Diante da grave crise que estamos vivendo com a falta de chuvas, o baixo nível dos reservatórios e a real possibilidade de um racionamento de água, nos perguntamos: e Sabará?
Nossa cidade é cortada pelos Rios das Velhas e Sabará, que é seu afluente, além de vários córregos. A vazão do Rio das Velhas está em 20,8m³/s, de acordo com informações do site da Copasa.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Cleber Ignus , Sabará é uma cidade rica em nascentes. Entre as várias existentes, o gerente operacional da Secretaria de Meio Ambiente, Agrinélio do Amaral, cita nascentes no Pompéu, Gaia, Cisne, São Francisco, Chácara do Lessa, onde há duas, Arraial Velho, Galego, Mineração, Cabral, Morada da Serra, Sobradinho e outras. Ele afirma que as nascentes têm muita água e com certeza se bem utilizada poderá ajudar muito. Agrinélio fala que a água no Gaia, por exemplo, poderia ser muito bem aproveitada, como já foi no passado e em várias outras nascentes, que antigamente eram utilizadas pela comunidade, como a do Morro da Cruz, onde a mina jogava água na caixa d?água e essa era distribuída para população.
O professor Luiz Mário Queiroz Lima, doutor em Engenharia Hidráulica e Saneamento, é consultor da prefeitura de Sabará e tem realizado um trabalho na cidade com o objetivo de aproveitar a riquíssima fonte de água existente no município. Ele afirma que a riqueza de Sabará não está apenas nas nascentes, mas na sua geomorfologia que é caracterizada por um formato montanhoso que faz com que a água da chuva se infiltre e vá para o lençol freático, fazendo com que a região se torne uma das mais ricas do Estado em reservas de água.
O professor diz que está sendo feito um estudo para aproveitar vários pontos de Sabará em que as terras estão inclinadas em 45º, se isso fosse aproveitado a cidade poderia ter por volta de mil lagos ou represas, dessa forma poderia fornecer água para cerca de 700 mil pessoas, abastecendo não só Sabará, mas também cidades vizinhas. Além disso, contribuiria para produção de frutas vermelhas que ajudaria para a economia da cidade.
Em relação ao Kaquende, o professor diz que a água poderia ser redistribuída para a população, abastecendo a cidade. Segundo ele, a intervenção é bem simples. Não só ela, como a de diversas nascentes.
Ele afirma que seria importante a cidade criar uma agência municipal para as águas, onde pessoas que possuem nascentes em suas propriedades pudessem receber royalties pelas águas.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, um dos principais motivos do extermínio de nascentes é o crescimento desordenado da cidade, onde as pessoas e até algumas construtoras constroem no local assoreando a nascente. A agência, sugerida pelo professor, contribuiria para a preservação das nascentes.
O certo é que é extremamente importante preservarmos nossas nascentes e desenvolvermos projetos que contribuam para o aproveitamento da água, pois com certeza esse esforço nos ajudará muito em um futuro muito próximo.
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