A ambliopia, conhecida popularmente como "olho preguiçoso", ocorre quando um dos olhos não desenvolve plenamente sua capacidade visual. Essa condição ocular pode ser causada por fatores como estrabismo, diferenças acentuadas de grau entre os olhos ou privação visual, como no caso de catarata congênita. Como consequência, o olho afetado deixa de enviar imagens nítidas ao cérebro, o que reduz a acuidade visual e, se não tratada precocemente, pode levar a danos permanentes.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), o tratamento da ambliopia deve ser realizado preferencialmente até os sete anos, quando o córtex visual ainda está em pleno desenvolvimento. A oftalmopediatra Dra. Eliane Cardoso dos Reis, do Hospital de Olhos de Florianópolis (HOF), parte da rede Vision One, ressalta: “A ambliopia deve ser tratada antes dos sete anos porque o desenvolvimento da visão ocorre, em grande parte, até essa idade. A plasticidade neuronal do córtex visual tem uma melhor resposta até os sete anos, o que permite que a estimulação da visão seja mais eficaz”.
Embora o tratamento da ambliopia em crianças mais velhas ou adultos seja possível, os resultados obtidos são significativamente inferiores. "Pelos estudos científicos, percebemos que o tratamento da ambliopia em crianças mais velhas, depois dos 14 anos, ou em adultos, não é satisfatório. Não existem evidências que comprovem uma melhora expressiva na acuidade visual nesses casos", afirma Dra. Eliane.
A especialista reforça que o tratamento deve ocorrer preferencialmente até os sete anos, mas pode ser realizado até os 10 anos em casos específicos, como em crianças com alta hipermetropia.
Opções de tratamento para ambliopia
Em relação às formas de tratamento, a médica explica que, para crianças menores de sete anos, o tratamento da ambliopia geralmente envolve o uso de oclusores (tampões) no olho saudável, estimulando o olho mais fraco, ou o uso de colírio de atropina, que reduz temporariamente a visão do olho bom. Ambas as abordagens visam forçar o cérebro a utilizar o olho afetado, promovendo a recuperação visual.
Após os sete anos, essas abordagens ainda podem ser utilizadas, especialmente em crianças com alta hipermetropia. "Temos estudos científicos que mostram que, após os sete anos, o tratamento é efetivo principalmente em hipermétropes. Além disso, há pesquisas em andamento sobre terapia visual binocular como complemento ao tratamento tradicional", alerta Dra. Eliane.
Por fim, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica destaca a importância da investigação ativa da ambliopia, uma vez que as crianças, em sua maioria, não percebem as dificuldades visuais que enfrentam. Nesse contexto, cabe aos pais e responsáveis garantir que os pequenos realizem consultas oftalmológicas regulares e sigam a periodicidade dos exames conforme orientação médica.
Iniciativas como o cartão Visão Saúde têm contribuído para ampliar o acesso a cuidados oftalmológicos, oferecendo condições facilitadas para consultas de rotina e exames em hospitais especializados, especialmente para famílias sem plano de saúde.
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