Sabará tem um potencial turístico incrível, com uma história tricentenária, a cidade possui um riquíssimo acervo de Igrejas que passa por todas as fases do barroco; datadas do século XVIII; casarões preservados no Centro Histórico, o Museu do Ouro, que funciona na antiga Casa da Intendência e Fundição e o teatro mais antigo em funcionamento no país. Além disso, possui vários eventos, como o Festival de Inverno, que acontece em julho, onde estão inclusa as comemorações do aniversário da cidade e os tradicionais festivais da Jabuticaba e do Ora-pro-Nóbis.
Acontece que mesmo diante disso, o turismo em nossa cidade não está em alta. Pelo menos essa é a visão de Ralph Matarelli, proprietário da Pousada Villa Real e Luiz Neves, mestre em Turismo e gerente do Hotel Solar Corte Real.
Para Matarelli, o turismo na cidade é mais voltado para negócios. Segundo ele, o público que hospeda em sua pousada é em sua maioria de profissionais que estão prestando serviço para alguma empresa instalada na cidade. Além disso, existe o público que vem para eventos, como Carnaval, Semana Santa e festivais.
Já aquele turista que pretende conhecer a cidade, passar mais tempo e realmente utilizar todos os serviços oferecidos pelo município é muito raro, embora ainda exista. Apesar de não ser um número satisfatório, Ralph diz que o número de turistas que vem a Sabará, fazendo o caminho da Estrada Real, tem aumentado, mas ainda é muito pouco.
Para o proprietário da Villa Real é preciso que este tipo de turismo seja dinamizado. Ralph sugere que é preciso investir em campanhas publicitárias para atrair o turista para a cidade que está a apenas 20 km da capital. Além disso, o empresário sugere que seja construído na cidade um Centro de Convenção, pois acredita que além de trazer turistas, geraria mais emprego. “Se dinamizarmos o turismo na cidade, todo o município ganhará em qualidade de vida”, diz.
Luiz Neves também afirma que não está satisfeito com o turismo na cidade. Assim como na Pousada, o maior público do Hotel Solar Corte Real é composto por profissionais e colaboradores da empresas que estão na cidade. Segundo Neves, durante os meses de férias escolares, janeiro e julho, o hotel recebe turistas que vêem para conhecer a cidade, mas nos outros períodos do ano esse número é muito baixo. O gerente afirma que a princípio o município precisa de receber investimentos e muitas melhorias. “Primeiro a cidade tem que ser boa para o morador. Se ela for boa para morar, ela será boa para visitar. Temos que partir do mais simples para o complexo”, disse.
Neves diz ainda que construir espaços para eventos e realizá-los é interessante, gera turistas, mas é bom apenas para hospedagem, não movimenta tanto outros serviços, já que o turista não permanece na cidade. “Eu acredito que até hoje Sabará não teve uma política estruturada para o turismo”, ressalta. Ele destaca também que é importante que todos estejam envolvidos, desde o Executivo, os empresários, os comerciantes e todos aqueles que trabalham com serviços.
Sérgio Emílio da Rocha, presidente do COMTURSA ( Conselho Municipal de Turismo de Sabará ) proprietário de restaurante Bar Ôco II, no centro da cidade, afirma que nos últimos dez anos o turismo caiu muito no município. Ele disse que apesar de termo um patrimônio histórico expressivo não há divulgação, esse seria, talvez, o maior problema. “Nós somos a pérola, estamos com quase 3 milhões de pessoas ao nosso lado, temos um acervo histórico maravilhoso, um potencial ecoturístico muito grande, turismo religioso expressivo, festas excelente, mas infelizmente nós não sabemos comunicar”, ressalta. Ele destaca que se Sabará conseguisse levar a sua imagem para Belo Horizonte de forma marcante e convidativa não caberia turistas na cidade.
O empresário ressaltou a realização do Festival Como Sabará que foi um sucesso para todos os restaurantes participantes e destacou que quando há empenho e todos se unem para trabalhar em prol de um mesmo objetivo gera bons resultados. Segundo ele, este festival mostrou que é possível fazer algo para atrair turistas à cidade.
Em relação ao Conselho, Sérgio disse que não existe autonomia, porque o Conselho não decide nada sozinho, não tem poder independente, pois o trabalho é feito com representantes das secretarias municipais, empresários e pessoas da sociedade civil. O Conselho só tem poder sobre o fundo municipal de turismo, mas mesmo assim para retirar essa verba se exige vários quesitos, que depende da Prefeitura. Sérgio conta que a última vez que o fundo foi utilizado, se investiu na Festival da Jabuticaba do ano passado.
A importância de se investir em turismo é grande, pois envolve dezenas de atividades econômicas que estão ligadas direta ou indiretamente ao setor, já que o turista pode utilizar diversos serviços oferecidos no município. Sérgio afirma que o turismo é gerador de riqueza, aplicação de verba no turismo é investimento e retorno certo, pois gera emprego e impostos. Para o empresário o ideal seria parcerias público-privadas, onde todos ganhariam. “Não precisamos fazer grandes eventos, podemos começar fazendo pequenos movimentos, onde todos (empresários) sairiam beneficiados e também contribuiriam”, finaliza.
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