Em um ano em que tivemos um dos verões mais rigorosos dos últimos tempos e pouco choveu, a discussão sobre a importância da água se torna ainda mais pertinente.
No último sábado, 22 de março, foi comemorado o Dia Mundial da Água, este ano o tema escolhido pela Organização Nações Unidas ( ONU) foi ?Água e Energia?. A escolha se deu porque água e energia estão intimamente interligadas e são interdependentes, já que a geração hidrelétrica, nuclear e térmica precisam de recursos hídricos. Segundo dados da Agência Internacional de Energia, por exemplo, um aumento nominal de 5% do transporte rodoviário no mundo até 2030 poderia aumentar a demanda por água em até 20% na agricultura, devido ao uso de biocombustíveis.
Outro dado da ONU aponta que cerca de 8% da energia gerada no planeta é utilizada para bombear, tratar e levar água para o consumo das pessoas. Além disso, os recursos hídricos são utilizados para a geração de energia geotérmica, que é uma alternativa para energia em países com escassez de água.
O Brasil, país que detém aproximadamente 12% da água doce do planeta, celebra o Dia Mundial da Água com o desafio de pensar na gestão dos recursos hídricos em seus mais diversos usos, garantindo o acesso a água e promovendo seu uso sustentável para as atuais e futuras gerações.
Semana da Água é marcada pela disputa do bem mais importante do planeta
Sob pressão de crise hídrica, governo paulista transforma rio Paraíba do Sul em alvo de disputa com governo fluminense.
Em meio à crise de abastecimento de água, o Estado de São Paulo criou o primeiro conflito hídrico do País com o Rio de Janeiro em torno do rio Paraíba do Sul. Com o sistema Cantareira, responsável por abastecer mais de 8 milhões de pessoas na Grande São Paulo, atingindo o menor nível em sua história, 14,5%, registrado na última terça-feira, dia 25. O governo paulista pretende interligar o reservatório do rio Jaguari ao Sistema Cantareira para garantir o abastecimento e melhorar a oferta de água para a região.
O problema é que o Rio Jaguari é o principal afluente do Rio Paraíba do Sul que atende a maior parte dos cariocas e a divisão poderia comprometer o abastecimento de mais de 11 milhões de famílias do Rio de Janeiro. A proposta foi muito contestada pelo governo fluminense que cobra estudos de impacto.
Para realizar a obra orçada em R$ 500 milhões e prevista para 2015, São Paulo não precisa de aval federal, pois o rio é estadual, basta entrar em acordo com o Rio de Janeiro. Mas o que tudo indica este acordo será difícil, pois a medida provocou intensa troca de farpas entre os governadores Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ). Cabral disse que não vai permitir que se retire a água que abastece a população fluminense. Alckmin rebateu dizendo que o rio Jaguari pertence ao Vale do Paraíba e aos paulistas, assim como a baía de Guanabara é dos cariocas.
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