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Atividades marcam dois anos de expulsão de comunidades em Barão de Cocais (MG)

Sirene da mineradora Vale tocou no dia 08 de fevereiro espalhando pânico entre moradores de Socorro, Tabuleiro, Piteiras e Vila Gongo

08/02/2021 10h05
Por: Glaucia Melo Clark
Fonte: MAM


Uma missa e uma carreata são as atividades que acontecem para marcar os dois anos do despejo sofrido nas comunidades de Socorro, Tabuleiro, Piteiras e Vila Gongo pela mineradora Vale. A população teve que sair de suas casas com a roupa do corpo, sem direito a recolher seus pertences, na madrugada do dia 08 de fevereiro de 2019, e assim permanecem até hoje. A missa acontecerá no domingo (07), às 10h, na comunidade de Socorro, e a carreata será em Barão de Cocais, às 8h30, com concentração em frente ao Centro de Distribuição da Vale.

O disparo da sirene anunciava o risco de rompimento da barragem Sul Superior, que faz parte do Complexo de Gongo Soco, da mineradora Vale, duas semanas após o rompimento da barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, que matou 273 pessoas. "Vi idosos sendo removidos de suas casas em carrinhos de mão. A Vale já sabia do disparo e não comunicou a ninguém. Estávamos todos estarrecidos com o acontecimento recente de Brumadinho, então aquela memória da lama estava muito presente em todos nós”, conta Élida Couto, da Comissão de Moradores de Socorro. "Instalaram sirenes mas não prepararam os primeiros socorros para ninguém", desabafa.

Proibidos pela mineradora de buscar seus pertences, casas foram saqueadas e itens de valor simbólico e financeiro foram levados. Nos últimos dois anos, a Vale tem ignorado os direitos da população e realizado obras que não contribuem com a devida reparação de Barão de Cocais. “O interesse da Vale está muito claro: ela quer o domínio completo de todo o território de Socorro, sem apresentar um calendário para desativar a barragem, impondo de maneira desleal negociações individuais para as famílias venderem suas casas”, explica Luiz Siqueira, da coordenação nacional do Movimento pela  Soberania Popular na Mineração, o MAM.

O MAM busca construir, junto à Associação e Comissão dos moradores de Socorro, Tabuleiro, Piteiras e Vila Gongo, a resistência necessária para o enfrentamento da pauta. “Nesses dois anos nos mantemos firmes e em luta, mas ainda há muito para conquistar. Não vamos permitir que 300 anos de história sejam engolidos pela lama”, conclui Luiz.


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