O projeto de lei que cria o Dia Nacional do Artista Vidreiro (PL 2.504/2022) foi tema do debate promovido nesta segunda-feira (12) pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). O autor do projeto é o senador Flávio Arns (Podemos-PR), que conduziu a audiência.
A data seria comemorada em 21 de junho, porque nesse mesmo dia, no ano passado, foi inaugurado o Salão de Artes em Vidro Brasil 2022, em Curitiba, no Museu Municipal de Arte (MuMA). Segundo os defensores da proposta, essa é a exposição mais visitada na história do museu.
Flávio Arns disse que as artes vidreiras podem promover a inclusão social de catadoras de resíduos das periferias, pois essas pessoas são estimuladas a desenvolver atividades artísticas com o vidro coletado, agregando valor e reduzindo o tempo que passam na rua, "onde trafegam o dia inteiro com seus filhos e animais de estimação".
— Arte, cultura, desenvolvimento econômico e acolhimento social aumentam a autoestima e a renda familiar. Aí reside o encontro da economia criativa com a arte vidreira. As relações entre arte e social, e o papel do artista vidreiro, poderão ser um agente de transformação social. A arte em vidro representa muito bem o que pedem os ditames modernos da sustentabilidade, como é o caso da ODS 12 da ONU [Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12 da Organização das Nações Unidas], que trata da reutilização de recursos — declarou.
O senador ressaltou que há hoje no Brasil "incontáveis artistas vidreiros". Também afirmou que muito artistas e grupos de artistas, especialmente do Paraná, se destacam tanto no cenário nacional como no internacional. Ele lembrou que em Curitiba foi criado, em 2009, o primeiro Grupo de Artistas Vidreiros do país, que já realizou mostras e exposições em diversas regiões brasileiras, além de intervenções urbanas na capital paranaense.
Arns acrescentou que Curitiba, por meio de sua prefeitura e da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), deverá se tornar, a partir de convênios internacionais, um polo desenvolvedor de artes em vidro, "tornando-se fomentadora da economia criativa e irradiadora dessa bela e eterna arte".
Para a designer e artista vidreira Désirée Sessegolo, a arte em vidro tem hoje impacto socioambiental, artístico e mercadológico.
— No socioambiental, o vidro é o material mais puro e o único 100% reciclável, e que permite infinitas transformações sem perda de qualidade. Mas hoje, segundo dados da Abividro [Associação Brasileira das Indústrias de Vidro], só 47% do material descartado volta para a reciclagem. Penso que os artistas vidreiros podem ser estimulados a aumentarem esses índices. No artístico, acho que podemos estimular a abertura de escolas, e o sucesso do Salão de Artes em Curitiba mostrou o potencial criativo que há no país todo. Veneza serve de modelo: é uma cidade onde a arte vidreira tem um impacto econômico relevante. E no viés mercadológico, valorizar a arte pode diminuir nossa dependência de vidros importados — argumentou Sessegolo.
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