Na terça-feira, 25, a promotora de Sabará, Dra. Marise Alves, reuniu com os vereadores para tentar buscar uma solução para o mal estar causado pela Indugaia aos moradores que moram próximo à empresa e em diversas partes da cidade.
A promotora apresentou aos vereadores um processo que tramita no Ministério Público desde 1992, e trata da degradação do meio ambiente provocada pela empresa.
Recentemente a promotora enviou um pedido de perícia na Indugaia para dar continuidade ao processo. No pedido ao SISEMA (Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), em primeiro de abril de 2014, a promotora pontua que o mau cheiro causado pela empresa é insuportável e chega a humilhar os moradores das imediações, já que interferem até no paladar, ?ela impõe aos moradores a sensação desagradável por serem obrigados a conviver com o mau cheiro durante anos?, diz o documento.
Porém, a perícia do MP constatou que não há degradação ambiental por parte da empresa. Assim, a continuidade do processo provavelmente não apresentará resultado efetivo contra a Indugaia, uma vez que não há provas.
Diante disso, a promotora procurou os parlamentares para que juntos pudessem encontrar uma solução.
Durante a reunião os vereadores sugeriram caminhos que podem se seguidos para resolver a questão. Afinal, apesar de a perícia ter concluído que o trabalho realizado pela Indugaia não prejudica o meio ambiente, ele causa mal estar ao ser humano e fere a dignidade das pessoas.
Uma das propostas foi apresentada pelo vereador Pedro Martins. Ele propõe que a empresa seja transferida para uma área mais distante, onde não há moradores próximos. Para isso seria necessária a interferência direta da Prefeitura.
O vereador Hamilton Alves lembrou que em 2013 a Câmara aprovou um projeto de lei de sua autoria em parceria com Lucas Silva em que obriga a empresa a utilizar um produto que ajuda a quebrar a molécula que produz o mau cheiro e ainda a adaptar os veículos que transportam o material. O vereador ressalta que mesmo com a lei aprovada, a Prefeitura não agiu. Ele acredita que com a simples ação da Prefeitura o problema poderia ser amenizado. Lucas Silva também ressaltou a importância da ação do Executivo e destacou que apesar do odor não prejudicar o meio ambiente, traz muito transtorno às pessoas.
O vereador Maurílio Barbosa destacou a importância de ampliar o diálogo com todos envolvidos, principalmente com a empresa. O parlamentar ressaltou que não se pode agir sem pensar nos trabalhadores da Indugaia, pois é fundamental conversar para que a solução encontrada não prejudique essas pessoas.
Ao final da reunião vereadores e promotora concluíram que o próximo passo a ser dado será mobilizar a população diante desta questão, foi proposto fazer um abaixo-assinado e escolher um dia para realizar ações contra o mau cheiro.
Indugaia
Na quarta-feira, 26, a equipe da Folha de Sabará visitou a Indugaia acompanhada pelo gerente da empresa, Antonio Rodrigues Júnior.
O gerente destacou que a empresa não polui o meio ambiente, pelo contrário tira um subproduto perecível do meio ambiente que são os ossos, vísceras, sebo e o sangue de animais e os transformam em produtos. Além de investir constantemente em equipamentos modernos para reduzir o mau cheiro, produzido pelo cozimento desses produtos.
Ele diz que só no último ano foram investidos cerca de R$ 3 milhões em novos equipamentos. No fim de 2013 a Indugaia passou a trabalhar com um aerocondensador que tem o objetivo de reduzir ao máximo o mau cheiro. O gerente explica que o maquinário transforma os gases em líquidos. Antes os gases eram lavados gerando um volume maior de água, hoje todos passam por um condensador e são transformados em uma menor quantidade de líquido. Como o equipamento não tem capacidade de condensá-los totalmente, o restante passa por um filtro biológico. Nesse filtro é desenvolvida uma bactéria que absorve o cheiro existente nos gases restantes.
Além disso, a empresa adquiriu uma fornalha para queimar os gases produzidos no processo de cozimento do sangue. A fornalha queima os gases a 800 graus, os deixando neutros, ou seja, não gerando cheiro. O equipamento já está em funcionamento.
O mais novo maquinário da empresa que passará a funcionar em janeiro é tridecanter, o aparelho separa o óleo, a água e o sólido. Toda a água gerada no processo passa no equipamento, dessa forma água será jogada na lagoa limpa e fria.
Além disso, todos os caminhões da empresa são totalmente adequados para realizar o transporte da matéria prima,hoje todos os veículos são da empresa,o que diminuiu muito os problemas do transporte nas estradas.
Júnior diz ainda que a empresa é fiscalizada periodicamente pela FEAM e Ministério da Agricultura. A cada 15 dias a empresa faz uma análise da água que é lançada no rio, o resultado é informado para a FEAM e para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
A Indugaia produz farinhas feitas de sangue e ossos bovinos, e ainda sebo, utilizado na produção de sabão, sabonete e detergente. Atualmente a maior parte desse produto, cerca de 70%, é vendido para Petrobras para a produção de biodisel.
Hoje a empresa, que segue todas as normas e leis ambientais, recicla de 150 a 200 toneladas de subproduto por dia. São 300 pessoas empregadas direta e indiretamente. A empresa trabalha 24 horas. A maior parte do cozimento é feito durante a noite e madrugada, pois os caminhões vindos dos frigoríficos chegam ao fim do dia.
Para finalizar, Júnior diz que a Indugaia está com as portas abertas para receber os poderes constituídos como também a sociedade para conhecer de perto a realidade da empresa.
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