O mais recente relatório mensal da Instituição Fiscal Independente (IFI) traz o novo pacote de previsões macroeconômicas, análise feita a cada três meses. Apesar de mostrar recuperação do país em alguns níveis, a IFI pondera que a retomada é leve e acontece em cenário que ainda é instável, principalmente devido à lenta vacinação contra covid-19 e à incerteza sobre o quanto ainda vai durar a pandemia.
De acordo com o RAF deste mês, a IFI mantém sua projeça?o para o crescimento do PIB em 2021 em 3%. Isso para o que a instituição chama de “cenário base”, mas o documento tem cálculos também para cenários otimistas e pessimistas das variáveis fiscais e econômicas.
“O crescimento do PIB foi mantido em 3% para 2021 no cenário base. Entretanto, atente-se para os riscos altistas, que poderão alterar as projeções em futuras rodadas de revisão. O PIB do primeiro trimestre surpreendeu positivamente, impactando as expectativas para o ano. Mas há incerteza quanto à evolução da economia, sobretudo associada ao ritmo de vacinação e à adoção de medidas de restrição à circulação de pessoas, com impacto sobre os setores de atividade. No cenário otimista, a IFI contempla um crescimento de 4% para o ano, precificando uma evolução mais benigna em 2021”, diz a apresentação do RAF.
O ritmo da vacinação contra a covid-19 no Brasil está em aproximadamente 665 mil doses aplicadas por dia, incluídas primeiras e segundas doses, segundo os cálculos da IFI. Pouco mais de 9% da população brasileira já está vacinada com duas doses, segundo o Ministério da Saúde.
“As incertezas quanto à evolução da pandemia e ao avanço no ritmo de vacinação necessário para imunizar a população contra a covid-19 e reabrir economia de maneira segura, de toda forma, adicionam ainda muitas dúvidas ao comportamento prospectivo da atividade econômica. A recente tendência de desaceleração da segunda onda de contágio pode não se sustentar com o novo relaxamento das medidas de distanciamento e a lentidão no processo em curso de imunização”, diz o RAF.
A IFI diz que, mesmo com recuo da atividade produtiva em março, o PIB do primeiro trimestre de 2021 deve apresentar pequena expansão (+0,3%), pois houve resultados positivos acima de 1% em janeiro e fevereiro. A previsão do RAF de fevereiro era de -0,2%.
Já a variação do PIB nominal é prevista pela IFI com aumento de 8,1% em 2021 (R$ 8,1 trilhões). A taxa básica de juros Selic deve atingir 5,5% ao ano no final de 2021, contra os atuais 3,5%. O aumento, segundo a instituição, servirá para assegurar o cumprimento da meta de inflação.
Em abril, diz a IFI, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) somou alta de 6,7% em doze meses. O IPCA mede a inflação que atinge os consumidores no país. Com isso, a expectativa para a variação do IPCA em 2021 foi revista pela IFI de 3,6% (previsão de fevereiro) para 5,1%, chegando perto do teto da meta inflacionária definida pelo Conselho Monetário Nacional (CNM), de 5,25%.
A IFI também revisou sua previsão para o risco de o país descumprir o teto de gastos constitucionais este ano. Esse risco, que era moderado em fevereiro, agora é classificado como baixo. Entretanto, não deve haver muita folga orçamentária neste ano e próximo, já que o resultado primário deve continuar deficitário pelo menos até 2030.
O RAF estipula que o Orçamento de 2021 será reforçado com pelo menos R$ 16 bilhões a mais relativos a devoluções de parcelas do auxílio emergencial do ano passado recebidas indevidamente segundo estudo do Tribunal de Contas da União (TCU). Mas esse montante poderá passar de R$ 24 bilhões, de acordo com a quantidade das devoluções.
Houve também aumento na arrecadação de alguns tributos no primeiro trimestre de 2021, segundo a IFI, o que reforça a tendência de recuperação da atividade econômica. Todavia, eventuais mudanças na tributação sobre a folha de pagamentos ou novas desonerações poderão diminuir a arrecadação.
O teto de gastos foi cumprido no ano passado com folga de R$ 52,2 bilhões. Em 2021, a folga deve ser de R$ 2,9 bilhões.
O documento mostra, ainda, que o país gastou R$ 520,9 bilhões em 2020 com o enfrentamento da pandemia (maior parte foi para o auxílio a vulneráveis). Para 2021, a IFI projeta gastos de mais R$ 105,6 bilhões (1,3% do PIB), mas pontua que o contexto ainda é “permeado de incertezas quanto à duração da pandemia e ao ritmo da vacinação”.
Segundo a IFI, a despesa com o programa Bolsa Família deve crescer 37,5% em 2021, totalizando R$ 26,2 bilhões, contra R$ 19 bilhões no ano passado. Esses montantes estão abaixo da média histórica, já que alguns cidadãos vulneráveis tiveram de optar entre receber o Bolsa Família ou o auxílio emergencial (que na maioria dos casos é mais vantajoso para o beneficiário ).
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