O senador Plínio Valério (PSDB-AM) criticou em pronunciamento na terça-feira (16) uma declaração do presidente francês, Emmanuel Macron, que apelou por uma "uma pausa nas regulamentações ambientais europeias" para reindustrializar a França. Plínio mostrou surpresa diante dessa postura, uma vez que o presidente francês "não se cansa de dar conselhos e lições sobre o meio ambiente". De acordo com o jornal francêsLe Monde, há cinco dias Macron defendeu essa "pausa" quando, ao apresentar um projeto da "indústria verde", disse querer preservar as empresas francesas, que estariam competindo com as de "países com padrões ecológicos mais baixos".
— Imagine-se a gritaria mundial se o governo brasileiro solicitasse uma pausa nas regulamentações ambientais hoje em vigor, alegando que precisa de mudanças em sua economia. Com certeza, haveria um protesto internacional veemente, enfurecido — Greenpeace, Greta, Leonardo DiCaprio, ONGs. Sem falar, é claro, dos governantes de países europeus. Todo mundo estaria estarrecido — disse o senador.
O senador lembrou que o governo francês foi responsável por impedir a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia em 2021. Na época, disse Plínio Valério, o presidente da França justificou que a “Amazônia não é apenas dos brasileiros e que o governo brasileiro não mostra o engajamento necessário em termos ambientais".
O senador ressaltou, entretanto, que a França não estaria sozinha na "hipocrisia ambiental". A Alemanha, que é doadora do Fundo Amazônia e que, para Plínio Valério, também "tenta dar lições ao Brasil", reabriu minas de linhita,mineral combustível que contém 70% de carvão, tem aspecto de madeira fossilizada e é considerado debaixo poder calorífico. Seu uso, que aumentou com o problema energético europeu, é considerado nocivo ao meio ambiente pela grande emissão de gases de efeito estufa. Plínio Valério observou que essas minas na Alemanha também se transformam em enormes crateras, que destroem tudo ao seu redor à medida que se expandem, engolindo vilarejos, igrejas centenárias, casas e rodovias.
O senador também mencionou que, há dois anos, os Estados Unidos bloquearam a exportação da madeira brasileira para os portos americanos, alegando que o produto estava sendo explorado de forma irregular. No entanto, disse Plínio Valério, "a exploração de madeira no território dos Estados Unidos prossegue normalmente".
— Esses países ricos que nos contestam e oprimem em questão ambiental, se descobriram ambientalistas depois que ficaram ricos. Isso é hipocrisia! Trata-se, mais uma vez, de uma armadilha. Os países já desenvolvidos não se envergonham de usar esses recursos naturais como bem lhe aprazem: caso de Macron, caso da Alemanha, caso dos Estados Unidos.Fica aqui, portanto, o registro de um senador que não se cansa de protestar, de se opor aos 'trombeteiros do apocalipse'. Em momento algum contesto a necessidade de preservação do nosso meio ambiente. Mas não aceito que venham nos impor limite quando eles próprios agem no sentido contrário quando isso lhes traz benefícios — afirmo Plínio.
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