB-MS) e Eliziane Gama (Cidadania-MA), representantes da Bancada Feminina do Senado. Eliziane destacou os desafios enfrentados por mulheres em cargos de liderança.
— Nós, enquanto mulheres, temos uma participação majoritária no estudo, nas universidades. Portanto, as mulheres estudam mais no Brasil. Mas infelizmente a maioria absoluta das mulheres recebem, em média, um percentual bem abaixo em relação ao mesmo salário dos homens. E o que nós temos aqui, com a dra. Vilma, é uma mulher que já sofre muito no que se refere, por exemplo, à igualdade salarial, e ainda uma mulher negra, que infelizmente é uma vítima ainda maior, considerando o acesso ao mercado de trabalho e, sobretudo, aos cargos de liderança. Vilma ultrapassa, rompe essas barreiras hoje, ao assumir, de forma muito proeminente e importante, a liderança do IFI — pontuou.
Simone Tebet completou ao citar as competências e o extenso currículo da economista:
— O IFI tem cinco anos, tem feito um trabalho ímpar nos que se refere à transparência das contas públicas, como referência de informação para o Brasil. Este é um momento em que nós da bancada feminina temos que dizer ao Senado Federal e ao presidente, Rodrigo Pacheco: muito obrigada. É mais uma conquista.
Durante sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), nesta segunda-feira (5), Vilma Conceição Pinto destacou que, no atual contexto econômico e social, as instituições fiscais ganham maior relevância e defendeu a necessidade de melhorar as políticas de assistência aos mais vulneráveis e de retomar investimentos públicos eficientes.
— É inegável que foram feitos esforços no sentido de reduzir essa trajetória, mas ainda há desafios a superar para alcançar o reequilíbrio fiscal com qualidade e eficiência dos gastos públicos — disse.
Vilma da Conceição Pinto é graduada em economia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e mestre em economia empresarial e finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com dissertação sobre os impactos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) no nível de endividamento dos estados.
Iniciou a carreira profissional no Instituto Brasileiro de Economia da FGV, onde trabalhou de 2014 a 2020. Neste período, foi responsável pelas projeções e análises de política fiscal e escrevia mensalmente artigos sobre conjuntura fiscal, no boletim macro do FGV-IBRE. Também escreveu dezenas de textos para discussão, notas técnicas e artigos relacionados às finanças públicas das três esferas da federação.
Criada em 2016, a Instituição Fiscal Independente do Senado busca ampliar a transparência nas contas públicas. A indicação de Vilma Pinto foi feita pelo presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Otto Alencar (PSD-BA). O relatório do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) foi lido pelo senador Esperidião Amin (PP-SC).
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