O cenário eleitoral em Minas Gerais ganhou novos contornos após o vazamento de anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O documento, revelado pela Folha de S.Paulo, cita possíveis nomes para a disputa ao governo mineiro e expõe avaliações internas sobre o impacto eleitoral de cada pré-candidato.
Entre os nomes que emergiram com força está o do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe. Empresário do setor têxtil, ele está em seu segundo mandato à frente da entidade e já comunicou à diretoria que pretende se desincompatibilizar do cargo em abril, movimento interpretado como passo decisivo rumo a uma eventual candidatura, possivelmente pelo Partido Liberal.
Em entrevista concedida nesta segunda-feira (2), na sede da federação, Roscoe afirmou que sua possível entrada na disputa não seria movida por um “projeto de poder”, mas pela intenção de contribuir com o desenvolvimento do Estado. Segundo ele, há diálogo em curso com lideranças políticas, ainda em estágio preliminar. “O movimento político depende de várias variáveis. O objetivo é contribuir com o processo, somar e não dividir”, declarou.
As anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro mencionam o vice-governador Mateus Simões (PSD) como um nome que poderia “puxar para baixo” o projeto presidencial do grupo bolsonarista em Minas. Simões é aliado do governador Romeu Zema (Novo) e possivelmente tem o apoio de parlamentares como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro afirmou que o conteúdo não expressa posições pessoais, mas sim avaliações e palpites apresentados por lideranças locais durante reuniões partidárias.
O episódio escancarou uma divisão já existente no PL mineiro. Parte da sigla defende o apoio a Simões; outro grupo avalia que o vice-governador enfrenta dificuldades eleitorais e poderia comprometer o desempenho do bolsonarismo no Estado.
Nos bastidores, o partido trabalha com três hipóteses: apoiar Simões, apoiar o senador Cleitinho (Republicanos) ou lançar candidatura própria. Neste último cenário, Roscoe surge como alternativa de consenso caso as negociações não avancem.
A articulação envolve lideranças estaduais e nacionais. Roscoe mantém diálogo com parlamentares do PL e com o senador Rogério Marinho (PL-RN), um dos coordenadores políticos do grupo.
Além da disputa estadual, fontes indicam que o nome do industrial também chegou a ser ventilado para compor eventual chapa presidencial encabeçada por Flávio Bolsonaro, em movimento que repetiria a estratégia adotada por Jair Bolsonaro em 2022, quando teve como vice o general Walter Braga Netto, nascido em Belo Horizonte.
Por ora, a eventual candidatura de Roscoe é tratada como plano alternativo e dependerá do desfecho das negociações políticas nas próximas semanas. Enquanto isso, o vazamento das anotações intensificou o debate interno no PL e reposicionou o empresário no centro das articulações eleitorais em Minas Gerais.
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