Na quinta-feira, 1º de setembro, o ribeirão Caeté-Sabará, no bairro Pompéu, amanheceu com uma lama preta e muitos resíduos, como descreveu alguns moradores, o que provocou a morte de vários peixes. A situação assustou a comunidade e deixou todos em alerta.
Segundo o pescador Altamiro Jardim, deu tristeza chegar à beira do rio e ver os peixes mortos. “Moro aqui há anos e sempre pesquei, hoje quando fui fazer um passeio encontrei vários peixes mortos, fiquei muito triste, mas mesmo assim vou levá-los para casa, já que não teve como pescar”, disse. Outro morador que não quis se identificar contou que durante a manhã fazia uma trilha na beira do rio quando se assustou com a grande quantidade de substância preta que descia pelo rio matando os peixes imediatamente.
Visitamos o local no fim da tarde, quando a substância já havia praticamente se dissipada, mas ainda foi possível encontrar muitos peixes mortos.
A princípio os moradores acreditaram que a substância poderia ser proveniente da Mina Cuiabá-Lamego, localizada no Pompéu, operada pela AngloGold Ashanti, mas de acordo com a empresa e com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Sabará, a contaminação no rio foi iniciada acima da mina.
A Secretaria de Meio Ambiente informou que no dia do incidente foi ao local e coletou amostra da água e alguns peixes mortos para fazer análise da substância encontrada. De acordo com o gerente operacional da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agrinélio do Amaral, que acompanhou o secretário em uma inspeção pelo rio, o material recolhido foi encaminhado para o Projeto Manuelzão, onde será analisado, mas não tem uma previsão de quando a análise será concluída.
O secretário de Sabará também contactou a Secretaria e a Polícia do Meio Ambiente de Caeté, mas não obteve resposta de nenhum dos órgãos.
Entramos em contato com a AngloGold que em nota nos informou que assim que soube que o Ribeirão Caeté-Sabará estaria em condições alteradas de qualidade da água montou um grupo para analisar a situação. “Imediatamente, a AngloGold Ashanti formou um grupo de inspeção que percorreu durante dois dias o Córrego Cuiabá e o Ribeirão Caeté-Sabará. O grupo coletou amostras do Córrego Cuiabá – desde onde ele se encontra com o ribeirão até o trecho após sua operação – e o Ribeirão Caeté-Sabará desde Caeté, passando pelo bairro de Pompéu até o encontro com o rio das Velhas. O grupo também realizou inspeções internas nas instalações industriais, barragem, Estação de Tratamento de Efluentes com o objetivo de certificar se não houve anomalia nas operações que pudesse ocasionar alteração no Ribeirão Caeté-Sabará.
As inspeções realizadas demonstram que as operações da AngloGold Ashanti não deram origem às alterações encontradas no Ribeirão Caeté-Sabará. Ficou evidente que tais mudanças surgiram em uma região anterior à mina Cuiabá e, portanto, não são decorrentes das atividades da empresa. O estudo resultante das inspeções foi compartilhado com o Comitê de Bacias Rio das Velhas, formado por representantes da sociedade civil, governo e usuários do abastecimento de água.
A empresa informa que mantém as medidas de controle de seus processos, que incluem o monitoramento de seus efluentes e da qualidade dos cursos d’água próximos a todas as suas operações. Os monitoramentos são compartilhados em relatórios mensais enviados para os órgãos ambientais.
A AngloGold Ashanti reafirma seu compromisso ambiental, baseado em seus valores, nas melhores práticas e na norma Internacional ISO 14001, e se coloca à disposição da comunidade para quaisquer esclarecimentos em seu canal de atendimento: 0800 72 71 500”.
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