Não é preciso falar muito sobre o Festival deste ano, realizado pela Prefeitura, equipe e com adesão quase que total da população. Por quê? Porque foi um mês inesquecível. Nunca recebemos tantos eventos da qualidade dos que foram apresentados, em vários pontos da antiga Vila Real do Sabará. E olhe que eu posso falar de cátedra, uma vez que participei de quase todos, desde seu início, nos anos 1970. Aliás, 1971 foi o início desse tipo de produção cultural em nossa cidade. Já vinham sendo feitos alguns eventos culturais, no período do aniversário de elevação à vila de Sabará, mas pontuais, até porque não existia estrutura e nem a cultura de festivais de arte aqui entre nós. Sem desmerecer o valor dessas realizações anteriores aos anos 70 do século passado, a partir do primeiro festival de Sabará, naquele citado ano, incentivado pelo Festival de Inverno da UFMG, as coisas mudaram e a moda “pegou” aqui entre nós. A Praça Santa Rita foi palco deste primeiro Festival, com as Tradicionais (?) Barraquinhas Folclóricas de Sabará. “Tradicionais” foi invenção nossa, uma vez que a palavra foi usada mais como força de expressão, pois não existiam até aquele ano. Mas o povo aderiu e daí em diante não parou mais de ser realizado o evento que, podemos afirmar mesmo - agora não mais como força de expressão - ser uma realidade. E este ano superou todos e tudo que já se fez em Sabará, em termos de eventos culturais de irretocável qualidade – as mensagens via internet, facebook,, instagram, twiter, e-mail s, e verbalmente, atestam a veracidade dessa afirmação - , levando a entusiasmadas manifestações dos sabarenses e dos inúmeros visitantes e turistas que por aqui aportaram. Pudemos ver, ao final de junho e em todo o mês de julho, passeando e se divertindo – civilizadamente - em nossa querida e amada cidade, pessoas de todo o Brasil, gente bonita e educada, que até melhorou a nossa receita comercial. Foi deveras emocionante ver sabarenses se manifestarem, orgulhosos de sua terra natal. Aconteceram diversas atividades culturais, em um nível poucas vezes visto por aqui. Teatro, música, artesanato, gastronomia (este merece um artigo exclusivo ), dança, folclore, exposições e mostras de arte fotográfica, pintura, shows com grandes nomes do cancioneiro da música popular brasileira, manifestações religiosas tradicionais e de cidadania, como os moradores da rua Direita, que abriram suas casas à todos, para receberem mineiramente os que por lá estiveram, e até uma mostra de “reduções” de prédios, realizada na tradicional e elegante Casa Azul da Rua Direita, com seus tetos pintados, onde todos que por ali passaram puderam ver também, depois de muito anos fechada, a bela Capela dedicada à Nossa Senhora das Dores, no Hall do casarão.
No próximo ano, sugerimos, para melhorar, valorizar e firmar ainda mais o evento, principalmente junto aos meios de comunicação, universitários e intelectuais, acrescentar cursos e oficinas paralelas de arte e cultura. Parabéns a todos.
José Bouzas*
Historiador
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