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Infestação de besouros assusta o município e outras cidades da Região Metropolitana

Infestação de besouros assusta o município e outras cidades da Região Metropolitana

03/12/2016 09h27
Por: Glaucia Melo Clark
Infestação de besouros assusta o município e outras cidades da Região Metropolitana

Milhares de pequeninos besouros verdes invadiram a capital e algumas cidades da região metropolitana nos últimos dias deixando a população assustada. Em Sabará, comparada a outras cidades, a visita dos insetos não foi tão assustadora, mas foi o suficiente para o Departamento de Zoonoses do Município receber várias reclamações denunciando a infestação em diversos pontos da cidade.

Conversamos com o Dr. Fernando Amaral da Silveira, professor do Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Minas Gerais, que ressaltou que é preciso um estudo mais detalhado para, depois de análise, afirmar qual seria a espécie do inseto. Ele explicou que para identificá-los, seria necessário ter alguns exemplares para serem examinados sob lupa.

Durante a semana, diversas postagens nas redes sociais apontaram o aparecimento de diversos enxames do inseto em lugares inusitados como garagem, quintais de casa, além dos passeios das ruas e plantações. Dr. Silveira explica que essas explosões populacionais em animais, em geral, se devem a um conjunto de fatores ambientais que favorecem a sua multiplicação num dado momento: condições climáticas favoráveis, abundância de alimento, ausência de predadores.

“Neste caso específico, não sei o quê, exatamente, está causando a infestação que estamos testemunhando. É bom lembrar que, na década de 1970, nossa região sofreu uma infestação similar de outro besouro, que foi apelidado na época de Idi Amin (em referência ao então ditador de Uganda). Naquele caso, o besouro havia sido introduzido recentemente da África e, aparentemente, se adaptou muito bem ao nosso ambiente, onde encontrou não apenas abundância de alimentos, mas não tinha predadores ou doenças que causassem maior mortalidade entre eles. Durante uns poucos anos, neste período, eles surgiam em grande quantidade. Finalmente, eles parecem ter entrado em equilíbrio com o ambiente e, hoje, são encontrados apenas esporadicamente, não tendo, nunca mais, causado as infestações dos primeiros anos”, conta.

Por isso, o professor acredita que pode ser que estejamos testemunhando a chegada de mais uma espécie exótica à nossa região - mas, salienta que isto é apenas uma hipótese, ressaltando que é preciso, antes de fazer afirmações seguras, identificar corretamente o besouro.

Ele diz ainda que o período chuvoso, com certeza tem a ver com o surgimento do besouro. Insetos, em geral, e besouros, em particular, passam boa parte de suas vidas como larvas e pupas e, nestes estágios de desenvolvimento, em geral, permanecem em locais mais escondidos, debaixo de folhas, sob a casca das árvores ou até mesmo enterrados no chão. No período chuvoso, quando o alimento se torna mais abundante e a temperatura mais quente é mais favorável à sua sobrevivência, eles então se transformam na forma adulta (pelo processo de metamorfose) e se tornam ativos, buscando parceiros para o acasalamento e postura de ovos.

“Todo mundo sabe que, no início do período chuvoso, as lâmpadas atraem grande número de insetos (besouros, principalmente os escaravelhos), mariposas, formigas e cupins alados etc. Mas, obviamente, a chuva, sozinha, não explica a infestação atual. Se assim fosse, esses besouros provocariam infestações todo ano ou, pelo menos, em todos os anos mais chuvosos, e nós já os conheceríamos bem”, diz.

Em relação aos males que o inseto pode trazer, Fernando Silveira salienta que em geral, besouros não nos trazem nenhum malefício direto - não mordem, não picam e não transmitem doenças. Há apenas uns poucos grupos deles, não muito comuns, que são capazes de produzir substâncias que, em contato com a pele, podem causar queimaduras (mais ou menos graves, dependendo da espécie do besouro). “Algumas pessoas têm reclamado de queimaduras, então, pode ser que este besouro seja um desses, mas, de novo, seria preciso identificá-lo corretamente para dizer com mais segurança”, completa.

Para finalizar, o professor afirma que os besouros só liberam essas substâncias quando se sentem ameaçados. Então, basta não tocar neles. Se eles estiverem em lugar que cause incômodo, o melhor é varrê-los e jogá-los no lixo ou em algum terreno baldio.

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