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MEIO AMBIENTE Criptococose

“Bonitinho, mas Ordinário”

Infectologista alerta sobre o perigo da “Doença do Pombo”

29/04/2021 08h30
Por: Redação Fonte: Redação - *por Alessandra Labiapari
“Bonitinho, mas Ordinário”

Os pombos são aves que vivem com facilidade nas cidades, morando em edifícios onde costumam fazer seus ninhos em telhados, forros, caixas de ar-condicionado, torres de igrejas e marquises. É comum também em espaços públicos como praças e parques. Sua população cresce muito rápido e o aumento de sua quantidade tornou-se um grave problema de saúde, pois, causa a Criptococose, popularmente conhecida como “doença do pombo”. Uma doença classificada como uma micose causada por fungos do gênero Cryptococcus.

Mas micose pode ser grave? Sim! E quem explica é Adriano Oliveira Marchi, médico infectologista da Prefeitura Municipal de Sabará. “A maior parte das pessoas já viu uma micose de pele ou uma candidíase superficial, mas desconhece as micoses “profundas” de pele e as micoses “sistêmicas”, que atacam os órgãos internos. Dessas, a Criptococose é a que mais mata em todo o mundo, principalmente na África, em função da AIDS. No Brasil, há outras de maior ocorrência, particularmente no ambiente hospitalar”. 

O Criptococo vive em matéria orgânica em decomposição, principalmente em troncos de madeira e no solo, mas também habita a poeira das casas e o intestino de morcegos e aves, particularmente do pombo doméstico, sendo eliminado em suas fezes. 

De acordo com o infectologista, a pessoa é infectada ao inalar o fungo e os sintomas iniciais poderão ser leves ou inexistentes. “Poderá demorar de meses a décadas para a doença despontar, às vezes por ocasião de uma depressão imunológica. De fato, grande número de pessoas se expõe ao fungo durante a vida, principalmente na infância, mas sem jamais adoecer”, esclarece Marchi. 

Sintomas da doença e tratamento

No pulmão, a Criptococose pode se manifestar por febre, tosse, emagrecimento e falta de ar, mais comumente com evolução lenta e progressiva. Segundo Marchi, o tratamento medicamentoso é longo, mas geralmente eficaz, sendo a doença pouco fatal.  “Ela pode também acometer outros órgãos, como a pele e o Sistema Nervoso Central (principalmente a meninge, a membrana que reveste o cérebro). A meningite (inflamação da meninge) representa o quadro clássico da “neurocriptococose”, podendo frequentemente levar a sequelas permanentes, como paralisias, déficits cognitivos, surdez e cegueira, como também pode matar”, informou. 

O tratamento inicial é feito com o uso de medicações venosas. Se houver boa resposta, pode ser complementado em casa com drogas orais, mas deve ser mantido por tempo prolongado. 

De acordo com o médico, em Sabará os casos são muito esporádicos, mesmo em pacientes que vivem com HIV. O último caso em paciente sem infecção pelo HIV ocorreu em 2017. Mas Marchi faz um alerta: “isso não significa que a doença deva ser esquecida ou negligenciada. Cada vez mais temos acesso a tratamentos para câncer, doenças reumatológicas e transplantes, todas condições que suprimem a imunidade, tornando um maior número de pessoas vulneráveis às doenças fúngicas”, disse.

Os pombos podem ser vetores de outras infecções fúngicas, como a Histoplasmose, ou infecções bacterianas, como a Salmonelose e a Psitacose.

Controle das aves

É importante para a saúde manter o controle da população dessas aves nos centros urbanos, fazendo com que eles procurem locais adequados para viverem. Um pombo na cidade vive em média quatro anos, enquanto em seu habitat natural pode viver até 15 anos.

Em Sabará, de acordo com a Prefeitura Municipal, campanhas educativas são realizadas junto à direção das escolas da cidade e a população, a fim de informá-los e conscientizá-los sobre a doença, bem como orientá-los a adotarem medidas que evitem a aglomeração e proliferação das aves. E que antes da pandemia, panfletos foram distribuídos em escolas, alertando, dentre outras medidas, sobre os riscos da alimentação dos pombos. Além disso, constantemente, a Prefeitura realiza ações de limpeza de seus espaços e prédios públicos, com o objetivo de evitar que se tornem locais propícios à aglomeração e proliferação das aves.

A Prefeitura informou ainda, que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) não captura, sacrifica ou faz uso de produtos químicos para o controle dos pombos na cidade, uma vez que é proibida a matança das aves. Os agentes apenas prestam informações sobre medidas que a população deve adotar para contribuir com o controle dos pombos.

Como a população pode colaborar com o controle dos pombos

Não alimente os pombos para evitar a aglomeração e proliferação; recolha sobras de alimentos de animais domésticos, aves de gaiola e demais criações para não atrair pombos; proteja o nariz e a boca com máscara ou pano úmido e utilize luvas quando for realizar a limpeza de locais onde há ninhos de pombos e fezes acumuladas; impeça o acesso das aves em construções, fechando os locais com tela ou alvenaria após a limpeza e a desinfecção do local; em caso de infestação em residências ou propriedades particulares, indica-se a contratação de uma empresa privada especializada em controle de pragas.

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