A Folha de Sabará recebeu recentemente um vídeo com uma mensagem de indignação de Chiquinho, uma figura amplamente conhecida na cidade. Para quem não o conhece, ele é o criador da menor TV do Mundo a TV Muro, que em 2024 completou 30 anos de existência, sendo um símbolo de criatividade, persistência e resistência cultural. A TV Muro, que começou no quintal de sua casa, tornou-se uma janela de Sabará para o mundo, uma pequena estação televisiva que inspirou gerações com sua programação inovadora e sem recursos, provando que sonhos podem ser realizados com imaginação e determinação.
Em maio deste ano, a TV Muro celebrou suas três décadas com a exposição "TV Muro 30 Anos", um evento que levou a população sabarense a uma verdadeira viagem no tempo. Foi uma homenagem ao espírito inventivo e à perseverança de Chiquinho, que transformou seu projeto em uma referência cultural e artística local, representando Sabará em programas de televisão de grande audiência, como os da Ana Maria Braga, Jô Soares e Rodrigo Faro.
Entretanto, apesar de sua trajetória admirável e seu imenso valor cultural, Chiquinho agora se vê penalizado por suas escolhas políticas, o que levanta sérios questionamentos sobre a liberdade de expressão e o respeito à diversidade de opiniões na esfera pública.
Após as eleições municipais de 2024, Chiquinho foi surpreendido com uma mudança brusca em sua vida profissional. Servidor concursado, ele ocupava o cargo de servente escolar, mas, por conta de uma arritmia cardíaca, havia sido transferido para funções menos desgastantes fisicamente, como porteiro e, posteriormente, para a Secretaria de Cultura, onde passou a desenvolver projetos educacionais com crianças, incluindo oficinas de brinquedos reciclados. Sua dedicação à cultura de Sabará é inegável. Foram quase 20 anos de serviço à cidade, elevando seu nome em diversas plataformas e programas de televisão nacionais.
No entanto, após sua candidatura a vereador nas últimas eleições, como apoiador do candidato Sargento Rodolfo, que saiu vitorioso, Chiquinho foi afastado de suas funções na Secretaria de Cultura. Ele relata ter sido "colocado à disposição", um eufemismo para dizer que foi mandado para casa, aguardando a decisão sobre onde será realocado. Esse afastamento, segundo ele, não tem justificativa profissional. Chiquinho acredita que está sendo punido por sua escolha política, uma vez que não fez críticas públicas à gestão atual durante a campanha eleitoral e tampouco foi responsável por qualquer denúncia.
“Me mandaram embora da Secretaria de Cultura após 20 anos de trabalho. Nas campanhas, não falei mal da gestão atual, não fiz nenhuma denúncia sobre o atual governo. Simplesmente escolhi um candidato a quem eu queria apoiar. Mas, parece que aqui em Sabará não podemos ser livres para escolher um partido ou candidato, porque, se o fizermos, sofremos penalidades", desabafou.
O caso de Chiquinho levanta uma reflexão sobre o papel das gestões públicas em respeitar as escolhas políticas dos servidores. O fato de ele ser afastado de suas funções, sem justificativas claras, sugere um cenário de perseguição política que não condiz com os princípios democráticos. Em uma democracia, o servidor público deve ter o direito de manifestar suas preferências eleitorais sem temer represálias ou perseguições no ambiente de trabalho.
Chiquinho, que se orgulha de ter representado Sabará em diversos programas de televisão de renome, hoje sente-se humilhado e desvalorizado. “Já espero sofrer e ser humilhado. Isso é triste, porque sempre tive orgulho de citar nossa cidade e nossa cultura em programas de grande repercussão", afirmou.
Futuro incerto
Agora, afastado de suas funções culturais, Chiquinho aguarda ansioso para ver qual será seu destino profissional dentro do serviço público. Ele espera que a nova gestão do Sargento Rodolfo, a quem ele apoiou nas eleições, possa reconhecer o valor de sua contribuição artística e cultural, e permitir que ele continue seu trabalho de levar arte e educação às escolas da cidade.
Seu caso, porém, abre uma ferida em Sabará: até que ponto estamos dispostos a penalizar a liberdade de escolha de nossos servidores em nome da política? Chiquinho não é apenas um servidor, ele é uma referência cultural que levou o nome de Sabará a níveis nacionais.
A comunidade de Sabará precisa se perguntar: é isso que queremos para nossos servidores? Chiquinho segue com a esperança de que a justiça será feita e que ele possa continuar a sua trajetória de sucesso, contribuindo com sua arte e seu trabalho para a cultura da cidade.
Enquanto isso, a TV Muro, com seus 30 anos de história, nos lembra que a criatividade e a liberdade são os maiores bens que uma sociedade pode ter. Será que estamos dispostos a abrir mão disso?
Nota da redação: Entramos em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Sabará e, até o fechamento desta matéria, não obtivemos retorno. Seguimos aguardando um posicionamento oficial para informar a comunidade sobre a situação e o posicionamento da administração quanto ao afastamento de Chiquinho.
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