Na reunião da Câmara do dia 1º de abril, um dia após ter completado 50 anos do Golpe Militar, a vereadora Terezinha leu na tribuna um texto lembrando esses anos de chumbo e destacando os novos tempos que vivemos com a Comissão da Verdade.
A vereadora ressaltou que uma série de atividades no País marcou 50 anos do Golpe de 1964, que instalou 21 anos de ditadura em nosso País, com perseguições, censuras, prisões e torturas. Ela lembrou que vivemos agora um despertar da sociedade para a história desses anos obscuros: ?Temos instalada a Comissão Nacional da Verdade e a esperança de escrevermos de novo as páginas dessa história para podermos continuar registrando, a cada dia, uma história de mais liberdade, democracia e justiça social. É preciso, sim, lembrar em cada canto do País as atrocidades cometidas contra jovens, sindicalistas e ativistas, os sonhos interrompidos, as famílias destruídas, os políticos cassados nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas, no Congresso Nacional. É preciso lembrar, também, como a democracia de hoje foi duramente conquistada: a luta pela anistia, a volta dos brasileiros exilados, as greves, o movimento ?Diretas Já?, a Constituinte e a organização dos movimentos sociais pela aprovação de direitos democráticos na Constituição de 1988, as eleições diretas. É preciso, sim, lembrar que a censura e a repressão eram instrumentos para encobrir e garantir os arrochos salariais, a concentração da renda nas mãos de poucos milionários, o genocídio de indígenas e a repressão aos trabalhadores rurais para beneficiar latifundiários, a corrupção, que não era denunciada e nem combatida!
Afinal, muitas de nossas desigualdades sociais e da violência da sociedade hoje derivam ainda da ditadura que vivemos e das reformas de base que ela impediu, derrubando um governo apoiado pela maioria da população. É preciso, sim, desvendar as injustiças cometidas e exigir sua reparação para que jamais se repitam!
É importante que todos conheçam a história, especialmente os mais jovens que não a viveram, para fortalecermos a nossa democracia, a luta pelo fim da tortura ainda existente no Brasil contra presos comuns nas delegacias e presídios, pela liberdade de expressão, o direito à informação e contra a manipulação dos grandes grupos da Mídia; pela ampliação das políticas econômicas e sociais que visam a construção de uma sociedade mais justa, de direitos iguais, e respeito às diferenças, de valorização das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros?.
Para finalizar Terezinha ainda fez uma homenagem aos vereadores de Sabará José Francisco Neres e o 2º suplente João Sutero, militantes comunistas, eleitos pelo PR e que foram cassados pela Câmara Municipal por unanimidade, em junho de 1964.
Homenageou ainda as mulheres mineiras que tiveram grande papel na resistência em seus lares e nas lutas coletivas, destacando Dona Helena Greco, primeira vereadora eleita de Belo Horizonte, a estilista Zuzu Angel, que teve seu filo assassinato durante o regime militar e ainda a nossa presidente Dilma Rousseff, que sofreu nos porões da ditadura e hoje ocupa o mais alto posto público do País.
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