O violoncelista e escritor Carlos Márcio acaba de alcançar mais um importante marco em sua trajetória artística. Ele está entre os vencedores do Concurso Frauta de Barro 2025/2026, promovido pela Editora Valer, com a obra “Ave, Maria”, selecionada na categoria Crônica.
A conquista representa não apenas reconhecimento literário, mas também a inserção do autor no circuito editorial de uma das mais relevantes editoras da região Norte do país. O feito reforça a consistência de um projeto artístico que une densidade emocional, rigor formal e consciência histórica.
Literatura como memória, denúncia e afeto
Integrante da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Carlos Márcio vem consolidando uma produção literária marcada pela investigação da memória, da experiência negra e das violências históricas que atravessam a sociedade brasileira.
Seu livro de estreia, “Racismo, Constante como o Tempo” — vencedor do Prêmio Resistência 2025 da Editora Arte da Palavra — já havia evidenciado a força de sua escrita. Na nova obra, “Ave, Maria”, o autor mergulha em uma narrativa sensível sobre sua avó, Maria, transformando lembrança, luto e afeto em matéria literária potente.
Em entrevista à Folha de Sabará, o escritor destacou o papel da arte em sua vida:
“O violoncelo me ensinou o que é produzir arte a partir de um pedaço de madeira, uma corda esticada e crina de cavalo. A escrita é a cicatriz do racismo talhada fora de mim.”
Uma carreira que se expande
A transição para a literatura acontece de forma marcante. Em pouco tempo, Carlos Márcio inicia oficialmente sua carreira como escritor já respaldado por premiações importantes — um início diferente de sua trajetória na música, construída ao longo dos anos.
O lançamento do livro “Racismo, Constante como o Tempo” será celebrado em uma série de concertos gratuitos que unem música e literatura em diversas cidades de Minas Gerais.
Agenda de
concertos-lançamento
• 22 de maio — Teatro Municipal de Sabará, às 20h
• 25 de maio — Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (Belo Horizonte), às 20h
• 19 de julho — Ateliê da Música (Diamantina), às 20h
• 22 de setembro — Casa de Cultura Negra (Ouro Preto), às 20h
• 19 de novembro — Casa de Música (Ouro Branco)
Apresentações em Contagem e São Gonçalo do Rio Abaixo ainda terão datas divulgadas.
Além disso, no dia 27 de junho, o autor participa de uma noite de autógrafos e roda de conversa na Casa Canjerê, em Belo Horizonte.
Reconhecimento institucional e novos caminhos
A relevância da obra também já alcança espaços institucionais. Em junho, “Racismo, Constante como o Tempo” será tema de uma audiência pública na Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, ampliando o debate sobre literatura, memória e questões raciais no Brasil.
Com reconhecimento crescente, Carlos Márcio se firma como uma das vozes contemporâneas que transformam arte em reflexão — transitando entre a música e a literatura com profundidade, sensibilidade e propósito.
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