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Educação A Cidade da Gente

Alunos da rede municipal de Sabará são coautores de livro sobre os patrimônios das cidades

Patrocinado pela AngloGold Ashanti, o livro terá doação de 2.600 exemplares para uso didático na rede pública de ensino da cidade. Pesquisas e produções de textos foram feitas pelos alunos, com orientação de professores e da equipe do projeto.

28/07/2022 17h13 Atualizada há 4 anos atrás
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: Compor Comunicação
Alunos da rede municipal de Sabará são coautores de livro sobre os patrimônios das cidades

Com livros já publicados sobre outras 20 cidades de norte a sul do país, a coleção A cidade da gente propõe uma parceria de escritores e ilustradores profissionais com professores e alunos das escolas públicas de cada cidade abordada para contar as histórias de seus patrimônios materiais, imateriais e ambientais. O projeto foi vencedor do prêmio Retratos da Leitura 2019, promovido pelo Instituto Pró-Livro para reconhecer ações destacadas de incentivo a leitura em todo o país.

 Agora chegou a vez de Sabará contar sua história, e as igrejas da cidade, o conjunto paisagístico do Morro São Francisco, as festas tradicionais da Semana Santa e do Corpus Christi e a palma barroca e a renda turca, entre outros patrimônios, fazem parte dessa narrativa. O desenvolvimento de conteúdos pelos alunos teve a participação de 10 escolas municipais ao longo do ano passado, e o livro foi lançado no dia 23/06, no Cine Bandeirante.

 

Sobre o projeto

 

Idealizado pela Editora Olhares, com autoria dos escritores José Santos e Selma Maria junto com os estudantes, o projeto A cidade da gente teve início em 2015. Balsas (MA), Campo Verde (MT), Não-Me-Toque (RS), Cruzeiro do Sul (AC), Cordisburgo, Nova Lima, Paracatu, Araxá, Conceição do Mato Dentro e Congonhas (MG). São José dos Campos, Taubaté, Pindamonhangaba, Suzano, Mogi das Cruzes, Tapiraí e Juquiá (SP), Pinheiral (RJ), Campo Largo (PR) já tiveram livros da coleção publicados. O livro de Sabará é patrocinado pela AngloGold Ashanti com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, da Secretaria de Cultura do Governo Federal, e conta com parceria da Secretaria Municipal de Educação da cidade.

 

Processo de trabalho com as escolas é um dos valores da coleção

 

Cada livro da coleção conta a história de um município brasileiro a partir de seus patrimônios, seguindo um roteiro de temas locais que surge a partir da interação com gestores da educação e professores das redes municipais de ensino. Cada tema se torna o projeto de uma turma e os alunos são incentivados a investigar e dissertar sobre eles, tornando-se guias literários dos escritores na cidade. Assim, viram protagonistas de suas próprias histórias quando o livro toma forma. E o grande feito de produzir um livro sobre a cidade é viabilizado pelo formato coletivo e fragmentado.

 

Ao narrar as histórias dos patrimônios locais com o ponto de vista das crianças, os livros da coleção têm como objetivo apoiar a perpetuação e a disseminação da história das cidades abordadas, valorizando lugares e atividades importantes da memória coletiva da cidade, além de ampliar as noções das crianças sobre sua identidade e sobre o pertencimento à cidade e à região onde vivem. O projeto é também um importante apoio ao aprendizado, trazendo uma oportunidade de que ele aconteça a partir de temas locais e de interesse próximo para as crianças, como preconiza a Base Nacional Curricular Comum, do Ministério da Educação.

 

“O projeto investe em uma via de mão dupla, com a pesquisa, a leitura e a escrita ajudando as crianças a valorizem seus locais de origem e, ao mesmo tempo, aproveitando esse vínculo geográfico para estimular o aprendizado”, considera o escritor José Santos.

 

Livros da coleção se tornam referências locais

 

Produzido em geral em pequenos e médios municípios, os livros da coleção tendem a se tornar importantes referências de conhecimento para as cidades participantes, com linguagem acessível mesmo para quem não tem hábito de leitura e com a vantagem de trazer o ponto de vista das crianças locais.

 

Para garantir que o livro se perpetue nas escolas da rede pública de cada cidade, são distribuídos gratuitamente entre elas 2.600 exemplares de sua tiragem e oferecida uma formação de professores para reunir ideias de uso em diferentes disciplinas, estimulando o uso pelas turmas ano a ano, em temas diversos, por muitas gerações.

 

Sobre a Editora Olhares

 

Em um catálogo heterogêneo, os títulos da Olhares têm em comum a proposta de estruturar o conteúdo junto com os autores, o pensamento editorial e de design entrelaçados, a articulação entre textos e imagens para a construção de uma narrativa comum. Trata de temas da cultura brasileira, em especial nos campos da arte, da história, da fotografia, da arquitetura e do design. Além de títulos relevantes nesses segmentos, a editora conquistou prêmios como o Jabuti, o Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira e o Retratos da Leitura.

 

Sobre os autores


José Santos

José Santos é mineiro de Santana do Deserto. Vencedor do Prêmio Jabuti de livro infantil em 2016, tem 27 livros para crianças e jovens publicados, atingindo uma tiragem de 350 mil exemplares. Já teve quatro de seus títulos selecionados para o catálogo da Bologna Children’s Books Fair. E cinco de seus livros foram escolhidos pelo Ministério da Educação para fazer parte do PNBE – Programa Nacional Biblioteca na Escola. Seus projetos foram feitos em parceria com importantes ilustradores como Alcy, Laurabeatriz, Girotto, Guazzelli, Jô Oliveira, Maurício de Sousa e Eliardo França. 

 

Selma Maria

Formada em Artes Plásticas pela FAAP, a paulistana Selma Maria Kuasne cedo se envolveu com o universo da arte-educação. Além de atuar como professora de artes em várias instituições culturais, Selma dedica-se a pesquisar a Cultura da Infância, abordando as formas de brincar das crianças que vivem distantes de centros urbanos. Essa pesquisa a levou a viajar pelo interior do Brasil, especialmente à região onde Guimarães Rosa cresceu, em busca das raízes da infância do escritor. Lá realizou oficinas com apoio das prefeituras de Morro da Garça, Cordisburgo e Três Marias para crianças de diversas idades. O resultado desse trabalho gerou a exposição "Meninos quietos - um olhar sobre os brinquedos do sertão", visitada por 50 mil pessoas durante dois meses do ano de 2006, no Sesc-Pinheiros, em São Paulo.

    

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