O escritor sabarense Carlos Márcio conquistou o Prêmio Resistência 2025, importante reconhecimento nacional dedicado a valorizar autores negros no Brasil. Com o livro Racismo: Constante como o Tempo, ele foi o vencedor na categoria Poesia, destacando-se pela profundidade com que aborda o racismo estrutural, a memória e a identidade negra.
O Prêmio Resistência, promovido pela Editora A Arte da Palavra, oferece publicação gratuita da obra vencedora, fortalecendo a literatura brasileira e abrindo espaço para novas vozes.
Infância em Sabará e raízes culturais
Em entrevista exclusiva à Folha de Sabará, o escritor fez questão de destacar seus laços com a cidade onde nasceu e cresceu.
“Passei minha primeira infância no Centro Histórico, próximo ao Kaquende. Brinquei nas ruas do bairro Siderúrgica e vivi minha adolescência e início da vida adulta no Centro, na Rua Abreu Guimarães.”
Filho de Nem (neto de Querubim) e de Ângela, que trabalhou na Santa Casa de Sabará, Carlos cresceu rodeado pela religiosidade, pela cultura popular e pelas tradições da cidade.
Sua formação escolar começou no Recanto Criança Feliz (1991–1995), seguiu na Escola Christiano Guimarães (1996–2000) e foi concluída na 8ª série no Colégio Augustus (2001).
Da Santa Cecília à literatura
A música também teve papel fundamental em sua trajetória. Foi na centenária Sociedade Musical Santa Cecília, por meio de um projeto social, que o sabarense teve seu primeiro contato com o violoncelo, na época em que o Ministério da Cultura era comandado por Gilberto Gil.
A experiência com a Santa Cecília, uma das corporações musicais mais tradicionais de Sabará, foi determinante para despertar sua sensibilidade artística.
“A música me escolheu. A Santa Cecília me apresentou a arte e mudou meu caminho”, relembra.
Esse encontro com a arte abriu portas para que mais tarde viesse a literatura, inicialmente como curiosidade e, com o tempo, como ferramenta de resistência e identidade.
Atualmente, Carlos mora no bairro Cidade Nova, em Belo Horizonte.
O livro
O livro premiado reúne poemas, crônicas e um ensaio que cruzam história, cotidiano e crítica social, sempre com sensibilidade e reflexão. O autor fala de violências históricas, mas também de afetos, família e memórias — especialmente a relação com sua avó Maria, que inspira um de seus próximos projetos literários.
“Escrever é erguer tijolos para a dignidade negra. Cada palavra é uma forma de quebrar silêncios.”
A premiação foi recebida com emoção:
“Foi uma grande alegria. Saber que minha escrita tocou outras pessoas é muito gratificante.”
A obra está a venda em no site e nas redes da Editora A Arte da Palavra. (@editora_aartedapalavra)
A elevação do nome de Sabará no cenário nacional reforça o orgulho da cidade por seus talentos culturais.
“Escrever é hábito. Reescreva, revise, tente de novo. Continue até reconhecer a sua voz no texto.”
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