A indústria química voltada para os cuidados e manutenções capilares precisa estar em constante renovação para acompanhar as tendências do momento. Segundo um relatório do Google Trends, divulgado pelo portal de notícias Metrópoles, entre 2020 e 2022 as buscas por “cabelos lisos” na plataforma aumentaram 119%. Os números contrastam com os anos anteriores, que registraram um crescimento superior a 70% nas buscas pelo termo “transição capilar” entre 2014 e 2017.
Antes de fazer qualquer procedimento nos cabelos é importante pesquisar e estar ciente dos produtos usados, alerta Keith Kanegae, terapeuta capilar e criadora do método Lisoterapia. A especialista aponta para um problema que pode causar sérios danos aos fios: a incompatibilidade química.
De acordo com Keith, isso ocorre quando dois ou mais produtos químicos usados em processos capilares têm composições que reagem de maneira adversa nos fios e não é feita uma anamnese correta para verificar o histórico químico do cabelo.
“O principal risco da incompatibilidade entre produtos é o corte químico, que ocorre quando os fios perdem a força estrutural e se rompem”, ressalta. Keith também reforça que existem vários tipos de ativos alisantes e cada um age de maneira específica na estrutura interna dos fios.
A especialista explica que, nos alisamentos, existem dois tipos de bases, as ácidas e alcalinas. “Nas ácidas, temos o henê e os alisamentos sem formol onde o pH é abaixo de 7. Progressivas de formol também entram na base ácida, pois seu pH é bem abaixo de 7, mas sempre devemos lembrar que o formol, como ativo alisante, é cancerígeno e proibido pela Anvisa”, destaca.
Já nas bases alcalinas existem os tióis, guanidina e hidróxidos, nos quais o pH é acima de 7. De acordo com a terapeuta capilar, os alisamentos ácidos sem formol não rompem nem eliminam as pontes disulfeto. “Isso significa que a estrutura interna do fio permanece intacta, o que torna esses produtos compatíveis com outras químicas, inclusive descolorações”, informa.
Cuidados na hora de realizar um alisamento capilar
Para um alisamento seguro e com um bom resultado, Keith dá algumas dicas importantes, como a avaliação prévia do cabelo, com uma anamnese detalhada e, dependendo da química que será utilizada, é preciso fazer teste de mecha para avaliar a compatibilidade e a resistência dos fios.
Além disso, o ambiente no qual o procedimento será feito também precisa estar preparado. “A profissional deve usar luvas, máscaras e aventais para evitar contato direto com produtos químicos”, ressalta.
Por fim, é necessário estar atento à manutenção pós-procedimento, com o uso de produtos específicos e cuidados constantes.
Produtos precisam ser registrados pela Anvisa
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, todos os alisantes capilares, inclusive os importados, precisam ser registrados. “Alisantes sem registro estão irregulares e podem causar danos à córnea, queimaduras graves no couro cabeludo, quebra dos fios e queda dos cabelos”, informa a agência.
Produtos famosos pelo efeito alisante nos fios, como formol e glutaraldeído (glutaral) são proibidos pelo órgão, pois podem acarretar sérios riscos à saúde, desde irritação e coceira, até queimadura, queda do cabelo, falta de ar e dor de cabeça.
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