No próximo dia 1º de novembro, uma das mais notáveis cidadãs de Sabará, Maria dos Santos Moreira, mais conhecida como Maria Bonita, completa 80 anos de uma vida dedicada à cultura, festividades e resistência. Sua história é cheia de superações e momentos marcantes que moldaram sua trajetória.
Recentemente, Maria Bonita emocionou a todos ao compor a música "80 Anos Bem Vividos", uma homenagem ao cantor Zeca Pagodinho. A canção, fruto de uma colaboração com o interprete Vicente Dendém, promete tocar os corações de muitos com sua letra carregada de emoção. O desejo de Maria é conhecer pessoalmente o famoso Quintal do Zeca, um sonho que poderá se concretizar se sua história alcançar os ouvidos do próprio Zeca Pagodinho no Rio de Janeiro.
A gravação desta faixa especial, na qual a Folha de Sabará teve a honra de acompanhar no último dia 25 de outubro, revelou a energia contagiante e a paixão que Maria Bonita carrega consigo. A letra da música escrita por ela, reflete a personalidade vibrante de Maria, que sempre levou alegria e otimismo por onde passou. Com trechos como "Quero, saber, Eu Quero saber, Onde é o Quintal do Zeca. Zeca Pagodinho Abençoado, leva no Coração só Felicidades", a música promete se tornar um hino de celebração de uma vida bem vivida.
A expectativa é de que a música seja lançada oficialmente nas próximas semanas no programa do Acir Antão, na rádio Itatiaia, alcançando ouvidos em todo o Brasil e aquecendo os corações com sua mensagem de alegria e gratidão.
Trajetória e momentos difíceis
Desde muito nova, Maria enfrentou diversos desafios. Aos nove anos, começou a trabalhar como empregada doméstica, uma responsabilidade precoce da qual ela se orgulha muito. Sua infância também foi marcada por outras adversidades, incluindo a separação dos pais, o que a levou a assumir múltiplos trabalhos, incluindo a coleta de ferro velho e lenha para venda.
"Me recordo de um Natal em especial", ela compartilha. "Meu pai não poderia me presentear, então, com meu próprio dinheiro, comprei uma boneca que só mexia os braços. Vestindo-a com um vestido de chita e embrulhando com carinho, coloquei discretamente atrás da porta. Quando finalmente a peguei, a felicidade que senti foi como se tivesse sido presenteada por um anjo", contou.
Após anos de trabalho como doméstica, Maria encontrou uma oportunidade na Santa Casa, graças ao Dr. Cássio Trindade. Inicialmente, assumiu o papel de faxineira, mas com sua natureza curiosa e diligente, rapidamente ascendeu para a posição de auxiliar de enfermagem. "Naquela época, não era exigido que eu fizesse cursos de especialização. Então, por estar sempre ajudando as enfermeiras, aprendi tudo o que pude", lembra ela.
Durante seus quase seis anos na Santa Casa, o Dr. Gilberto, um médico respeitado, encorajou a buscar o curso de enfermagem. No entanto, em um ponto crucial de sua vida, Maria decidiu se casar aos 26 anos. Nos três anos seguintes, enfrentou tempos difíceis, enquanto seu marido, um caminhoneiro, frequentemente estava fora, deixando-a em apuros financeiros. Determinada a mudar sua situação, Maria decidiu frequentar um curso de cabeleireira.
Com um novo conjunto de habilidades, ela abriu seu próprio salão de beleza, o que a levou a uma jornada de independência financeira. Com o passar do tempo, Maria não apenas conseguiu sustentar a si mesma, mas também percebeu que não precisava mais do apoio financeiro de seu marido. "Apesar de gostar muito dele, percebi que o respeito estava ausente em nosso relacionamento", ela admite.
Em um trágico episódio, ela sobreviveu a um atentado violento em sua própria casa, durante o ano de 1976. Seu ex-marido, insatisfeito com a separação, tentou tirar sua vida. Contudo, a coragem e a proteção divina se manifestaram de maneira extraordinária, com uma bolsa que salvou sua vida ao amortecer os tiros que poderiam ter sido fatais. Mesmo nesse momento terrível, Maria não permitiu que o trauma a definisse. "Eu não me importei muito, sabia que não iria morrer. Eu pedi a Deus para não me levar antes de criar meu filho e por isso tinha tanta certeza, que mesmo que acontecesse qualquer coisa, eu sempre sobreviveria", lembra ela.
Assista o vídeo e ajude a compartilhar para que Zeca Pagodinho receba esta ilustre sabarense:
Figura marcante
Durante muitos anos, Maria Bonita desempenhou papéis importantes na comunidade de Sabará. Sua presidência na escola de samba Rancho das Flores e a criação do emblemático Bloco da Dureza, originado após uma enchente que atingiu Sabará, em 1997, demonstram sua dedicação em preservar as tradições culturais e trazer alegria às pessoas. “Eu acredito muito na força da mente, sei que consigo tudo que quero, meu pensamento é sempre positivo. Além disso, confio nas pessoas, sei que todo mundo tem um lado bom e esse é o lado que eu enxergo", explica ela.
Maria se tornou uma das pessoas mais importantes da cidade de Sabará, sendo uma figurinha constante nas colunas sociais dos principais jornais do Estado. Além de ter participado como colaboradora da Folha de Sabará, Maria por muitos anos foi responsável pela realização do Baile de Debutantes da cidade, que sempre contavam com a presença de atores globais. Havia também o concurso Sinhá Moça, onde as moças se vestiam com roupas do século XIX. Maria é uma lenda viva do carnaval e da cultura local, cuja vida é um exemplo inspirador de superação, determinação e alegria contagiante.
Atualmente, Maria Bonita continua sendo um farol de esperança e alegria para Sabará. Sua história inspira muitos a enfrentar desafios e a abraçar a vida com otimismo, não importa quão difícil seja a jornada. Seu legado perdurará nas memórias daqueles que tiveram a sorte de cruzar seu caminho, e sua paixão por celebrar a cultura e a vida continuará a inspirar as próximas gerações.
HOMENAGEM AngloGold Ashanti recebe homenagem da Revista Viver Brasil por sua contribuição ao desenvolvimento do Brasil
Meio Ambiente Descarte irregular de lixo em Sabará: flagrante reforça combate a crime ambiental
PARCERIA Belgo Arames firma parceria com a FIEMG para fortalecer inovação aberta na indústria
Prêmio Abracopel Sabarense vence Prêmio Abracopel de Jornalismo e leva o nome de Sabará ao cenário nacional
Juca de Oliveira Morre Juca de Oliveira aos 91 anos: ator marcou gerações na televisão brasileira
DESAPARECIDO Buscas por jovem levado por enxurrada em Sabará entram no quarto dia e mobilizam bombeiros no Rio das Velhas Mín. 14° Máx. 27°
Mín. 14° Máx. 27°
Parcialmente nubladoMín. 15° Máx. 25°
Tempo limpo
CONVERSA DE ESQUINA Ser ou não ser?
COLUNA MG Forrageiras mostram alto desempenho no semiárido
SANDERS ROCHA Concessionária de energia pode adentrar no imóvel para realizar o corte sem o morador no local?
DIEGO LEONEL A Importância da Certificação Pró-Gestão para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) 
