O Marquês de Sapucaí vai movimentar o Carnaval 2016 no sambódromo que leva o seu nome, na cidade do Rio de Janeiro. Mas o que muitos não sabem é que o Marquês é daqui: Sabarense.
De acordo com registros históricos do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Câmara dos Deputados, Cândido José de Araújo Viana, visconde e marquês de Sapucaí, nasceu em Congonhas de Sabará no dia 15 de setembro de 1793, filho de Manuel de Araújo Cunha e Mariana Clara da Cunha. Foi provido pelo Conde de Palma, Governador e Capitão-General da capitania de Minas Gerais, no posto de 2º Ajudante das Ordenanças do termo da vila de Sabará. O Príncipe Regente D. João confirmou esse ato, assinando a respectiva patente, em 9 de fevereiro de 1815.
O que muitos não sabem é que essa figura tão importante para a história do Brasil é nascido aqui, em terras sabarenses. De acordo com o historiador e membro do Instituto Histórico Geográfico do Ciclo do Ouro (IHGCO), Celso Pyramo, Congonhas de Sabará, antigo nome de Nova Lima, pertencia ao município de Sabará. “Quando ele nasceu ainda não existia Nova Lima, assim como outras cidades em torno de Sabará, incluindo a capital Belo Horizonte. Congonhas de Sabará, como se chamava, era um distrito que pertencia a Sabará. Até porque a cidade é muito anterior a Nova Lima. Dessa forma, a história prova que o Marquês de Sapucaí, é sabarense”, explica.
No próximo ano a escola de Beija-Flor de Nilópolis fará uma homenagem à Cândido José de Araújo Viana na passarela do samba. A atual campeã do carnaval carioca deve trazer o Marquês de Sapucaí como seu enredo, o "Executivo do Império". Mas o político, que empresta o nome ao maior palco do Carnaval do Rio, equivocadamente, está sendo aclamado como novalimense.
Ainda de acordo com Pyramo, além de nascer na cidade, Sabará fez parte da formação social do político. “Sabará foi elevada a Vila em 1711 e a ela pertenciam terras imensas. Aqui tinha os colégios, como hoje, uma riqueza cultural imensa. Ou seja, a formação cultural e os primeiros estudos do Marquês também inicialmente se formaram a partir da influência de Sabará, pois era a cidade que aqui existia e que ele conviveu até certo tempo de sua vida”, destacou. Em homenagem ao sabarense, uma das ruas do centro histórico de Sabará recebeu o seu nome – Rua Marquês de Sapucaí.
Araujo Viana foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tendo sido seu Presidente por mais de trinta anos.
Porque Marquês
Na sua trajetória, um livro daria uma história rica de se contar. Ele exerceu os cargos como de juiz em Mariana (MG), em 1821; desembargador da Relação da Província de Pernambuco (1827); deputado em Minas Gerais (1823-1839); presidente da Província de Alagoas (1826), presidente da Província do Maranhão (1829); exerceu atividades no Tribunal de Relação da Bahia e do Rio (1832); fiscal na Junta de Comércio do Rio; ministro e secretário de Estado dos Negócios da Fazenda (1832 a 1834); senador pela Província de Minas Gerais (1839 a 1875) presidente da Câmara dos Senadores (1851 a 1853); procurador fiscal interino do Tesouro (1839); ministro do Supremo Tribunal de Justiça (1850); conselheiro de Estado (1839), dentre outros cargos.
Ao longo de sua jornada, foi condecorado com diversos títulos, como Grão-Mestre do Grande Oriente (Maçonaria), Dignitário da Ordem do Cruzeiro, Cavaleiro das Ordens de Cristo e da Rosa. Agraciado com a Grã-Cruz da Torre e da Espada, a Grã-Cruz da Ordem Ernestina (da Casa Ducal da Saxônia) e a Grã-Cruz da Ordem de São Januário de Nápoles; além de Visconde e Marquês de Sapucaí – nome em que é mais conhecido Brasil afora.
O Marquês faleceu no dia 23 de janeiro de 1875, na cidade do Rio de Janeiro, e foi sepultado no Cemitério da Ordem de São Francisco de Paula, em Catumbi.
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