Reunião promovida pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, por meio do subcomitê dos Ribeirões Caeté-Sabará
A reunião foi realizada no dia 20 de março na Associação da Comunidade de Pompéu com a participação dos moradores do bairro e representantes da AngloGold Ashanti e do CBH Rio das Velhas.
O gerente de geotecnia, Márcio Mansur, responsável pela barragem da AngloGold no Pompéu, afirmou que a barragem que recebe os rejeitos das minas de Lamego e Cuiabá, segue todos os padrões de segurança. A barragem possui um volume de rejeitos depositado de aproximadamente 7,5 milhões de m³ e instrumentação necessária para controlar o volume de água interno.
O geotécnico afirmou ainda que existe uma sala de controle que funciona 24 horas por dia com a presença de duas pessoas na Mina de Cuiabá e que caso ocorra qualquer variação, a sala de controle aciona as pessoas responsáveis imediantamente. Além de um sistema de câmera e iluminação, pois a barragem é inspecionada em todo turno de trabalho.
Ele explicou que o projeto foi feito considerando as condições de uma barragem de água, possui um robusto sistema de drenagem interno e um sistema de vertedouro, evitando que o a água passe por cima a barragem.
O material utilizado em sua construção é solo compactado. Além disso, seus alteamentos foram realizados a jusante. Cuiabá conta ainda com uma borda livre operacional – diferença entre o nível do lago e a descarga do vertedouro – de 5 m, o que garante significativa segurança hidráulica. Mansur afirmou ainda que o rejeito produzido na mina é considerado não perigoso, pois em Sabará é feito apenas a separação do minério.
O representante da AngloGold destacou que a barragem passa por inspeções de consultoria independente três vezes ao ano, pois é uma obrigação perante a Agência Nacional de Mineração (ANM) e que ainda são feitas inspeções que são registradas a cada 15 dias no site ANM. Em termo de segurança, Mansur afirmou que a barragem apresenta nota máxima.
O geotécnico disse ainda que existe um projeto de descaracterização da barragem, previsto para 2021/22, a partir daí os rejeitos passarão a ser dispostos a seco, diminuído significativamente o risco de um rompimento.
Zona de Alto
Salvamento
A Zona de Alto Salvamento (ZAS) abrange a área de risco, caso a barragem se rompa. Ele disse que a distância entre a barragem e o Centro de Pompéu é cerca de 4km e com um rompimento o rejeito demoraria 54 minutos para atingir a primeira residência. Moradores questionaram esse tempo, mas ele afirmou que o cálculo foi baseado em estudos técnicos e simulações.
O geotécnico foi questionado também sobre a área que abrange a ZAS, moradores da Vila Michel e Gaia disseram que os rejeitos vão chegar até essas localidades, mas eles não têm como serem avisados. Mansur afirmou que até julho desse ano, a área será ampliada até o Gaia, local que também serão instaladas sirenes, aumentando a ZAS para 10 km.
A localização dos pontos de encontro e a sala de monitoramento também foram questionadas. Moradores acham que alguns pontos não estão localizados em lugares adequados e em relação ao monitoramento, moradores sugerem que, além de duas pessoas, a sala tenha mais um profissional e também um sistema mecânico de acionamento.
Os representantes da AngloGold afirmaram que todas as questões levantadas serão estudadas e ressaltaram que a Anglo está sempre aberta a ouvir a comunidade.
Outras pautas
Durante a reunião representantes do CBH Rio das Velhas - Comitê da bacia Hidrográfica do Rio das Velhas falaram também sobre um denúncia recebida em que mostrava uma trecho do Rio Sabará com a água muito turva, mas não conseguiram identificar o problema, por isso o Ministério Público foi acionado e está trabalhando para detectar a causa desse problema. Adriana Carvalho, analista ambiental do CBH Rio das Velhas, afirmou que é importante manter o contato com a comunidade, por isso é fundamental que os moradores locais ao perceberem algum problema no rio denunciem ao Comitê para que seja apurado.
O Comitê afirmou ainda que estudos estão sendo feitos para a criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) Caeté-Sabará, criando um corredor ecológico entre as duas cidades.
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