“Meu objetivo é dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelos meus pais. Não tive dúvidas de que queria a cafeicultura quando fiz minha inscrição”. A declaração da jovem Luara Salles, de 17 anos, do município de São Pedro da União, no Sul de Minas, representa o espírito do programa Futuro no Campo, que está capacitando 506 jovens em Minas Gerais para atuarem com mais autonomia, técnica e visão empreendedora nas atividades rurais.
Lançado em novembro de 2024 pela Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) , o programa recebeu mais de 1,4 mil inscrições e selecionou jovens entre 16 e 29 anos, filhos de agricultores, com potencial para liderar transformações nas propriedades rurais de suas famílias. A proposta é ambiciosa: oferecer capacitação técnica (virtual e presencial), acompanhamento por, no mínimo, 12 meses e fomento à produção rural, ampliando oportunidades de geração de renda, inovação e sucessão familiar no meio rural.
Capacitação com prática
A primeira fase do programa começou em fevereiro deste ano, com visitas de extensionistas da Emater-MG às propriedades para realização de diagnósticos. O objetivo foi levantar informações sobre a situação da produção e acompanhar a evolução de cada projeto ao longo do ano.
Em abril, os jovens iniciaram as capacitações on-line com carga horária de quatro horas, nas temáticas dos projetos para os quais foram selecionados. As aulas foram gravadas com especialistas da empresa, de diversas áreas, e disponibilizadas em uma plataforma digital, de fácil acesso.
Atualmente, a maioria dos selecionados está participando do aprendizado prático presencial. Nesta fase, eles recebem a visita dos técnicos da Emater-MG para aplicação na propriedade das técnicas orientadas nas aulas on-line. São 16 horas de treinamento presencial.
Ainda em 2025, haverá novas capacitações on-line. Desta vez, os conteúdos serão sobre agroecologia, meio ambiente, gestão da atividade, comercialização e inclusão digital, fortalecendo competências essenciais para empreender no meio rural.
Após a conclusão das etapas de capacitações, os participantes terão acesso ao fomento — como insumos, equipamentos, sementes ou ferramentas —, além de acompanhamento técnico por um ano, garantindo suporte contínuo para o desenvolvimento das atividades.
A coordenadora estadual do programa, Luziane Dias de Oliveira, destaca que a capacitação vai muito além da transferência de conhecimentos. “A Emater-MG instituiu o Programa Futuro no Campo para ampliar o protagonismo dos jovens nas atividades desenvolvidas em suas propriedades, fortalecer os indicadores sociais e assegurar uma vida próspera para a juventude do campo e para suas famílias”, afirma.
Seleção e projetos
Os participantes foram distribuídos entre diferentes projetos, de acordo com o perfil de produção e as escolhas dos jovens. São eles: Jovens do Café, Jovens do Leite e Jovem Empreendedor Rural, com foco em olericultura, fruticultura, apicultura e avicultura de postura.
De acordo com o edital de Chamada Pública, cada jovem pôde se inscrever em apenas um projeto. Os critérios de seleção incluíram estar estudando, ter curso técnico, fazer parte de família acompanhada pela Emater-MG e estar inscrito no CadÚnico. O processo seletivo abrangeu todo o estado.
Com investimento inicial de R$ 1,9 milhão, proveniente de recursos próprios da empresa, o programa prevê expansão com apoio de parcerias públicas e privadas.
Incentivo aos filhos
Em Frei Gaspar, no Norte de Minas, a jovem Maria Clara Barbosa, de 18 anos, foi uma das selecionadas para o programa Futuro no Campo. Formada como técnica em agropecuária, ela ajuda o pai na lida da propriedade, que produz café, banana, feijão e ovos caipiras.
O projeto escolhido por ela ao se inscrever no Futuro no Campo foi a avicultura de postura. A ideia é aumentar a produção de ovos, já que a procura é grande. Além das capacitações, ela irá receber também pintainhas e ração para incrementar a criação.
“Eu não penso jamais em sair daqui. Quando recebi a notícia que fui selecionada, fiquei muito feliz, juntamente com toda a minha família. Isso gerou uma expectativa na gente de crescer com o nosso negócio, onde a gente mora, nosso desenvolvimento melhorar. Foi uma grande oportunidade para nós”, comemora a jovem.
O pai da Maria Clara, o produtor Darlan Tobias, fala com emoção sobre o progresso da filha. “Eu tenho apenas a terceira série do ensino primário. Estudei para chegar ao quarto ano, mas não passei. Por isso que eu incentivo meus filhos a estudar. A gente nunca teve um apoio como agora”.
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