Historiadores apontaram o movimento da Confederação do Equador como um destacado marco para a consciência republicana do país e para o reconhecimento da importância de uma constituição federal. Essas declarações foram feitas nesta terça-feira (1º) durante a audiência pública no Senado.
A audiência foi promovida pela comissão temporária criada para comemorar o aniversário de 200 anos do movimento revolucionário republicano nordestino, que desafiou a monarquia de Dom Pedro I e defendia a implantação de um regime republicano e federalista. A Confederação do Equador eclodiu em 2 de julho de 1824, em Pernambuco, e se espalhou para as províncias vizinhas, como Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
A presidente da comissão, senadora Teresa Leitão (PT-PE), foi quem conduziu a audiência. Ela afirmou que o movimento nordestino se destacou pela diversidade e que, ainda hoje, indica a importância da busca incessante pela democracia. Segundo a senadora, o trabalho da comissão e de apoiadores ajudou a coletar e organizar um material que estará à disposição de estudantes, historiadores e pesquisadores.
— Com o trabalho da comissão, descobrimos coisas que ficarão gravadas na história — declarou Teresa.
O diplomata e historiador André Heráclio do Rêgo, organizador do livroA primeira revolução constitucionalista brasileira: a Confederação do Equador no seu bicentenário,afirmou que a ideia dessa obra é resgatar a ideia constitucionalista, como uma reação ao golpe de Estado que ocorreu quando o imperador dissolveu o Legislativo, em 1823.
Segundo André do Rêgo, a Confederação do Equador, como revolução constitucionalista, foi mais significativa e teve efeitos mais duradouros que outras revoluções históricas no país.
— Naquele tempo já se tratava de temas atuais, como o equilíbrio federativo e o controle constitucional — afirmou o diplomata.
De acordo com André do Rêgo, a Confederação do Equador foi um movimento essencial para a independência do Brasil, pois não era apenas contrário à dissolução do Legislativo, mas também defendia o país como uma república — o que só viria ocorrer quase 70 anos depois.
O historiador George Felix Cabral de Souza, que foi um dos organizadores do livroConfederação do Equador: a luta pela cidadania na construção do Brasil, se disse orgulhoso de ter participado da produção de um livro sobre o assunto. Ele destacou que essa obra, uma produção do Senado, é um “legado” para as próximas gerações.
Para George de Souza, é importante estudar a Confederação do Equador pelo fato de o movimento apontar para um momento em que o país começa a pensar em república. Ele também destacou como mérito do movimento o fato de refletir sobre temas como educação pública e justiça tributária.
— É importante também honrar a memória daqueles que lutaram. Acho que nenhum outro movimento sofreu uma repressão tão intensa. Muitos tiveram que amargar o exílio. Foram 30 condenados à morte — registrou.
O professor Marcus Joaquim Maciel de Carvalho, do Departamento de História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que também foi organizador da obraConfederação do Equador: a luta pela cidadania na construção do Brasil, destacou a parceria do Senado com outras instituições no trabalho de pesquisa sobre o movimento. Em tom de brincadeira, ele disse que, para um historiador, “o passado também é imprevisível”.
O professor Josemir Camilo de Melo, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), organizador do livroA Paraíba na Confederação do Equador, e o historiador e general Júlio Lima Verde Campos de Oliveira, organizador da obraOs Mártires da Confederação do Equador no Ceará, também participaram da audiência.
Mais cedo, a senadora Teresa Leitão participou do lançamento de publicações e da abertura da exposiçãoConfederação do Equador: Uma história de luta pela cidadania . Durante essa cerimônia, ela agradeceu o apoio de servidores, de colegas senadores e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na viabilização da mostra.
— É com a sensação do dever cumprido que hoje nos reunimos para a publicação de livros e para a abertura da exposição — afirmou ela.
Documentos, gravuras e registros do movimento ficarão expostos no Salão Negro até o dia 7 de julho. Os senadores Fernando Dueire (MDB-PE) e Humberto Costa (PT-PE), além de historiadores e representantes diplomáticos, participaram da abertura da exposição. A diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, também esteve presente.
Logo depois da audiência, foi lançado o vídeoOutras Terras,Outras Gentes, segunda parte do documentárioUma outra independência, produzido pela TV Senado para a comissão temporária. A estreia desse vídeo na programação da TV Senado ocorrerá no dia 5 de julho, às 21h. A primeira parte do documentário, intitulada Um herói sem rosto , foi lançada no final do ano passado.
— É importante revisitarmos a história, agora com um outro olhar — destacou o diretor do documentário, Jimi Figueiredo.
A comissão temporária, composta por cinco senadores titulares e mesmo número de suplentes, foi instalada no final de 2023, com o objetivo de planejar e coordenar as atividades de comemoração dos 200 anos da Confederação do Equador. Na próxima segunda-feira (7), para marcar o encerramento dos trabalhos da comissão, haverá uma sessão solene no Plenário para celebrar o movimento revolucionário.
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