Em meio ao cenário de destruição provocado pelas fortes chuvas que atingiram cidades mineiras, um gesto de solidariedade chamou a atenção. O vereador de Sabará, Alan do Vila, esteve na cidade de Ubá, na Zona da Mata, onde atuou como voluntário ajudando moradores e equipes que trabalham na reconstrução das áreas atingidas.
A Folha de Sabará conversou com o vereador enquanto ele ainda estava no local auxiliando nos trabalhos de limpeza e apoio às famílias que perderam tudo. Segundo ele, o cenário encontrado é difícil de descrever.
“A cidade parece um cenário de guerra. A força da água trouxe troncos, lama e muitos materiais que foram arrastados pela enchente, causando um prejuízo enorme. Muitos comerciantes perderam tudo e boa parte da cidade foi destruída”, relatou.
De acordo com Alan, a tragédia não atingiu apenas as áreas próximas ao rio. Bairros localizados em regiões mais altas também sofreram com a força das águas.
“Não foi só quem morava perto do rio. A parte alta da cidade também foi muito atingida. Não teve região que não sofreu, praticamente todo mundo teve prejuízo”, afirmou.
Apesar da presença do Exército, de equipes de segurança pública e de órgãos oficiais, o vereador destaca que grande parte da reconstrução está sendo realizada com a ajuda de voluntários.
“Tem muita gente ajudando, inclusive voluntários de várias regiões. Mesmo assim, a quantidade de serviço é enorme e ainda não é suficiente para dar conta de tudo”, explicou.
Segundo ele, a cidade tem uma geografia que contribui para agravar os impactos das chuvas. Ubá foi construída em um vale, às margens de um rio, e toda a água que desce das encostas acaba se concentrando na região central.
“Quando chove muito, toda essa água desce e derruba tudo que encontra pela frente. Essa foi uma das maiores enchentes que a cidade já enfrentou”, disse.
Além dos prejuízos materiais, outro problema começa a preocupar as equipes que atuam na região: os riscos à saúde pública.
Com o acúmulo de lama e resíduos trazidos pelas enchentes, aumentam as chances de contaminação e de doenças, como problemas respiratórios e leptospirose.
“Muitas famílias ficaram sem nada. Estamos vivendo uma crise humanitária, porque as doações nem sempre chegam na quantidade ou no tipo que as pessoas realmente precisam”, alertou o vereador.
Segundo ele, em alguns pontos da cidade serviços básicos ainda estão comprometidos, e o deslocamento de moradores e voluntários continua sendo difícil.
Enquanto voluntários de diversas regiões ajudam na reconstrução, o Governo de Minas Gerais, junto às Forças de Segurança e diversos órgãos estaduais, mantém uma força-tarefa para acelerar a recuperação das cidades atingidas.
Equipes trabalham na limpeza das áreas afetadas, remoção de entulhos e apoio às famílias que perderam suas casas ou tiveram prejuízos materiais.
Entre as ações realizadas está também o trabalho de detentos, sob supervisão da Polícia Militar de Minas Gerais e da Polícia Penal, que estão atuando na limpeza de vias públicas e na retirada de resíduos deixados pelas enchentes.
O Estado também mobilizou maquinários e equipamentos para auxiliar na recuperação das cidades, reforçou a atuação da Defesa Civil, ampliou o monitoramento das áreas de risco e segue oferecendo suporte direto às famílias atingidas.
A mobilização tem como objetivo acelerar a reconstrução e garantir que os municípios consigam retomar suas atividades o mais rápido possível.
Durante sua permanência em Ubá, Alan participou diretamente de ações de limpeza e organização de áreas atingidas. Para ele, o que mais impressiona é a união de pessoas que se deslocaram de diferentes regiões para ajudar.
“Quem quiser vir ajudar será muito bem recebido. O poder público sozinho não consegue dar conta de tudo. A mão de obra voluntária é fundamental nesse momento, seja de pessoas comuns, empresários ou profissionais que possam contribuir”, destacou.
A experiência também trouxe uma reflexão sobre a importância de valorizar a vida e cultivar a gratidão.
“Às vezes a gente reclama de coisas pequenas, mas quando vê de perto uma tragédia dessas, percebe que a vida é o nosso bem maior. A gratidão muda a forma como enxergamos cada dia”, disse.
A tragédia vivida não apenas em Ubá, mas também em Juiz de Fora e Matias Barbosa, cidades mineiras que sofreram com os impactos das fortes chuvas, trouxe um alerta importante para Sabará. Para o vereador Alan do Vila, acompanhar de perto a situação dessas cidades reforça a necessidade de investir em prevenção e planejamento urbano.
Ele lembrou que o município recebeu, no ano passado, cerca de R$ 60 milhões em recursos federais do Novo PAC Seleções para obras de contenção de encostas. O contrato foi assinado em dezembro de 2025 e deve beneficiar diretamente 264 famílias que vivem em áreas de risco.
As intervenções têm como objetivo reduzir riscos de deslizamentos, proteger moradias vulneráveis e ampliar a segurança da população diante de eventos climáticos extremos.
Segundo Alan, presenciar a dimensão da tragédia nas cidades atingidas reforçou a importância de Sabará continuar investindo em obras estruturais e ações preventivas.
“Sabará precisa continuar avançando nessas obras. Hoje a cidade não tem estrutura para suportar um desastre desse tamanho, por isso é fundamental acompanhar de perto cada investimento que possa proteger nossa população”, afirmou.
Entre as medidas adotadas pela Prefeitura de Sabará para reduzir riscos durante o período chuvoso está a limpeza e drenagem do córrego próximo ao Abrigo Irmã Tereza, no bairro Córrego da Ilha, região que sofreu com fortes impactos das chuvas nos últimos anos.
Outra intervenção importante foi a limpeza do Córrego Malheiros, considerado um dos pontos historicamente mais críticos da cidade durante temporais. As ações incluíram retirada de resíduos acumulados, limpeza das margens e desobstrução do leito dos córregos, aumentando a capacidade de escoamento da água e ajudando a prevenir alagamentos.
Para Alan do Vila, acompanhar de perto a realidade das cidades atingidas reforçou ainda mais a importância da prevenção.
“Ver tudo isso de perto muda completamente a forma como a gente enxerga a cidade. Não vou esquecer o que presenciei. Isso me fez buscar ainda mais projetos e acompanhar de perto cada investimento que possa proteger nossa população”, afirmou.
Mais do que obras ou números, a experiência deixa uma mensagem clara: a reconstrução de uma cidade começa pela solidariedade e pelo compromisso de pessoas dispostas a estender a mão ao próximo.





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