Ainda em comemoração ao aniversário da cidade, a Folha traz mais uma matéria especial. Dessa vez, o tema são os moradores do tradicional Largo do Ó e as riquezas da igreja
Uma caixinha de joias considerada o rosto da cidade; o cartão postal não só dos sabarenses, mas também do Estado. É impossível falar das histórias que semearam o Largo do Ó sem antes observar a capelinha mais tradicional da cidade: a Igreja de Nossa Senhora do Ó. O tema é mais uma das matérias da Folha em comemoração aos 341 anos da cidade e 305 de elevação à Vila Real.
Ela nasceu como Nossa Senhora da Expectação do Parto ou do Bom Parto. O nome "do Ó" foi batizado pelos sabarenses e veio do hábito de se rezar as Antífonas do Ó (sete versos de oração iniciados com o suspiro “Oh!”) na véspera da comemoração do seu dia festivo, em 18 de dezembro.
Próximo de completar seus 300 anos, a igreja é cativa de olhares curiosos, seja por sua arquitetura singela e suas paredes levemente inclinadas pela ação do tempo, seja pela sua riqueza material e imaterial preservada em seu interior. Não há registros definitivos sobre a construção do monumento nem mesmo sobre o início da vila que a rodeia.
A devoção e sua riqueza
A devoção a Virgem do Ó pode ter chegado a Sabará através dos bandeirantes que fundaram a cidade. De acordo com o livro “O Barroco e Rococó Mineiro: arte, arquitetura, artistas”, de Moacir Pimenta Pedroso, a igreja nasceu do desejo de devotos de Nossa Senhora da Expectação erguerem um templo à sua padroeira. As obras iniciaram em 1717, antes da autorização formal para isso, que só foi concedida pelo Senado da Câmara em 1º de janeiro de 1718.
A obra de Pimenta Pedroso aponta ainda que os trabalhos de construção da capela tomou impulso somente em 1719, quando o capitão-mor Lucas Ribeiro de Almeida contratou o ajudante Manuel da Mota Torres para que a finalizasse ainda no mesmo ano. Os registros apontam que o templo foi finalizado em 1719, conforme o contrato, com a decoração iniciando logo em seguida. Possivelmente em 20 de dezembro de 1720 já estava pronta, pois sobrevive um ex-voto do próprio capitão-mor relativo a uma graça alcançada e à festa de consagração do templo. Pouco depois foram acrescentados o coro, o átrio e a sacristia. A construção passou pelas três fases do barroco mineiro, alguns guias turísticos e historiadores apontam a Igreja do Ó de Sabará como a única igreja mineira ainda em atividade com esta característica.
A capela sofreu algumas intervenções ao longo dos seus quase 300 anos; segundo o “Livro de Belas Artes” de Registro de Tombamentos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN),no fim do século XVIII foi acrescentada a torre sineira para tentar fazer a capela, considerada na época primitiva, se igualar as demais construções católicas.
Os moradores do Largo contam que a Capela do Ó ficou fechada por muitos anos, o que gerava mau cheiro e fazia com que o local fosse propício para o criadouro de morcegos e pombos. As celebrações, ainda segundo a comunidade, só começaram a acontecer bem mais tarde, quando os próprios moradores junto com alguns padres que passaram pela cidade, assumiram a coordenação da igreja.
A fim de trazer ventilação para o interior da capela, que foi construída sem janelas, um dos padres do local mandou que fosse instalada no seu lado direito uma porta e uma janela, destruindo assim dois dos seus quadros. Mais tarde, em 1944, o IPHAN organizou um restauro geral, eliminando este e vários outros elementos considerados como acréscimos arbitrários. De lá para cá, o órgão vem realizando diversos outros reparos no templo, a fim de conservar sua estrutura e combater infestações de insetos.
Dentro da igreja tudo é rico, cada vez que se entra na capela um detalhe diferente é observado, todos os olhares se voltam para o altar que fica a imagem da Senhora do Ó exposta no centro da capela mor. O local recebe diariamente dezenas de turistas que viajam de diversas partes do país para conhecer Sabará, alguns deles exclusivamente para visitar o cartão postal da cidade e do Estado.
Outras curiosidades em seu interior são os seis painéis octogonais no entorno do arco e um retangular de coroamento mostram figuras de pássaros em estilo orientais, conhecidos como "chinesices". Segundo citado no dossiê “Barroco mineiro também tem olhos puxados”, realizado pelo IEPHA-MG em 12 de fevereiro de 2009, “as figuras são pintadas a ouro sobre fundos de um azul escuro, com bordaduras em vermelho e talha dourada em moldura, aparecendo personagens bíblicos com olhos puxados. Esses painéis orientalizantes teriam sido pintados por Jacinto Ribeiro, citado em um documento de 1721 como natural da Índia e residente em Minas desde 1711”.
Tranquilidade e paz, o privilégio de morar no Largo do Ó
Muito se especula sobre a criação do Largo do Ó; não se sabe nem mesmo se existia já algumas casas no local antes das obras de construção da igreja ou se o arraial foi criado somente após a capela. Fato é que não tem como pensar na Igrejinha do Ó e não nos lembrarmos das casinhas singelas que hoje estão ao seu redor.
Conversamos com todos os moradores do local para saber quando chegaram ao Largo e como as casas passaram para as mãos das famílias. Alguns contam que os imóveis pertenciam a um empresário sabarense chamado, Antônio Geo, e mais tarde passou para as mãos da Companhia Belgo Mineira. Depois, segundo as famílias, a empresa alugou os imóveis para seus funcionários e facilitou a venda para os mesmos.
As ruas eram de terras e as casas seguiram uma construção colonial de paredes de adobo e fachadas iguais. A praça sofreu algumas modernizações, recebeu canteiros de flores que mais tarde deram lugar a um calçamento rústico, este ainda permanece na rua e na praça em frente à igreja.
A igreja também mudou sua cor, de portas vermelhas para azul, já as casas algumas permanecem com fachadas intactas desde quando foram tombadas pelo IPHAN. Alguns imóveis já sofreram com algumas ações e intervenções, ganharam paredes, grades e vitrines modernas, dando um contraste entre passado e presente, mas ainda assim não conseguem tirar a beleza histórica do que representa o Largo do Ó.
DIVERSÃO GARANTIDA Festival de Bolhas Gigantes chega a Sabará com diversão gratuita para crianças e famílias neste sábado
HOMENAGEM AngloGold Ashanti recebe homenagem da Revista Viver Brasil por sua contribuição ao desenvolvimento do Brasil
Meio Ambiente Descarte irregular de lixo em Sabará: flagrante reforça combate a crime ambiental
PARCERIA Belgo Arames firma parceria com a FIEMG para fortalecer inovação aberta na indústria
Prêmio Abracopel Sabarense vence Prêmio Abracopel de Jornalismo e leva o nome de Sabará ao cenário nacional
Juca de Oliveira Morre Juca de Oliveira aos 91 anos: ator marcou gerações na televisão brasileira Mín. 16° Máx. 26°
Mín. 15° Máx. 25°
Tempo nubladoMín. 15° Máx. 26°
Tempo limpo
CONVERSA DE ESQUINA Ser ou não ser?
COLUNA MG Forrageiras mostram alto desempenho no semiárido
SANDERS ROCHA Concessionária de energia pode adentrar no imóvel para realizar o corte sem o morador no local?
DIEGO LEONEL A Importância da Certificação Pró-Gestão para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) 
