A Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher de Sabará, inaugurada em agosto de 2014 e fica na Avenida João Pinheiro, nº 25, bairro Campo Santo Antônio, no prédio onde funcionava a Circunscrição Regional de Trânsito de Sabará (DETRAN), que foi transferida em junho para a 2ª Delegacia de Polícia Civil no bairro Nações Unidas. O local foi totalmente reformado para receber as novas instalações.
De acordo com a delegada titular do local, Doutora Alessandra Alvares Bueno da Rosa, em um ano de atividade na cidade, a delegacia tem cerca de 450 procedimentos instaurados – ocorrências de casos em que mulheres são vítimas de violência. O número não é o mesmo fornecido pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), quando informou que nos seis primeiros meses de 2015, Sabará teve 437 registros, mas a delegada explica qual seria o motivo do choque nos dados.
“Trabalhamos aqui com números efetivos e muitas vezes a Secretaria não tem um dado igual o da Polícia. Às vezes o fato nem se relaciona a violência, mas como é um registro de uma mulher entra nos números, por isso a diferença dos dados da Seds com os da nossa delegacia. Também existem aqueles fatos que a mulher se desinteressa pela ocorrência ou não a registra até o fim, por isso o número diferente de registros, mas ainda assim é muito para uma cidade pequena”, explica a delegada.
Ainda segundo Alessandra Bueno, a delegacia atende a mulher em qualquer tipo de violência, como física, sexual, psicológica, violência contra a integridade, contra a vida, contra o direito de ir e vir, entre outros. Ela explica que fatores como bebidas e drogas são os que mais alavancam a violência doméstica na cidade.
“Infelizmente muitas coisas contribuem para que esse sujeito venha a agredir essa mulher. Dentre os fatores que mais aumentam a violência estão separações, infidelidade conjugal, briga por bens e guarda de filhos; mas principalmente o alcoolismo e as drogas. No caso da violência sexual já se diferem um pouco, pois nem sempre esta condicionada à bebida ou droga, mas sim a uma psicopatia do agressor; e muitas vezes vêm de uma pessoa próxima a essa mulher, como pai, padrasto, irmão, tio, etc. Temos aqui em Sabará um registro grande neste sentido, na cidade a violência sexual contra a mulher tem aumentado, principalmente contra jovens, adolescentes e menores de 12 anos. Esse fato tem nos preocupado ultimamente pelo aumento das ocorrências”, ressalta.
A delegada conta que a delegacia da mulher tem funcionado de forma precária, uma vez que é a única no município, precisaria de um efetivo maior. Atualmente, além de Alessandra, o local tem apenas um investigador e um escrivão. Ela afirma que são necessários mais investigadores, tendo no mínimo duas equipes e mais um escrivão.
O perfil do agressor pode ser variado, segundo Alessandra ele tenta neutralizar a vítima para que ela não possa denunciar o crime. “Normalmente esse criminoso quer desnaturalizar essa vítima, tirar a identificação dessa mulher; ele queima os documentos da pessoa, queima as roupas, e geralmente agride o rosto;sua intenção quase sempre é desfigurar tirando a moral. Essa mulher fica sem ter como sair de casa sem suas roupas, documentos, machucada e às vezes sem ter como deixar os filhos. Querem, além da violência, ofender essa mulher de todas as formas perante a sociedade”, disse.
Para a doutora Alessandra Alvares, a vergonha ou o medo de denunciar o fato prejudica a ação dos agentes, mas é importante saber que qualquer um pode denunciar esses crimes contra a mulher, acionando a polícia e oferecendo apoio a essa vítima. “Pedimos que essa mulher procure um familiar ou um amigo que confie, e relate o ocorrido. Peça que essa pessoa venha até a delegacia a acompanhando, e se essa vitima não puder vir, peça que esse amigo ou parente venha fazer a denúncia. Nós iremos posteriormente a casa dessa mulher”, ressaltou.
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